Com eleições em abril, Chile começa a vacinar mesários contra covid-19

Anita Efraim
·6 minuto de leitura
  • Chile vai começar a vacinar mesários

  • País terá eleições em 10 e 11 de abril para eleger assembleia constituinte

  • Chile tem usado Coronavac para ampla vacinação

Nos dias 10 e 11 de abril, os chilenos vão às urnas para eleger a assembleia constituinte que será responsável por escrever a nova Carta Magna do país. Por isso, a partir de 22 de março, o Chile vai começar a imunizar os mesários contra a covid-19.

Segundo o calendário de vacinação, na segunda-feira (22), serão vacinados mesários de 51 a 56 anos. Até o fim da semana, todos mesários com mais de 18 anos terão recebido a primeira dose da vacina.

Durante o fim de semana, o estado divulgará a lista das pessoas convocadas para trabalhar durante o pleito.

“São mais de 44 mil mesas, com aproximadamente 5 mesários, portanto, são 220 mesários que teríamos que vacinar. Mas achamos que vários deles já se vacinaram. A medida vale para os mesários que ainda não foram vacinas por idade ou comorbidade”, explicou o ministro da Saúde, Enrique Paris.

No entanto, com a imunização na próxima semana, os mesários não terão recebido a segunda dose a tempo do pleito. A Coronavac, vacina mais usada no Chile, deve ter a segunda dose aplicada três semanas após a primeira. Os mesários receberão a primeira duas semanas antes da votação.

Calendário de vacinação no Chile entre 22 e 26 de março inclui mesários, profissionais de apoio das eleições, trabalhadores do transporte público e pessoas entre 58 e 59 anos (Foto: Reprodução)
Calendário de vacinação no Chile entre 22 e 26 de março inclui mesários, profissionais de apoio das eleições, trabalhadores do transporte público e pessoas entre 58 e 59 anos (Foto: Reprodução)

Segundo os estudos clínicos feitos no Chile, após a primeira dose, a vacina dá proteção de 50%. Com as duas doses, a proteção é de 90%.

Além dos mesários, também serão vacinados entre os dias 22 e 26 mães, pais e cuidadores de crianças com doenças imunológicas, trabalhadores do transporte público e pessoas entre 59 e 57 anos. Todos os chilenos com mais de 60 anos, além de profissionais da educação e da saúde, já foram vacinados.

Nova constituição chilena

Em outubro, os chilenos votaram em um plebiscito para definir se o país teria, ou não, uma nova constituição. Até hoje, a Carta Magna em vigor no país foi redigida durante a ditadura militar de Augusto Pinochet.

Na votação, 78,27% da população optou pela aprovação de uma nova Constituição para o país.

Ao votar, os chilenos receberam duas cédulas, uma para votar “apruebo” ou “rechazo” e outra para definir qual seria o modelo da assembleia constituinte. As opções eram “convenção constitucional mixta”, formada por representantes do povo e parlamentares, ou “convenção constitucional”, que teria apenas a participação popular. A segunda opção ganhou com 78,99% dos votos.

Independente da opção, ficou determinado que a assembleia que escreverá a nova Carta Magna será igualitária, ou seja, 50% dos integrantes serão homens e os outros, 50% mulheres.

Agora, o país viverá duas novas votações. A primeira será nos dias 10 e 11 de abril, para eleger esses representantes. A outra será em até 12 meses depois, para aprovar, ou não, o novo texto redigido pela assembleia constituinte.

Quem pode se candidatar

A assembleia constituinte será formada por 155 pessoas e será igualitária entre os gêneros. Com número ímpar, a maior disparidade permitida é de um homem ou uma mulher a mais. Ainda será discutido se haverá, ou não, um número de vagas reservadas para os povos originários do país.

Os eleitos serão escolhidos por distritos e os representantes de cada lugar podem varias de 3 a 8, a depender de quantas comunas estejam dentro de cada distrito. A assembleia terá um presidente e um vice-presidente e os termos terão de ser aprovados por 2/3 dos membros.

Para se candidatar, os requisitos são: ter mais de 18 anos, não ter antecedentes criminais, renunciar ao cargo de trabalho atual. Os escolhidos não poderão se candidatar a outros postos de eleição popular até um ano depois do fim da constituinte.

O valor pago a cada um dos membros da assembleia é bastante alto, se comparado com a realidade do país: 2,5 milhões de pesos chilenos, equivalente a R$ 18 mil. O salário mínimo no país é de R$ 300 mil.

Terceira votação

A assembleia constituinte terá nove meses para escrever o novo texto. O prazo é prorrogável por mais três meses. Depois de 60 dias do fim dos trabalhos, a proposta será votada pela população e, neste caso, o sufrágio será obrigatório. A expectativa é de que a votação aconteça em 2022.

Para que o texto seja aprovado, é necessário ter maioria simples, ou seja, 50% + 1. Em caso de rejeição da nova constituição, volta à vigência a carga de 1980, do governo de Augusto Pinochet. Então, caberá ao presidente do Chile escolher se haverá, ou não, mudanças.

Vacinação no Chile

Nesta terça-feira (15), o Chile ultrapassou a marca de 5 milhões de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose da vacina contra covid-19. Mais de 2 milhões de chilenos foram imunizados com as duas doses e o país soma 8 milhões de aplicações de vacinas.

O Chile tem cerca de 19 milhões de habitantes. Dessa forma, 34% da população já recebeu pelo menos uma dose da vacina. O número de pessoas no país representa 8,6% da população brasileira.

O que há em comum entre os dois países e a vacina aplicada: a Coronavac. Enquanto no Brasil o imunizante é produzido a partir de uma parceria entre Instituto Butantan e Sinovac, o Chile está importando doses diretamente da China. O país recebeu cerca de 10 milhões de vacinas. Além disso, há também vacinas da Pfizer, que chegam em menor quantidade e somam cerca de um milhão de doses.

A promessa do governo chileno era vacinar 5 milhões de pessoas, ou seja, o grupo de risco, até o fim de março. O objetivo foi cumprido 15 dias antes do previsto. A previsão é vacinar 15 milhões de pessoas, o público apto a ser imunizado, até 30 de junho.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, tem 71 anos e já recebeu as duas doses da vacina.

Organização do calendário

Antes mesmo da vacinação em massa começar, quando havia ainda poucas doses da Pfizer, o Chile começou a imunização de profissionais da Saúde. Esses foram os primeiros vacinados no país e somam mais de 600 mil pessoas.

Quando o programa mais amplo de vacinação começou, o Chile organizou a imunização por faixas etárias. A cada semana, uma faixa etária foi vacinada progressivamente, com idades diminuindo a cada dia da semana.

Depois de vacinar todas as pessoas com mais de 60 anos, foram vacinados os profissionais da educação. A classe incluiu professores, assistentes e também pessoas que trabalham com a alimentação em escolas. Todos já foram vacinados e somam 320 mil pessoas.

Na semana de 15 a 19 de março, estão sendo vacinadas pessoas entre 45 e 16 anos com doenças crônicas e pessoas com deficiência.