Com ouro de Ana Marcela, natação brasileira chega a 17 medalhas em Olimpíadas

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*ARQUIVO* SANTOS, SP, BRASIL, 04-04-2017 - Nadadora Ana Marcela Cunha. (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)
*ARQUIVO* SANTOS, SP, BRASIL, 04-04-2017 - Nadadora Ana Marcela Cunha. (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a medalha de ouro conquistada por Ana Marcela Cunha, 29, na maratona aquática das Olimpíadas de Tóquio-2020, o Brasil chegou a 17 medalhas em provas de natação na história dos Jogos. São 2 ouros, 4 pratas e 11 bronzes.

A atleta baiana chegou ao Japão colecionando glórias em Mundiais e frustrações olímpicas. Anteriormente, ela havia sido seis vezes eleita a melhor nadadora da temporada em águas abertas. Em Campeonatos Mundiais, a prateleira de conquistas da nadadora é vasta: foram 11 medalhas conquistadas, com 5 ouros, 2 pratas e 4 bronzes.

No Mundial de Gwangju, na Coreia do Sul, em 2019, ela havia mostrado versatilidade para ficar com o título dos 5 km e 25 km. Mas ficou fora do pódio nos 10 km, a distância olímpica. Agora é justamente o ouro nesta prova em Mundiais o que falta em seu currículo. Anteriormente, ela ganhou uma prata (2013) e dois bronzes (2015 e 2017) nessa disputa.

Em Tóquio, outro nadador brasileiro que colecionava decepções em Olimpíadas pôde enfim subir ao pódio. Bruno Fratus perseguia uma medalha nos 50 m livre. Ele bateu na trave em Londres-2012, quando ficou em quarto lugar, a 0s02 de Cesar Cielo, que subiu ao pódio.

Quatro anos depois, no Rio de Janeiro, saiu da piscina visivelmente decepcionado com a sexta posição na final da prova.

Em Tóquio, finalmente sorriu. Em uma decisão que teve quebra do recorde olímpico de Cesar Cielo na distância, Fratus cravou 21s57 e ficou com o bronze. O ouro foi para o norte-americano Caeleb Dressel, que fez 21s07, e a prata ficou com o francês Florent Manaudou, que fez 21s55.

"Estava entalado desde 2011, quando foi o meu primeiro Mundial. Depois, em 2012, aquela Olimpíada 'do quase'. Depois do Rio principalmente... Foi um grito de 'finalmente medalhista olímpico, finalmente conquistei meu sonho que começou quando eu tinha 11 anos'", afirmou Fratus após a prova. "Não teria sido sem o apoio das pessoas, mas também não teria sido sem a palavra de quem duvidou."

A medalha mais inesperada destas Olimpíadas veio nos 200 m livre. Fernando Scheffer, 23, não estava entre os favoritos. Mas, na análise do nadador, a prova estava tão aberta que qualquer um tinha chance de subir ao pódio. E ele estava certo. Com o tempo de 1min44s66, o brasileiro conquistou o bronze na disputa. Foi o primeiro pódio do Brasil na natação em Tóquio.

"Só queria fazer a minha prova, colocar na água tudo o que treinei e nadar feliz. Parece que estou sonhando ainda", afirmou, após a coquista.

As medalhas de ouro e prata ficaram com os britânicos Tom Dean (1min44s22) e Duncan Scott (1min44s26), respectivamente.

O histórico de conquistas brasileiras na natação começou bem antes de Tóquio.

Nos Jogos de Helsinque-1952, o Brasil subiu ao pódio olímpico da modalidade pela primeira vez. Com ascendência japonesa, Tetsuo Okamoto, natural de Marília (SP), conquistou o bronze nos 1.500 m livre, a prova mais longa das piscinas. Na ocasião, ele bateu o recorde sul-americano nas eliminatórias (19min05s6) e na fnal (18min51s3), marca que duraria dez anos para ser batida.

Nos Jogos de Roma-1960, o Brasil estreou no pódio olímpico das provas de velocidade. Manoel dos Santos foi medalha de bronze nos 100 m livre, prova mais clássica da natação. Na final da prova, Manoel liderou a primeira metade, mas acabou sendo ultrapassado nos 50 metros finais.

A disputa foi vencida pelo australiano John Devitt, que marcou 55s2 (novo recorde olímpico), 0s2 à frente do brasileiro. A final também teve a participação do canadense Dick Pound, futuro presidente da Wada (Agência Mundial Antidoping), que chegou em sexto.

O Brasil só voltaria a pisar no pódio olímpico da natação 20 anos depois, no revezamento 4 x 200 m livre. A tarefa brasileira foi facilitada pelo boicote de vários países naquelas Olimpíadas, incluindo os Estados Unidos, maior potência das piscinas.

Uma nova geração de nadadores conduziu o país ao bronze na prova. A equipe brasileira era formada por Jorge Fernandes, Marcus Mattioli, Cyro Delgado e Djan Madruga.

Nos Jogos de Los Angeles-1984, a natação brasileira mostraria seu mais novo grande talento. Ricardo Prado chegou aos Jogos como campeão mundial dos 400 m medley e ex-recordista mundial da prova. Na final, Prado conquistou a prata, ficando atrás apenas do canadense Alex Baumann, que bateu o recorde mundial (4min17s41).

A geração seguinte de nadadores de ponta do país despontou na década de 1990. Gustavo Borges retomou a tradição brasileira em provas de velocidade ao conquistar a prata nos 100 m livre em Barcelona-1992. Na final, ele ficou atrás apenas do fenômeno russo Alexander Popov.

Quatro anos depois, em Atlanta-1996, Borges ganharia outra prata, nos 200 m livre, e também subiria ao pódio dos 100 m livre para receber o bronze.

Outro brasileiro também se destacou nas piscinas dos Estados Unidos. Fernando Scherer conquistou o bronze nos 50 m livre, prova mais veloz da natação, que havia estreado em Olimpíadas na edição de Seul-1988.

Em Sydney-2000, edição olímpica que sobrou decepção para o Time Brasil, a natação surpreendeu com o bronze no revezamento 4 x 100 m livre. O Brasil vivia uma transição de gerações e chegou à final com o quinto tempo. Não estava entre os favoritos. Mas, na decisão, os veteranos Fernando Scherer e Gustavo Borges tiveram a companhia de Carlos Jayme e Edvaldo Valério para subir ao pódio.

Após passar em branco em Atenas-2004, o brasil viu nascer seu maior talento das piscinas: Cesar Cielo, protagonista da natação em uma edição de Jogos Olímpicos que viu Michael Phelps se tornar o maior nadador da história com a conquista de oito ouros.

Cielo ganhou o bronze nos 100 m livre, mas a supresa veio dias depois, com o ouro nos 50 m livre, e o recorde olímpico. Era a primeira medalha de ouro da história da natação brasileira. Com o tempo de 21s30, ele superou os velocistas franceses Amaury Levaux (prata) e Alain Bernard (bronze). No ano seguinte ele se tornaria o recordista mundial dos 50 m livre (20s91) e 100 m livre (46s91), marcas ainda não batidas.

Em Londres-2012 o Brasil retornaria ao pódio olímpico dos 400 m medley com a prata de Thiago Pereira. O ouro ficou com o norte-americano Ryan Locht, mas o que chamou a atenção naquela final olímpica foi o fato de Michael Phelps terminar em quarto lugar e sem medalha.

Já Cesar Cielo voltou ao pódio olímpico dos 50 m livre, com a conquista do bronze. Ele só ficou atrás do francês Florent Manaudou e do norte-americano Cullen Jones. E dois centésimos à frente de outro brasileiro, Bruno Fratus.

Em casa, nos Jogos do Rio de Janeiro-2016, o Brasil passou em branco nas piscinas. Mas subiu pela primeira vez ao pódio na maratona aquática, prova disputada em águas abertas, que havia estreado em Pequim-2008.

Poliana Okimoto, que colecionava decepções olímpicas, terminou a prova de 10 km inicialmente em quarto lugar. Mas a segunda colocada, a francesa Aurelie Mullerm, acabou desclassificada, fazendo a brasileira ficar com o bronze.

Anteriormente, Poliana havia ficado em sétimo lugar na prova em Pequim-2008. Quatro anos depois, em Londres, a brasileira passou mal e não conseguiu completar. Teve depressão e pensou em abandonar o esporte. Acabou convencida pelo marido e treinador, Ricardo Cintra, a continuar nas águas. Quatro anos depois, recebeu o prêmio pela persistência.

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