Com R$ 4,5 milhões a receber, Cristian avalia rescisão com Corinthians

Cristian, jogador do Corinthians, pensa em deixar o clube (Gazeta Press)

DASSLER MARQUES SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – Afastado do elenco principal do Corinthians e publicamente criticado pelos dois dirigentes mais importantes do futebol, o volante Cristian avalia com cuidado os próximos passos da carreira.

Aos 33 anos e com contrato válido até dezembro de 2017, ele tem aproximadamente R$ 4,5 milhões a receber entre salários e encargos, mas não descarta a possibilidade de alcançar um acordo e rescindir o vínculo. Cristian se preocupa com o próximo passo que dará, o que reforça uma motivação pessoal de ainda se provar no futebol em seu mais alto nível no Brasil. Em conversas recentes, o volante manifestou o desejo de encontrar uma nova equipe onde possa jogar regularmente e recuperar o melhor ritmo. É justamente pela falta dessa oportunidade que ele se magoou com o treinador Fábio Carille.

Uma das reclamações do jogador, internamente, é de que ele ajudou Carille em sua passagem como interino no ano passado. Ao assumir o lugar de Cristóvão Borges, o treinador assegurou titularidade imediata a Cássio, em detrimento da melhor fase de Walter, o que gerou ruídos no vestiário.

Cristian avalia que ajudou o comandante a levar uma mensagem positiva ao grupo, mas não recebeu dele um voto de confiança em troca. Não por acaso, ao reassumir a equipe, Carille não adiantou qual seria o goleiro titular para 2017.

No último Campeonato Brasileiro, Cristian havia iniciado sua trajetória sob o comando de Tite com a sensação de que poderia dar uma volta por cima e, enfim, render o esperado pelo Corinthians. Já na era Cristóvão Borges, começou lesionado, recuperou espaço, mas foi novamente ao fim da fila com Carille.

As oportunidades surgiram de novo com Oswaldo de Oliveira, mas o baixo rendimento do volante amadureceu a ideia de mudanças para 2017. Sem muita fé na recuperação do jogador, Carille e a direção optaram por contratar Gabriel e Paulo Roberto para a função que era ocupada por ele. O primeiro reforço se tornou titular absoluto e resolveu, de imediato, uma antiga dor de cabeça do setor. Reserva discreto e barato, Paulo recebeu o respaldo do treinador e ajudou a selar o fim da segunda era Cristian.

O fato de não ter sido comunicado em dezembro que estava fora dos planos deixou o jogador absolutamente contrariado, até porque participou regularmente da pré-temporada. Do outro lado, a avaliação da equipe técnica é de que o rendimento de Cristian, principalmente físico, nunca foi o necessário para uma função tão desgastante quanto a que ele executa no time. A dificuldade em jogar com intensidade elevada e pressionar pela bola eram demandas desde os tempos de Tite à comissão para que o volante evoluísse dentro do trabalho.