Com mais opções ofensivas em boa fase, Brasil depende menos de Neymar

*ARQUIVO* DOHA, QATAR, 21.11.2022: Tite  - Treino da seleção brasileira no estádio Grand Hotel. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
*ARQUIVO* DOHA, QATAR, 21.11.2022: Tite - Treino da seleção brasileira no estádio Grand Hotel. (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)

DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) - Tite se irritou na conferência de imprensa após a vitória por 2 a 0 sobre a Sérvia, na última quinta-feira (24). Ele não gostou de ouvir pergunta sobre a continuidade de Neymar na Copa do Mundo. Disse, repetidas vezes, que o atacante vai atuar novamente no Mundial do Qatar.

O atacante sofreu lesão no ligamento do tornozelo direito e deve voltar à equipe apenas nas oitavas de final. Nesta segunda-feira (28), a seleção faz seu segundo jogo. Enfrenta a Suíça e, se vencer, garante a classificação. Isso deve dar maior tranquilidade para a comissão técnica esperar pelo camisa 10.

"Hoje [quinta] se tornou um dos momentos mais difíceis da minha carreira... e de novo em uma copa do mundo. Tenho lesão sim, é chata, vai doer mas eu tenho certeza que vou ter a chance de voltar porque eu farei o possível pra ajudar meu país, meus companheiros e a mim mesmo", escreveu o atacante em sua conta no Instagram.

Lesionado nas quartas de final em 2014, diante da Colômbia, ele sofreu fissura em um metatarso do pé direito a quatro meses do torneio de 2018. E o novo problema físico traz a lembrança do quanto a equipe depende do seu camisa 10. Isso, no passado, era uma constatação mais fácil de ser feita do que hoje em dia.

"É inevitável, falando de Neymar, um jogador excepcional, dos melhores do mundo, lamentar que não vai estar no próximo jogo. Porém, temos jogadores de qualidade. Se for comparar com o Neymar, claro que vai ser difícil um jogador do nível dele. Temos jogadores para repor sua posição, de qualidade", disse Casemiro neste sábado (26).

Na quantidade de títulos e nos números, é possível constatar que, se nenhuma equipe se torna melhor tecnicamente sem Neymar, a seleção não o tem mais como astro solitário no ataque como foi no passado.

Sem Neymar, lesionado, o Brasil venceu a Copa América de 2019. Ele não foi convocado para a campanha que terminou com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano passado. Com o camisa 10 em campo, o time perdeu a final da Copa América de 2021 para a Argentina.

Fora de quase 30% dos jogos no ciclo da Copa do Mundo de 2022, Neymar foi muito importante, mas não tanto quando no período 2014-2018. Uma campanha nas eliminatórias que levou a seleção ao Qatar com 45 pontos, recorde do formato atual estipulado pela Conmebol.

Na estreia contra a Sérvia, Neymar teve atuação apagada, apesar dos protestos dos seus companheiros quando questionados sobre o assunto.

"Não achei isso, não.", respondeu Antony.

Tite lembrou que, mesmo contundido, ele permaneceu em campo por mais de 10 minutos para ajudar a equipe. Foi Richarlison quem fez os gols que garantiram os três pontos.

"Ele cheira gol. Busca o gol, está sempre querendo fazer o gol. Até brinco que ele é um pouco fominha, mas é bom para nós. É um grande jogador", disse Casemiro sobre o artilheiro da primeira partida.

Tite aproveitou o aumento do número de inscritos (de 23 para 26) e reforçou as opções ofensivas. Não tinha em mente qualquer problema de Neymar, mas tem as opções para que a ausência do seu principal jogador seja mitigada contra Suíça e Camarões. Quase todos estão em boa fase em seus clubes na Europa ou no Brasil --no caso de Pedro.

Antes mesmo de apresentar a lista, ele já dizia ser possível uma disputa por lugar no ataque titular. Não ter o camisa 10 vai acirrá-la.

"Eu não os convoquei. Eles se convocaram", resumiu o comandante.

O favorito para entrar no time é Rodrygo que, como Neymar, foi formado pelo Santos e vindo de uma temporada em que foi decisivo para a conquista da Champions League pelo Real Madrid.

O aproveitamento da seleção é maior com Neymar do que sem ele. São 85% de aproveitamento de pontos com a presença do craque. Sem ele, são 73,7%. Mas a diferença foi maior em ciclos anteriores. No ciclo de 2014 a 2018, quando não teve o camisa 10, o Brasil teve aproveitamento de 68,7%.