Com show de aéreos e tubos, Filipe Toledo vence etapa brasileira

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Filipe Toledo venceu pela segunda vez no Rio de Janeiro (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)
Filipe Toledo venceu pela segunda vez no Rio de Janeiro (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)

Por Guilherme Daolio

“Vocês têm uma onda alucinante na frente de casa. Valorizem isso.”

– Filipe Toledo, no discurso do título

Quem é visto sempre é lembrado. Filipe Toledo foi visto duas vezes no alto do pódio em 2017. E neste ano continua com a mesma fama: quem o vê na final já pode comemorar. Ele está com aproveitamento de 100% em decisões. Nas seis vezes em que esteve nessa situação, saiu do mar carregado pelo público.

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E dessa vez não era qualquer final. Era em casa, com o ‘Maracanã do Surfe’  assistindo, gritando e torcendo como em nenhuma outra etapa do tour. Outra coisa que faz do Brasil um lugar único é o palanque alternativo (segunda opção), que se mostrou com ondas mais atraentes do que o palco principal. Se Filipe conquistou, pela 2ª vez, a etapa brasileira nas direitas da Barrinha, as esquerdas de Itaúna – que encaixam melhor no seu surfe – registraram o único 10 da competição:

Perfect !! @filipetoledo #OiRioPro @digaoi_oficial

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E se você pensa que esta foi a única nota alta de Filipe no evento, a final reservava algo ainda melhor. A começar pelo adversário. Wade Carmichael fez sua primeira final em seu primeiro ano no Circuito Mundial. O australiano solitário não teve com quem comemorar. Ao contrário de Filipe, Medina e outros surfistas, Carmichael não tem ninguém para acompanhá-los nas viagens e resolve tudo sozinho.

Certamente esse não era o caso de Filipe Toledo, que entrou na água junto os milhares de ‘brasileiros-torcedores’ e, na quarta onda, mostrou que o rei dos aéreos também sabe pegar tubos e arrancar mais uma nota excelente dos juízes (9.93). O tubo extenso foi uma dádiva em um mar tão forte que proporcionou nota fracas a todos os surfistas. Aliás, um tubo que, para o mundo do surfe, era impensável nas praias dos Brasil. Mas eles não conheciam Saquarema.  Ou seria melhor chamar de Pipeline brasileira? Agora, australianos, americanos, havaianos e o mundo todo conhece a força do Brasil.

De olho no topo

Filipe Toledo busca seu primeiro título mundial (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)
Filipe Toledo busca seu primeiro título mundial (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)

Com a espetacular vitória, Filipinho subiu para segundo lugar do ranking mundial, atrás apenas de Julian Wilson, a quem derrotou na semifinal. Antigo líder, o potiguar Italo Ferreira caiu ainda na terceira fase e agora é o terceiro colocado, logo a frente de Gabriel Medina, que foi até as quartas de final. Ou seja, dos quatro melhores do mundo, três são brasileiros. Falta apenas o topo.

Quem brilhou novamente foi Michael Rodrigues. Estreante na elite do surfe, o cearense foi de novo até as quartas de final e subiu para a sétima colocação. O único novato melhor do que ele é justamente o vice-campeão em Saquarema, Wade Carmichael. Quem também subiu com a campanha no Rio de Janeiro foi Yago Dora. Semifinalista do ano passado, Yago comemorou seu aniversário com as quartas de final e uma subida de oito lugares. Ele agora é o vigésimo terceiro no ranking mundial.

Ian Gouveia fez seu primeiro bom resultado no ano e terminou com a nona colocação em Saquarema. Willian Cardoso, Tomas Hermes e os convidados Miguel Pupo e Alejo Muniz finalizaram o evento com a 13ª posição. Adriano de Souza, Jessé Mendes, Deivid Silva e Wiggolly Dantas ficaram com a 25ª e última colocação.

Cheirinho de hepta

Hexacampeã mundial, Stephanie Gilmore venceu pela primeira vez no Brasil (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)
Hexacampeã mundial, Stephanie Gilmore venceu pela primeira vez no Brasil (Sebastian Rojas/FramePhoto/Gazeta Press)

Entre as mulheres, Stephanie Gilmore deu show nas diferentes condições que a etapa brasileira apresentou e venceu pela primeira vez no Brasil. Dominando as ondas tubulares da Barrinha e quebrando até nas marolas de Itaúna no último dia, a australiana esteve muito acima das adversárias e abriu ainda mais vantagem na ponta do ranking. A final foi justamente contra a segunda colocada Lakey Peterson, dos Estados Unidos.

Saquarema marcou também a estreia de Tatiana Weston-Webb com a lycra verde e amarela. Nascida em Porto Alegre e criada no Havaí, Tati sempre representou o estado americano e desde o último mês optou pelo Brasil de olho em uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. E a primeira experiência em casa foi muito boa, parando apenas na semifinal. Nas quartas, ela eliminou a outra brasileira do Circuito Mundial Silvana Lima, que também fez um belo campeonato.

Com o terceiro lugar, Tatiana subiu da quarta para a terceira colocação no ranking mundial. Silvana segue na décima colocação.

Pela primeira vez, Tatiana Weston-Webb competiu pelo Brasil (Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press)
Pela primeira vez, Tatiana Weston-Webb competiu pelo Brasil (Thiago Ribeiro/Agif/Gazeta Press)

O Mundial de Surfe segue agora para Bali. A quinta etapa do campeonato será disputada em Keramas a partir do dia 26 de maio. E dois dias depois do término do evento, a WSL decidiu que irá para algumas praia ao lado (Uluwatu) finalizar a etapa de Margaret River, que foi suspensa por conta da ameaça de ataques de tubarões em abril. A competição seguirá de onde parou – terceira fase para os homens e quartas de final para as mulheres.

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