Com a explosão de lesões, por que os jogadores da NBA iriam a Tóquio?

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LOS ANGELES, CALIFORNIA - APRIL 01: Kawhi Leonard #2 of the LA Clippers handles the ball against Nikola Jokic #15 of the Denver Nuggets in the second half at Staples Center on April 01, 2021 in Los Angeles, California. NOTE TO USER: User expressly acknowledges and agrees that, by downloading and or using this photograph, User is consenting to the terms and conditions of the Getty Images License Agreement. (Photo by Meg Oliphant/Getty Images)
Nikola Jokic é ausência confirmada em Tóquio. Kawhi Leonard também deve ser (Meg Oliphant/Getty Images)

Por Dan Wetzel, do Yahoo Sports 

Kawhi Leonard está lesionado, e talvez seja grave. Kyrie Irving e James Harden estão no mesmo barco; Mike Conley e Anthony Davis também. Jaylen Brown, John Wall, Spencer Dinwiddie, Donovan Mitchell e até o indestrutível LeBron James passaram por isso nessa temporada.

E a lista não acaba aí.

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Alguém tem uma ideia de quem será o próximo?

A temporada atual da NBA, especialmente os playoffs, está se notabilizando pelas lesões — que vem atingindo das maiores estrelas aos coadjuvantes. O time que vier a ser campeão não vai vencer só um campeonato de basquete, mas também uma guerra física.

Cada caso tem suas particularidades, mas pode-se deduzir que as mudanças de calendário impostas pela COVID contribuíram (e muito) para essa situação.

Atualmente, os benefícios do descanso – mesmo que pela ampliação das offseasons, com controle de carga que permite reduzir minutos de jogo e número de partidas — vêm se tornando regra na ciência moderna dos exercícios. Não só porque todo atleta tem um limite de desgaste, mas também porque a fadiga pode levar a lesões recorrentes e prolongadas.

A suspensão da NBA na primavera de 2020 concentrou tudo em um calendário mais curto. Os playoffs de 2021 estão acontecendo em meados de julho, mas a temporada regular de 2021-2022 vai começar, como sempre, em outubro. Então, o intervalo entre as duas temporadas também vai ser mais curto que o normal.

Essa realidade suscita uma pergunta importante: por que, então, algum jogador da NBA iria para Tóquio, entre 23 de julho de 9 de agosto, para participar dos Jogos Olímpicos?

Na quarta-feira, o MVP da NBA, Nikola Jokic, anunciou sua ausência da seleção da Sérvia, para alegria do Denver Nuggets. A última coisa de que a equipe precisa é perder o talento do gigante de 26 anos por fadiga e risco de lesão acumulados durante os Jogos Olímpicos — até a maior probabilidade de contusão na próxima temporada é motivo suficiente para a desistência.

É possível que Jokic seja o primeiro de muitos. LeBron, que integrou três seleções campeãs, não vai jogar pelos Estados Unidos. Anthony Davis também não deve jogar. Stephen Curry já desistiu de jogar. Vamos acompanhando.

LOS ANGELES, CA - MAY 19: Stephen Curry #30 of the Golden State Warriors goes up for a layup against Dennis Schroder #17 of the Los Angeles Lakers during the first half of an NBA Tournament Play-In game at Staples Center on May 19, 2021 in Los Angeles, California. NOTE TO USER: User expressly acknowledges and agrees that, by downloading and or using this photograph, User is consenting to the terms and conditions of the Getty Images License Agreement. (Photo by Kevork Djansezian/Getty Images)
Stephen Curry será desfalque para a seleção americana em Tóquio (Kevork Djansezian/Getty Images)

De qualquer forma, está claro que as Olimpíadas não têm muitos atrativos para os jogadores.

Não chega a surpreender.

Os jogadores ganham dezenas de milhões de dólares para jogar na NBA. O Comitê Olímpico Internacional, por outro lado, não paga nada e oferece apenas uma vitrine mundial. Mesmo que o Comitê oferecesse alguma remuneração, seria irrisória em comparação com o salário pago pelos times da maior liga de basquete do mundo.

É verdade que empresas como Nike e Adidas gostam de ver suas estrelas jogando e ganhando visibilidade em novos mercados, mas esse também é um trabalho paralelo. A NBA sempre viu os Jogos Olímpicos como um modo de expandir seu produto principal, o que funcionou, e não só por conquistar fãs ao redor do mundo: vendo o Dream Team americano de 1992 e os últimos MVPs da NBA, que não eram americanos (Jokic e o grego Giannis Ante Antetokounmpo), pode-se perceber que o sucesso extrapolou o simples aumento de público.

Mas o que normalmente é um exercício promocional praticamente sem risco não pode ser encarado assim neste verão.

Seria quase loucura uma estrela da NBA se expor dessa forma. Com certeza, nenhum jogador que chegue às finais de conferência ou às finais da NBA (que se estendem até julho) deve ir — com isso, já eliminamos Leonard, Chris Paul, Devin Booker e outros.

Talvez jogadores mais jovens derrotados no início dos playoffs ou antes, como Zion Williamson e Ja Morant, que tiveram uma pausa maior – e provavelmente também terão depois dos Jogos Olímpicos –, possam correr esse risco.

Mas a lista de contundidos dos playoffs desta temporada gera incerteza até nisso.

As finais da NBA costumam terminar, no máximo, até o Dia dos Pais. Com isso, normalmente os jogadores envolvidos têm um mês de descanso antes dos Jogos Olímpicos e mais quatro meses até o começo da temporada regular seguinte da NBA.

Hoje, tudo ainda está muito confuso. Depois de a COVID suspender a temporada 2019-20 até a última primavera, a liga se reuniu novamente em uma bolha em Orlando, em julho, e terminou os playoffs em 11 de outubro, quando James e Davis levaram o Los Angeles Lakers ao título.

A temporada regular de 2020-21 começou em 22 de dezembro – dando apenas 10 semanas de intervalo para os times finalistas de Los Angeles e Miami (talvez a eliminação de ambas as equipes na primeira rodada nesta temporada não tenha sido uma coincidência).

Esses playoffs vão acabar em algum dia de meados de julho, o que vai reduzir o intervalo entre temporadas em cerca de um mês, já que a campanha de 2021-22 deve retomar o calendário tradicional da NBA.

Qual time quer que seus jogadores participem dos Jogos Olímpicos nessas circunstâncias?

Soma-se a isso as restrições importantes devido à COVID no Japão, onde a pandemia ainda preocupa. Não parece que há muitos argumentos convincentes para atrair os grandes jogadores.

Jokic é o maior nome até agora. A Sérvia ganhou a medalha de prata no Rio de Janeiro, perdendo para a equipe dos Estados Unidos, em um jogo relativamente fácil. Mas certamente teremos mais desistências. Ainda não se sabe como a equipe americana virá com o técnico Gregg Popovich. Os Estados Unidos continuam sendo a favorita ao título pela quantidade de talentos e a probabilidade de que outros países sofram vários desfalques importantes.

Por isso, estes Jogos Olímpicos podem ser bem atípicos, contando jogadores menos relevantes e desconhecidos que não chegam perto de ser o Dream Team de qualquer país.

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