Com várzea de volta, BMW surge e mostra que é força a ser considerada

PEDRO HENRIQUE MARUM, NATHALIA DE VIVO

Corrida: E-Prix de Ad Diriyah

Pista: Ad Diriyah Street Circuit

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Extensão: 2.494 km, 21 curvas

Pilotos inscritos: 24 

Pneus: Michelin Pilot Sport all-weather

Vencedor: Alexander Sims

Pódio: Lucas Di Grassi e Stoffel Vandoorne

Brasileiros: Di Grassi foi 2º e Felipe Massa foi 14º

Palavra do vencedor: "Foi uma corrida dos sonhos. De onde posso ver, digo que conseguimos executar tudo, tomamos as decisões certas nos momentos certos, tudo deu certo hoje. Tenho feito isso por 20 anos, não é algo que acontece sempre. Mas precisa fazer seu trabalho, manter-se longe de distrações. Mas, sim, cruzar a linha de chegada foi uma sensação incrível. Todo o ano passado e ontem são lições que aprendemos, vamos continuar o aprendizado no futuro. Sei do esforço que a equipe tem colocado nisso. Entregar uma vitória é muito legal."

Momento da corrida: Após perder duas vezes a vantagem que construiu durante a corrida, Sims acerta perfeitamente o momento de escapar na segunda relargada pós-safety car e parte para a vitória sem ser incomodado.


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É o sexto ano da categoria e algumas teclas ainda precisam ser batidas com força - talvez até os dedos doerem da intensidade das tecladas na máquina de escrever (provavelmente um computador). Uma delas é que a Fórmula E precisa ter cuidado com o que apresenta. A corrida 2 em Ad Diriyah, neste sábado (23), foi um apelo ao desastre que não pode ser repetido, mas continua sendo, de diferentes formas.

 

Hoje, porém, foi grave. É inaceitável que uma corrida seja liberada para bandeira verde enquanto fiscais trabalham nas pistas. Aliás, é incompreensível o que aconteceu. O dia já era problemático ali, quando o safety-car precisou intervir uma segunda vez, agora por conta de uma batida de Robin Frijns contra o muro. Tirar a Virgin #4 do traçado era a única razão de ser daquela intervenção. Aquilo e nada mais.

 

Mesmo assim, eis que a bandeira verde é acionada, o safety-car volta deixa a dianteira do pelotão e a câmera da transmissão oficial mostra que o carro está alguns centímetros acima do chão, ainda na pista, enquanto uma porção de fiscais acompanhavam. O único problema não estava resolvido, mas a corrida tinha retomada. O desespero na voz de quem quer que tenha anunciado a FCY era evidente. O que se desenhava ali era um desastre.

 

A diferença entre o ensaio da tragédia e a tragédia consumada é apenas execução. Passar de raspão pelo erro trágico não é o bastante, porque uma hora a sorte sempre joga contra.

Direção de prova aciona bandeira verde com carro ainda sendo rebocado em Diriyah (Foto: Reprodução)



Outro ponto a ser atacado: a Fórmula E precisa entender e esclarecer as próprias regras. Maximilian Günther aproveitou que os rivais entraram na zona de modo ataque nas horas erradas e ultrapassou - de acordo com as novas regras, ninguém pode se defender ao ir até o modo ataque sob safety-car. Assim, tomou várias posições e se defendeu de forma primorosa de Lucas Di Grassi. Foi segundo colocado na pista, mas recebeu uma punição de 24s, duas horas após o fim da corrida, por ultrapassar sob safety-car. 

 

Ora, mas o objetivo não era fazer com que os pilotos corressem risco? Não é mais possível abrir para passar na zona de ativação no modo ataque enquanto em período de safety-car e, ao mesmo tempo, não é possível ultrapassar sob safety-car. As duas ideias casam, não é? Se nenhuma das duas coisas pode acontecer, você não deveria ser obrigado ao vergonhoso ato de catar no freio para evitar ultrapassar alguém - e amplia o leque de estratégias.

 

Quem deveria ser punido? Ao menos na visão deste jornalista, ninguém, porque o safety-car estava indo embora. Mas, se tivesse de punir alguém, seria quem acionou o modo ataque para se proteger. Nunca Günther. A punição do alemão é um escândalo de desorganização.

 

Na pista, de outro lado, as batidas foram reflexos da falta de espaço na pista estreita. Um sinal foi bom, entretanto, as pancadas não aumentaram conforme o final foi aparecendo, até sumiram nos últimos minutos. Indício de que a regra nova de diminuir a energia disponível quando a corrida sai de bandeira verde teve algum efeito. Os momentos mais perigosos de pista são mais difíceis de medir. 

 

António Félix da Costa bateu em Sébastien Buemi de forma inapelável e desnecessária, depois Buemi se lançou irresponsavelmente no meio da pista. Tudo perigoso, mas que fica mais na conta dos pilotos. Em seguida, Mitch Evans foi espremido por Sam Bird, um acidente absolutamente de corrida que rendeu punição um tanto quanto difícil de entender ao neozelandês. A batida de Frijns foi uma perda de controle do carro.

O pódio do eP de Ad Diriyah (Foto: FIA Fórmula E)



O bate-bate está ali ainda e, vez ou outra, irá se manifestar, afinal, os carros são grandes e as pistas são pequenas. Mas a mudança da Fórmula E com a intenção de diminuir a possibilidade de transformar pancada em estratégia ganhou um ponto. 

 

Lá na pista, a BMW não se viu novamente com problemas de gerenciamento de energia, algo que custou muitos pontos na sexta-feira. Reagiu. Alexander Sims cravou a terceira pole seguida, sequência que começou na temporada passada, e venceu com domínio.

 

Günther passou em segundo, mas caiu para 15º. Di Grassi herdou a posição, enquanto Stoffel Vandoorne ficou com o pódio. O piloto brasileiro, aliás, carregou um carro que, ao menos nesta primeira rodada, é mediano, até o pódio. Se Buemi e Da Costa não tivessem batido, por exemplo, dificilmente iria ao pódio, mas pouco importa. O 'se' não corre. O importante é que somou 16 pontos e agora precisa contar que a Audi dos começos sonolentos vai melhorar drasticamente durante a temporada, como tem sido nos últimos anos. 

 

No fim das contas, o fim de semana terminar com as quatro fábricas alemãs no pódio: Mercedes e Porsche na sexta-feira, BMW e Audi no sábado.

Alexander Sims (Foto: FIA Fórmula E)


O top-3 (na pista)

 

Alexander Sims, eufórico, falou em corrida dos sonhos e sensação especial. Foi a primeira vitória da BMW desde... Ad Diriyah, 2018.

 

"Foi uma corrida dos sonhos. De onde posso ver, digo que conseguimos executar tudo, tomamos as decisões certas nos momentos certos, tudo deu certo hoje. Tenho feito isso por 20 anos, não é algo que acontece sempre. Mas precisa fazer seu trabalho, manter-se longe de distrações. Mas, sim, cruzar a linha de chegada foi uma sensação incrível. Todo o ano passado e ontem são lições que aprendemos, vamos continuar o aprendizado no futuro. Sei do esforço que a equipe tem colocado nisso. Entregar uma vitória é muito legal", disse.

 

Maximilian Günther admitiu que não esperava conseguir chegar ao top-3

 

"Sabia que seria uma corrida [cheia de coisas] inesperadas, mas não esperava um pódio, para ser honesto. Estou muito feliz com meu primeiro pódio na FE e na BMW. Estou muito feliz que a corrida foi muito boa, muitas coisas aconteceram. No final, esse 1-2 para a equipe é fantástico. Parabéns para meu companheiro Alex pelo ótimo trabalho e estou muito feliz por toda a equipe, por todos aqui e na fábrica da BMW. Obrigado por tudo", comentou.

 

Sobre as ultrapassagens que renderam a punição tardia, falou pouco, mas deixou claro que entende as regras de outra maneira. "Vi a situação diferente, do meu lado está tudo claro. Do meu ponto de vista foi tudo bem."

Lucas Di Grassi (Foto: Audi)


Lucas Di Grassi reconheceu que o carro não é bom o bastante para isso no momento, mas mesmo assim falou em briga por título.

 

"Hoje foi minha corrida 60 e 31 pódios, então estou muito feliz. Após um final de semana turbulento, comecei com o pé esquerdo, mas esse pódio hoje era o melhor resultado possível, estamos muito felizes, a briga pelo título está aberta agora", avaliou.

 

"Não podemos parar de trabalhar. Não temos as ferramentas agora, teremos com o andamento do campeonato. Então vamos voltar para casa, temos muitas semanas até a próxima corrida, vamos cavar os dados, analisar, fazer o carro melhor para chegar na próxima parte do campeonato em boa forma", encerrou.

 

A Fórmula E retorna no dia 18 de janeiro, direto de Santiago, no Chile. Caso seja possível, claro.

 

 



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