Com boas recordações, Botafogo busca acabar com tabu na Colômbia

Às 21h45 desta quinta-feira (13), contra o Atlético Nacional, o Botafogo vai em busca de mais uma vitória na Taça Libertadores. Mas também entra em campo para acabar com um tabu que já dura mais de duas décadas: há 24 anos o Glorioso não ganha um jogo oficial longe do Brasil. A boa notícia, no entanto, vem em dose dupla: o retrospecto histórico contra o adversário desta noite é excelente, e na última vez que triunfou longe de casa o Alvinegro terminou com título continental.

No dia 26 de agosto de 1993, o Botafogo venceu o Caracas por 1 a 0 em partida válida pelas quartas de final da Copa Conmebol [equivalente à atual Sul-Americana]. Cerca de um mês depois, a equipe treinada à época por Carlos Alberto Torres conquistaria o troféu dentro do Maracanã ao vencer o Peñarol nos pênaltis.

GFX Botafogo 1993

Só que desde então, a equipe de General Severiano passou a somar amargores longe de casa. Em 17 partidas, foram 13 derrotas e quatro empates; 33 gols sofridos e somente 14 anotados. Mas se o histórico recente é terrível quando atua, oficialmente, longe do Brasil, votando mais décadas no tempo o Botafogo pode buscar uma inspiração e tanta!

Em cinco partidas disputadas contra o Atlético Nacional, o Botafogo nunca saiu derrotado: são três vitórias e dois empates. O primeiro confronto terminou até em título para o Glorioso, em 1954, na Taça Brasil-Colômbia. Em partida disputada no mesmo estádio que receberá as equipes nesta quinta-feira (13), o Atanásio Girardot, Quarentinha e Garrincha [dois monstros sagrados da história alvinegra, e que também defenderam times da Colômbia no final de suas respectivas carreiras] fizeram os gols na vitória por 2 a 1 que rendeu ao time carioca a taça do certame amistoso.

No segundo confronto, ainda em 1954, outra vitória botafoguense: 3 a 1 (Neyvaldo, Carlyle e Quarentinha estufaram as redes pelos cariocas). A última vitória do Glorioso aconteceu em 1958, quando o meia Edson deixou sua marca duas vezes no triunfo por 2 a 1. Em 1964 e 1971, empates respectivamente por 3 a 3 e 1 a 1.

Histórico de ídolos no futebol colombiano

GFX Heleno Quarentinha Garrincha Atletico Junior Colombia 13 04 2017

Além dos bons números contra os ‘Verdolagas’, um laço que une o Botafogo com a Colômbia é o número de grandes ídolos que atuaram no país. Três jogadores marcantes da história alvinegra defenderam clubes colombianos: Heleno de Freitas, Quarentinha e Garrincha.

Considerado o primeiro grande ídolo da história alvinegra, Heleno de Freitas era famoso tanto pela qualidade como goleador quanto pelo comportamento irascível. Já apresentando alguns sinais graves da sífilis que acabaria por culminar seu falecimento, em um hospício em Barbacena-MG, o atacante defendeu o Junior de Barranquilla entre 1949 e 1950. Apesar de já não ser o artilheiro de outrora, sua passagem foi tão marcante que Heleno virou estátua no estádio do clube, além de personagem constante nas crônicas de Gabriel García Márquez.

Maior artilheiro da história do Botafogo [313 gols], Quarentinha teve mais sucesso: o atacante defendeu as camisas do Unión Magdalena, Deportivo Cali e o Júnior de Barranquilla. Entre 1965 e 1967, foram 63 tentos anotados.

Em 1968, Garrincha assinou contrato para disputar apenas um jogo pelo Júnior Barranquilla. Já no final de sua carreira, o maior camisa 7 da história do futebol brasileiro não fez muita coisa em campo: o time perdeu por 2 a 1 para o Santa Fé.

Mesmo assim, a sua simples presença fez a alegria dos torcedores e fortaleceu ainda mais o carinho que os colombianos sentem pelo futebol brasileiro. Não à toa, assim que a atual delegação desembarcou no país, o Glorioso foi recebido por crianças de uma escolinha de futebol chamada... Botafogo!