Com Covid acelerada no Brasileiro, médico da CBF diz que clubes relaxaram

CARLOS PETROCILO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em meio a uma escalada de casos de coronavírus entre os times do Campeonato Brasileiro, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) deverá apresentar um relatório até sexta-feira (20) com sua defesa de que não há evidências de contaminação entre atletas durante a realização das partidas. Segundo levantamento do site ge.globo, nesta quarta-feira (18) 55 atletas de 10 equipes da Série A estão afastados por Covid-19. Na semana passada, eram 43. O Palmeiras, com 15, lidera a estatística. O protocolo da confederação para lidar com a doença voltou a ser questionado após o Atlético-MG confirmar em uma segunda bateria de exames mais cinco casos de jogadores infectados antes do seu jogo contra Athletico, às 19h desta quarta. Como a exigência estabelecida pela entidade é de pelo menos um exame com 72 horas de antecedência do duelo, esses cinco casos poderiam ter passado despercebidos sem os novos testes feitos por iniciativa do clube, e os atletas entrariam em campo contaminados. Para o médico Jorge Pagura, coordenador médico da CBF, os novos casos refletem o que tem ocorrido na sociedade, como o aumento no número de pessoas circulando em espaços públicos e privados. “Cabe a cada clube se policiar, orientar seus jogadores, comissão técnica. Houve um relaxamento no país, no futebol também. Tem times que viajavam de voo fretado e trocaram para o de carreira. Se bobear, vamos pegar a doença”, disse Pagura à reportagem. Na sua opinião, cabe aos times orientarem seus funcionários a cumprirem normas restritivas em tempos de pandemia. “Vamos apresentar o estudo, atualizado até a 19ª rodada do Campeonato Brasileiro, no qual mostra que fizemos em mais de 100 mil horas de jogo 45 mil testes [em todas as séries] e não temos evidência de contaminação dentro de campo. Mas estamos vendo praias cheias, shoppings, restaurantes, churrascos, baladinhas lotados”, afirmou o médico. Segundo ele, o rastreamento feito pela CBF leva em consideração o histórico dos atletas durante o período de incubação, que é o tempo para que os primeiros sintomas apareçam. Não há um consenso sobre o período, que tipicamente dura de quatro a cinco dias, mas pode se prolongar por até 14 dias ou ainda mais tempo, em casos raros. Como exemplo desse monitoramento, o médico citou casos como o do próprio Atlético-MG e do Santos, que contra o Internacional, no sábado (14), teve o desfalques de dez atletas e do técnico Cuca, todos com a doença. Pagura afirma que a equipe do Red Bull Bragantino, que havia sido adversária dos santistas no último dia 8, foi monitorada por dez dias e não apresentou nenhum caso de infecção. O Atlético-MG receberá o Athletico nesta quarta-feira com 25 pessoas infectadas e afastadas, entre as quais estão funcionários, atletas e o técnico Jorge Sampaoli. O último compromisso do time foi no sábado (14), vitória sobre o Corinthians por 2 a 1, na Neo Química Arena. "Estamos mapeando desde o time do Flamengo [adversário dos mineiros no dia 8 de novembro] e não há nenhum caso nesses dois elencos [Corinthians e a equipe carioca] até o momento”, afirmou Pagura. “O Corinthians tem dois jogadores, o Jô e o Mateus Vital, que já estavam diagnosticados com a doença [antes da partida]. Agora vamos seguir o Corinthians por dez dias.” Segundo Pagura, não há nenhuma reunião prevista para revisão do protocolo da CBF, nem mesmo uma conversa informal pelo grupo de WhatsApp composto por médicos da entidade e dos clubes. “O protocolo diz que os profissionais devem ser testados com 72 horas de antecedência. Não cabe mudar o protocolo por causa do que ocorreu com esse ou aquele clube”, afirmou.