Com profissionalismo ainda no início, vaga olímpica é sonho da escaladora Thais Makino

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Líder do ranking nacional, paulista lutará em Los Angeles por chance em Tóquio. (Foto: Carol Coelho/ABEE)
Líder do ranking nacional, paulista lutará em Los Angeles por chance em Tóquio. (Foto: Carol Coelho/ABEE)

Por Fernando Del Carlo

A paulista Thais Makino Shiraiwa, de 31 anos, é a atleta que detém desde 2018 a liderança do ranking da Escalada Esportiva no Brasil. Ela disputa a modalidade que estreará na Olimpíada no Japão, ano que vem, junto com as participações do surfe, caratê, beisebol e skate. O sonho de participar do megaevento é talvez o maior desafio na carreira, já que não conseguiu classificação para os Jogos no mundial de Hachioji (Japão). A competição foi disputada em agosto e disponibilizou sete vagas, mas nem Thais (58ª), nem os outros três brasileiros conquistaram o feito para garantir-se na competição da Terra do Sol. Casos de Bianca de Castro (61ª) Felipe Ho (64º) e César Grosso (65º).

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Além disto, os escaladores nacionais por também não figurarem entre os 20 primeiros colocados ora no feminino ou masculino afastaram a chance de estar na seletiva da escalada em novembro em Toulouse (França). Com este panorama desalentador, resta à equipe brasileira tendo entre outros (Thais Makino) a busca por duas dificílimas vagas (uma no masculino e outra no feminino). E será nos Jogos Pan Americanos da modalidade em fevereiro de 2020, em Los Angeles, Califórnia (EUA).

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Com suporte técnico e financeiro, Thais teve um resultado melhor neste Mundial do que no anterior. O nível geral da competição, inclusive, foi mais alto, tanto pela maior quantidade de competidores quanto pela proximidade das Olimpíadas, com todos treinando mais. Apesar de não ter assegurado a vaga olímpica, a esperança está viva, diz quem está a duas décadas neste esporte.

Thais iniciou nele por incentivo da família (pai, mãe e irmãos escalavam). De origem oriental e europeia, Makino destaca o melhor momento da Escalada respaldada pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro) através de parceria com a ABEE (Associação Brasileira de Escalada Esportiva). Hoje, ela é atleta profissional. Deixou de ser assistente de fotografia e dedica-se integralmente ao que ama. Ganhou patrocínio particular, assim como a seleção brasileira obteve apoio de empresa de seguros.

Para Makino, a escalada esportiva não é esporte radical, como é pontuada por vozes pouco esclarecidas. E sim algo multifacetado. Para conhecer em detalhes o esporte, Thais descreve as modalidades que farão parte do Jogos de Tóquio entre outras curiosidades.

Yahoo Esportes - Você praticou outro esporte antes da escalada esportiva?

Thais Makino - Fiz ginástica artística até os sete anos, depois natação. Entre os 10 e os 16, acumulava disputas de natação e escalada.

Yahoo Esportes - Quando começou a praticar escalada esportiva?

Thais Makino - Com dez anos, minha irmã de 15 se interessou pela escalada e meus pais deixaram-na fazer um curso de escalada em rocha. Em seguida, também fizeram o mesmo curso e passaram a frequentar o ginásio 90 Graus, em São Paulo. Depois, eles enveredaram por picos de escalada na rocha, como o Visual das Águas (Bragança Paulista) e São Bento do Sapucaí (na Serra da Mantiqueira).

Yahoo Esportes - Você é a primeira no ranking nacional? Entre homens e mulheres?

Thais Makino - Conquistei a primeira colocação no ranking Brasileiro Combinado em 2018 e agora novamente em 2019, na categoria feminina.

Yahoo Esportes - Pode descrever as modalidades da Escalada?

Thais Makino - É composta pelo formato Combinado (que estará nas Olimpíadas) são: Boulder, Dificuldade (ou Lead) e Velocidade (ou Speed). O Boulder é a única feita sem cordas, utilizando colchões para amparar as quedas, e consiste na escalada de diversas vias diferentes em paredes de até 5 metros. Na velocidade ou Speed, dois atletas correm ao mesmo tempo em duas vias idênticas de 15 metros de altura. Quem tocar no botão no fim da parede primeiro vence. Como a via é padrão no mundo todo, há possibilidade de estabelecer recordes. Dificuldade ou Lead tem disputas em vias de até 20 metros de altura e vão ficando gradualmente mais difíceis. Vence o atleta que chegar mais perto do fim, ou terminar a via. Só é possível escalar uma vez cada via, então caso o atleta caia sua pontuação é contada até onde ele caiu. Na fase classificatória, os atletas têm de escalar cinco boulders diferentes, com cinco minutos de escalada e cinco de descanso entre cada um, sem possibilidade de ver outros atletas escalando, assim evitando que um possa pegar alguma dica com outro competidor e é contada até onde ele caiu. Na Olimpíada de Tóquio 2020 valerá o formato Combinado.

Yahoo Esportes - Quais desafios enfrenta a escalada para desenvolver-se no Brasil?

Thais Makino - Com a entrada da Escalada na Olimpíada de 2020, a ABEE – Associação Brasileira de Escalada Esportiva passou a receber verba do COB, que deve ser investida em pontos específicos. Assim, o esporte vem ganhando muito pelo ranking nacional organizado, participação de atletas em campeonatos internacionais incentiva juvenis, suporte à seleção Brasileira, entre outros pontos. Houve diminuição do abismo entre o cenário competitivo aqui, na Europa, EUA e Ásia. E que apresentava falta de infraestrutura para treinos e dificultava desempenho de atletas brasileiros fora do Brasil. Com a evolução e modernização dos ginásios, é muito provável que essa diferença caia mais nos próximos anos. Infelizmente, não temos grande número de ginásios no Brasil, mas a ideia é que com o crescimento do esporte apareçam novos espaços. A Fábrica Escalada (aberta em 2018 no Itaim Bibi - Zona Sul de São Paulo) trouxe mentalidade alinhada aos ginásios modernos estrangeiros).

Yahoo Esportes - Você tem algum ídolo no esporte ou na escalada?

Thais Makino - Admiro pessoas gentis e mitos como a Lynn Hill. A alpinista norte-americana é uma lenda viva e ao mesmo tempo uma pessoa muito simples (Hill é uma das maiores alpinistas do mundo dos anos 80 e 90). Célebre por escalar a mítica The Nose, no El Capitán, em Yosemite (EUA) com 1000 metros de extensão. Era difícil de ser escalada pelo grande teto e uma passagem intimidadora a 20 graus enfiada.

Yahoo Esportes - Que sensação traz a Escalada para quem a pratica seja ou não esportista?

Thais Makino - É oportunidade de estar com a natureza, de aprender a preservar o meio ambiente, além de competir, conhecer novas culturas. Mas trabalhar a mente, por exemplo, lidando com o medo.

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