Com dez anos de acordo, Arábia Saudita tem poder de vetar qualquer outra corrida da FE no Oriente Médio

Redação GP
Grande Prêmio

O enorme acordo de dez anos de duração que vai fazer da Arábia Saudita a abertura das próximas temporadas da Fórmula E fica maior a cada vez que alguém fala no assunto. A mais nova informação sobre o acordo é que o país monárquico tem poder do veto para definir sobre outras possíveis corridas realizadas no Oriente Médio.

O promotor do eP de Riad - que será realizada na verdade na cidade de Ad Diriyah -, Carlo Butagy, confirmou que o acordo da FE com a Arábia Saudita é de exclusividade. Qualquer outro país da região que tiver interesse em receber a FE terá que pedir permissão.

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"[A Arábia Saudita] tem o direito de veto, então qualquer outro país que quiser sediar uma corrida precisa falar com eles primeiro", confirmou ao site inglês 'E-Racing365'. 

"Por enquanto, a corrida será em Ad Diriyah, e estamos orgulhosos com essa localidade, porque contamos com a herança da cidade. Aliás, é protegida pela UNESCO como lugar de herança internacional. É a capital antiga do país antes de passar para Riad. Trabalhei muito duro ao lado de Alejandro [Agag, diretor-geral da FE] para ter certeza de que organizássemos uma corrida aqui, não para outros países vizinhos", disse.

Felipe Massa e a Venturi representaram a FE na Arábia Saudita (Foto: Venturi)


Butagy destacou também que o acordo de dez anos foi uma exigência do governo saudita para que pudesse servir de modelo para a reforma cultural que o país tem trabalhado para avançar. 

"Nós fizemos um esforço para manter os dois lados felizes e, após mais ou menos cinco meses de negociações, fechamos o acordo. Fomos e voltamos umas oito vezes", contou. "A primeira reunião aconteceu em 14 de dezembro, depois fizemos várias propostas e apresentações, ofertas e contra-ofertas, até que assinamos o contrato e fizemos o anúncio em 5 de maio, em Berlim. É um contrato de dez anos, é a visão deles", explicou.

"Fizemos uma proposta de três anos com opção de renovar por mais três. Eles responderam que aceitariam, mas apenas se fosse num prazo mais longo, porque que era parte o plano Vision 2030 que eles têm", seguiu.

Entre as exigências da Fórmula E para fechar o acordo, esteve que o país facilitaria a entrada de turistas no período da corrida. Um novo processo para receber o visto de entrada foi aprovado, e shows de música também estão nos planos para a prova. 

A cidade de Riad (Foto: Reprodução/Twitter)


"Turistas serão bem recebidos no país pela primeira vez na história, porque antes o país sempre foi fechado para quase tudo, tirando negócios. Vai haver muita atividade em dezembro organizadas pelas autoridades culturais. Também vamos ter grandes shows de nomes importantes, que serão anunciados logo. Vai ser o primeiro tipo de show ligado a uma corrida da FE. É significativo", afirmou.

"É possível comprar seu ingresso online, reservar seu hotel e voo e conseguir seu visto de entrada. Tenho dez anos de história na F1, onde criei as fan zones, que são parecidas ao que estamos fazendo agora na FE, mas só que aqui estamos fazendo numa escala muito maior", encerrou.

Apesar das maravilhas ditas por quem é ligado à FE, chama atenção de que a dois meses da corrida, marcada para 15 de dezembro, os tais "grandes nomes" da música não tenham sido sequer ventilados. País conhecido internacionalmente como violador dos direitos humanos, a Arábia Saudita não tem tanta facilidade em atrair grandes nomes internacionais da cultura, apesar do dinheiro quase infinito.

Na última semana, o jornalistas Jamal Khashoggi desapareceu após entrar no consulado saudita na Turquia. Khashoggi, antigo crítico do regime saudita, havia se afastado do país exatamente por temer pela própria liberdade. A suspeita internacional é de que ele tenha sido assassinado dentro do consulado. 

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