Com Lodi em grande fase, Brasil recupera sua tradicional força na lateral-esquerda

Louis GENOT
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Renan Lodi, jogador do Atlético de Madrid, em ação durante uma partida da Champions League entre sua equipe e o Lokomotiv em Moscou no dia 3 de novembro de 2020
Renan Lodi, jogador do Atlético de Madrid, em ação durante uma partida da Champions League entre sua equipe e o Lokomotiv em Moscou no dia 3 de novembro de 2020

Aproveitando o declínio de Marcelo, Renan Lodi conquistou um lugar seguro na seleção brasileira. A parceria com Neymar faz maravilhas pelo lado esquerdo e agrada os saudosos de Roberto Carlos.

Com apenas 22 anos, o lateral se adaptou ao futebol europeu e ao rigor tático de Diego Simeone na primeira temporada no Atlético de Madrid. E será uma carta na manga do técnico Tite nos duros duelos das eliminatórias sul-americanas que o Brasil fará contra a Venezuela e o Uruguai.

Contratado pelo clube de Madri para compensar as saídas do compatriota Filipe Luís e do francês Lucas Hernández, Lodi é hoje uma peça-chave na melhor defesa do campeonato espanhol.

Revelado no Athletico Paranaense, o jovem precisou de apenas cinco partidas pela seleção brasileira, três delas como titular, para se consolidar como titular da lateral-esquerda.

Lodi teve atuações de alto nível no mês passado, durante as duas primeiras rodadas das eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo do Catar-2022, contra Bolívia (5-0) e Peru (4-2).

Contra os bolivianos, Lodi mostrou toda a sua classe no segundo gol: tabelinha com Neymar e cruzamento para Firmino, que só precisou empurrar a bola para o fundo da rede.

- Mais ofensivo na Seleção -

Mais livre para atacar na seleção do que em seu clube, ele se beneficia do sacrifício defensivo de Douglas Luiz, escalado no meio-campo para apoiar suas subidas ofensivas fazendo uma dupla de volantes com Casemiro - desfalque da equipe após testar positivo para covid-19 - que tem sido eficiente para Tite.

Suas aventuras no ataque são tão constantes que Lodi joga grande parte do tempo como ponta, permitindo que Neymar se desloque para o centro e comande as ações ofensivas do Brasil.

Pela direita, Danilo compensa com um perfil bem mais defensivo a ausência do veterano Daniel Alves, que não foi convocado para as eliminatórias, mas ainda sonha em disputar sua terceira Copa do Mundo em 2022, quando terá 39 anos.

A ausência do lesionado Neymar contra a Venezuela, na sexta-feira em São Paulo, será uma prova de fogo para um jogador que, por enquanto, mostra ser um bom lateral, em um país com fama de produzir os maiores na posição: Cafu, Carlos Alberto, Roberto Carlos, Dani Alves, Marcelo e muitos outros.

O astro do PSG pode reaparecer contra o forte Uruguai, na próxima terça-feira, em Montevidéu, para se juntar a Lodi em um árduo trabalho de penetração na sempre dura defesa uruguaia.

Porém, contra a 'Vinotinto' e a 'Celeste' o Brasil não terá Philippe Coutinho, mais um grande nome do explosivo lado esquerdo da Seleção.

Tite parece despreocupado, já que valoriza a versatilidade de seu novo lateral-esquerdo.

"Contra a Bolívia estava jogando muito na frente, alongando o jogo e criando espaços para o Neymar, Coutinho e Firmino no meio de campo. Mas cada partida é diferente e poderia até jogar mais atrás, como no Atlético", disse recentemente o treinador.

- Sem medo -

O comentarista da ESPN Brasil Gustavo Hofman afirma que Lodi "faz a diferença" por sua técnica e qualidade com a bola.

"Mas também joga muito bem sem a bola, aprendeu muito defensiva e taticamente graças ao Simeone, fecha bem os espaços", explicou à AFP.

"Aprendi muitas coisas com ele, especialmente a ler melhor o jogo", diz Lodi.

Um presente que caiu do céu para Tite, que vê seu desabrochar no melhor momento. Marcelo, com 32 anos, é apenas uma sombra de si mesmo e Alex Sandro nunca conseguiu se consolidar como um substituto à altura.

O único que pode ofuscá-lo é Alex Telles, de 27 anos, recém-chegado ao Manchester United vindo do Porto e também convocado para os dois jogos, embora seja dúvida depois de ter sido infectado pelo novo coronavírus.

Lodi "não é titular indiscutível da Seleção', como são Neymar ou Alisson, mas hoje é claramente o melhor do Brasil em sua posição", acrescenta Hofman.

O jogador do Atlético de Madrid sabe que seus ombros carregam um grande peso, o da grandeza mundialmente reconhecida de Roberto Carlos e Marcelo. E, no entanto, não tem medo diante de um desafio tão grande.

"Tento usá-los como exemplo e traçar meu caminho. Sei que existe muita pressão na Seleção e que é preciso personalidade, não ter medo de nada", afirma. Venezuela e Uruguai vão colocar à prova seus nervos de aço.

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