Com virada no último minutos, Gabriel Medina vence no Taiti e cola no líder do ranking Filipe Toledo

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Medina venceu pela segunda vez uma das etapas mais temidas do Circuito Mundial. Foto: WSL / DAMIEN POULLENOT
Medina venceu pela segunda vez uma das etapas mais temidas do Circuito Mundial. Foto: WSL / DAMIEN POULLENOT

Por Guilherme Daolio

Está ficando até repetitivo, mas só dá Brasil no Mundial de Surfe. Pela sexta vez em sete etapas, um integrante da Tempestade Brasileira venceu um evento da elite do esporte. Pela primeira vez na temporada esse atleta foi Gabriel Medina. Com total conhecimento de uma das ondas mais perigosas do mundo e muito sangue frio até o último minuto, o surfista de Maresias conquistou pela segunda vez a etapa de Teahupoo e assumiu a vice-liderança do ranking mundial faltando quatro etapas para o final da temporada.

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Em um ano em que a “praia dos crânios quebrados” não mostrou todo o seu potencial, o entendimento das irregulares ondulações taitianas foi fundamental na vitória do brasileiro. Se o mar ofereceu tubos, Medina deu show e saiu seco. Quando o mar diminuiu, vieram as potentes rasgadas e os já conhecidos e estratosféricos aéreos. O conjunto da obra fez com que ele conquistasse o oitavo troféu de sua carreira, novamente se isolando como o brasileiro que mais venceu etapas na história do Circuito Mundial.

Esta foi a sétima participação de Gabriel Medina no evento em Teahupoo e apenas um vez ele parou antes das quartas de final. Foram dois títulos, dois vice-campeonatos, um 3º lugar e uma 5ª colocação. Um retrospecto de respeito.

:: O CAMINHO DO TÍTULO

A trajetória até o título foi repleta de batalhas brasileiras. Logo na primeira fase, Medina teve uma das melhores atuações do campeonato e avançou direto para o Round 3, mandando os compatriotas Tomas Hermes e Wiggolly Dantas pra a repescagem. Wiggolly passou pela segunda fase e novamente esteve frente a frente com Medina. O campeão mundial de 2014 mais uma vez foi superior.

Na quarta fase, Medina teve pela frente o também brasileiro Yago Dora e o americano Kolohe Andino. Sem dar chance para o azar, escolheu as melhores ondas, desfilou sua potência e se garantiu nas quartas de final. O duelo com Italo Ferreira não valia apenas uma vaga na semifinal, mas também a vice-liderança do ranking mundial. Em um mar difícil, ele conseguiu encaixar duas boas ondas e passou fácil pelo potiguar (13.10 x 7.57).

Na semifinal, o especialista em tubos Jeremy Flores foi o adversário. Mas Netuno estava do lado do brasileiro e mandou ondulações que proporcionaram dois espetaculares aéreos que garantiram a tranquila vitória sobre o francês por 15.17 x 6.10.

E parece que não era apenas o Deus dos mares que estava do lado do brasileiro. A final contra Owen Wright foi de deixar qualquer um a beira de um ataque de nervos. O australiano começou melhor e abriu vantagem com dois pequenos tubos fabricados na marra. Como de praxe, Medina não deixou barato e apostou nas rasgadas para fazer uma boa nota. Mas ainda faltava uma onda salvadora. No minuto final entrou uma série e Owen foi na primeira. Sem prioridade, o brasileiro veio logo atrás.

Com potência, o australiano tirou 5.57 e deixou Medina precisando da melhor nota da bateria. Mas a segunda onda era melhor e o brasileiro achou o melhor tubo da decisão para arrancar 7.33 dos juízes e vencer por 13.50 x 12.07.

:: CAMISA (VERDE E) AMARELA

Com a campanha espetacular e a virada mais incrível ainda, Gabriel Medina subiu para o segundo lugar no ranking mundial. Ele ultrapassou o australiano Julian Wilson, que decepcionou ao cair na segunda fase e não defender seu título no Taiti.

Medina agora só está atrás do também brasileiro Filipe Toledo, que calou os críticos e alcançou uma importante semifinal em Teahupoo. Sempre se falou que o surfista de Ubatuba na~ose dava bem em ondas pesadas e para a esquerda, como é o caso deste evento. Mas Filipinho chegou antes que todo mundo, treinou e marcou seu melhor resultado no Taiti, garantindo a manutenção da camisa amarela de líder.

Com as quartas de final, Italo Ferreira se manteve na quarta colocação e diminuiu a diferença para Julian Wilson. Ou seja, além dos dois líderes, o brasil também tem o quarto melhor do mundo no momento. Finalista em ‘Cho-Po’, Owen Wright deu bom salto no ranking e agora é o sexto melhor da temporada.

:: O RESTANTE DA TEMPESTADE

Além da brihante vitória de Medina e do grande resultado de Filipinho, outros dois brasileiros também fizeram bonito em um dos eventos mais esperados do ano. Também brigando pelo título mundial e dono de duas vitórias nesta temporada, Italo Ferreira foi muito bem nas primeiras baterias, virou de forma espetacular na quarta fase e só parou no amigo Medina nas quartas de final. Precisando de resultados para se manter na elite no ano que vem, o estreante Yago Dora também mostrou domínio do pico e terminou com um satisfatório 9º lugar.

Italo Ferreira comete em Teahupoo. Foto: WSL / DAMIEN POULLENOT
Italo Ferreira comete em Teahupoo. Foto: WSL / DAMIEN POULLENOT

Michael Rodrigues, Adriano de Souza, Jessé Mendes, Ian Gouveia e Wiggoly Dantas começaram bem, mas pararam na terceira fase e se despediram do Taiti com o 13º lugar. Willian Cardoso, Tomas Hermes e Miguel Pupo não se encontraram nas difícieis ondulações de Teahupoo e ficaram com a 25ª e última colocação.

:: PRÓXIMA ETAPA

Os melhores surfistas do mundo agora tem poucos dias de descanso até a próxima etapa. Do dia 6 ao dia 9 de setembro, acontece a inédita etapa na piscina de ondas artificiais criado por Kelly Slater. Os brasileiros vão com tudo para continuar dominando todos os tipos de ondas. O Yahoo! segue mostrando tudo o que envolve o mundo do surfe.

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