Colapso sanitário, recorde de mortes no Brasil e troca de ministro da Saúde: as notícias da semana

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Brasil volta a registrar recordes diários de morte

O Brasil registrou 2.815 novas mortes pelo novo coronavírus e 90.570 casos da doença nesta sexta (18). Com isso, o total de mortos chegou a 290.314 e o de casos a 11.871.390, de acordo com o painel atualizado pelo Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde), um sistema próprio de informações que reúne dados de contaminados e de óbitos em contagem paralela à do governo.

O número de 2.815 mortes em um período de 24 horas é a segunda maior marca da pandemia até aqui, já que na última terça (16) foram registrados 2.841 óbitos.

Já o número de casos confirmados, com 90.570 registrados, é a maior marca desde o início da pandemia. Até então, o máximo de ocorrências em um período de 24 horas era de 90.303, na última quarta (17).

Na quinta (18), o país tinha 287.499 mortes e 11.780.820 casos confirmados de Covid-19, de acordo com o conselho.

Prezando pela confiabilidade nas informações, o Yahoo Brasil passou a adotar como padrão, desde 8 de junho, os dados estatísticos divulgados pelas secretarias estaduais de Saúde através do Conass, e não mais os números apresentados pelo Ministério da Saúde.

Bolsonaro escolhe novo ministro da Saúde: Marcelo Queiroga

O presidente Jair Bolsonaro escolheu nesta semana o médico Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, para substituir Eduardo Pazuello como ministro da Saúde.

A confirmação de Queiroga para ocupar o cargo veio do próprio presidente em papo rápido com apoiadores na saída do Palácio do Planalto. A decisão foi publicada na terça-feira (16) no Diário Oficial da União.

"Foi decidido agora à tarde [na segunda-feira] a indicação do médico, doutor Marcelo Queiroga, para o Ministério da Saúde. Ele é presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. A conversa foi excelente, já conhecia há alguns anos, então não é uma pessoa que tomei conhecimento há poucos dias. Tem tudo no meu entender para fazer um bom trabalho, dando prosseguimento em tudo que o Pazuello fez até hoje", afirmou Bolsonaro.

Quarto ministro em meio à pandemia

Chama a atenção na troca na qual Queiroga entrará no lugar do atual ministro, Eduardo Pazuello, que este será o quarto ministro da saúde no governo Bolsonaro, tendo todas as trocas acontecido em meio à pandemia.

Já foram ministros da Saúde no governo Bolsonaro:

  • Ex-deputado Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS)

  • Médico Nelson Teich

  • General do Exército Eduardo Pazuello

A escolha por Queiroga foi feita na tarde desta segunda-feira (15) após reunião entre o futuro ministro e Bolsonaro no Palácio do Planalto.

A troca na pasta acontece no momento em que Bolsonaro é pressionado por conta da má gestão durante a crise do coronavírus. Mais cedo, o atual ministro, general Eduardo Pazuello, admitiu a saída do cargo.

Queiroga foi segunda opção de Bolsonaro

A médica Ludhmila Hajjar foi a primeira opção para assumir o Ministério da Saúde e recusou a oferta do presidente. Ela avaliou nesta segunda que o cenário do Brasil durante a pandemia de coronavírus é "bastante sombrio".

"Cenário no Brasil é bastante sombrio", disse ela em entrevista à GloboNews. Durante a entrevista, Ludhmila ainda projetou que o número de mortes pela Covid-19 no Brasil vai chegar em 500 mil. Hoje, o país registra 278.229 óbitos e mais de 10 milhões de infectados pelo vírus.

Ela era o nome preferido do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). No entanto, a médica não aceitou substituir Pazuello. Ludhmilla é a favor do isolamento e da imunização em massa e contra o chamado tratamento precoce, apoiado por Bolsonaro.A rejeição de Hajjar se deu, segundo ela, por divergências com o presidente e ameaças que ela sofreu por ameaças de seguidores de Bolsonaro.

Brasil vai ter novo auxílio emergencial; entenda

Sete dias depois da aprovação pela Câmara dos Deputados da proposta de emenda da Constituição (PEC), o presidente Jair Bolsonaro assinou na quinta-feira (18) duas medidas provisórias (MP) que irão permitir o retorno do auxílio emergencial. Mas o calendário com as datas para o pagamento do benefício, no entanto, ainda não foi divulgado pelo governo. A previsão é que 45 milhões de famílias sejam beneficiadas com a nova fase do programa, por mais quatro meses, no momento mais crítico da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

A informação foi divulgada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom). O texto das MPs não foi oficialmente disponilizado. A previsão era que Bolsonaro entregasse ontem o documento pessoalmente ao Congresso, mas a cerimônia foi cancelada após o anúncio da morte do senador Major Olímpio (PSL-SP), por Covid-19.

Quais os valores desse novo auxílio emergencial?

Nessa nova etapa, o valor médio da parcela será de R$ 250 para famílias em situação de vulnerabilidade. Mulheres com filhos terão cota de R$ 375, e pessoas que moram só receberão R$ 150.

O auxílio deve ser pago em até quatro parcelas, a partir de abril. O texto destaca, no entanto, que a extensão dependerá da disponibilidade de recursos. De acordo com a proposta de emenda à Constituição (PEC), os novos repasses serão limitados a R$ 44 bilhões, mas integrantes da equipe econômica não descartam ampliar esse valor, caso seja necessário.

O direito aos pagamentos será reavaliado mensalmente. Ou seja: quem receber a primeira parcela não necessariamente receberá nos meses seguintes. Caso consiga um emprego, por exemplo, será excluído da lista de beneficiários.

O calendário de pagamento da Caixa Econômica Federal ainda será divulgado.

A previsão é que trabalhadores informais e autônomos recebam na frente dos beneficiários do Bolsa Família, que migrarão temporariamente para o auxílio por ser mais vantajoso.

O governo federal não vai abrir prazo para novas inscrições no programa de auxílio emergencial e pretende usar o cadastro do Ministério da Cidadania para autorizar os pagamentos. A MP entra em vigor imediatamente.

Copom aumenta a Selic para 2,75% ao ano

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central se reuniu também na quinta para discutir a taxa básica de juros da economia, a famosa taxa Selic. O órgão decidiu aumentar para 2,75% ao ano. O valor anterior, de 2% ao ano, já estava em seu menor nível desde o início da série histórica, em 1986, e vigorava desde agosto de 2020.

Brazil's Economy Minister Paulo Guedes stands behind Brazilian President Jair Bolsonaro who speaks to the press as he leaves the presidential residence Alvorada Palace in Brasilia, Brazil, Monday, April 27, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Brazil's Economy Minister Paulo Guedes stands behind Brazilian President Jair Bolsonaro who speaks to the press as he leaves the presidential residence Alvorada Palace in Brasilia, Brazil, Monday, April 27, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)

A expectativa do mercado já era por esse aumento principalmente em razão da inflação "nervosa"pela qual o Brasil passa no momento. No ano passado, o IPCA, índice oficial do governo para medir a oscilação dos preços, ficou em 4,52%, o maior valor desde 2016, quando chegou a 6,2%.

Para este ano, a previsão do mercado é de uma inflação de 4,6%. Há um mês, o número estimado era de 3,6%. Ainda assim, a última projeção dos economistas está dentro do limite tolerável pelo BC. O centro da meta para 2021 é 3,75%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

O que é a taxa Selic?

Selic é a taxa básica de juros da economia no Brasil, utilizada no mercado para financiamento de operações diárias, bem como parâmetro para empréstimos bancários e outras transações. Selic é a abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Como a Selic é calculada?

O valor é obtido por meio do cálculo da taxa média ponderada dos juros praticados pelas instituições financeiras brasileiras. Para definir a taxa Selic, o Copom (ligado ao Banco Central) faz oito reuniões por ano levando em consideração projeções da atividade econômica, perspectiva para a inflação e outras variáveis.

Por que a taxa Selic é importante

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional (os investimentos no Tesouro Direto entram nessa categoria, assim como outros tipos de Renda Fixa) e serve como referência para os bancos na hora de conceder empréstimos. Os juros do temido cheque especial também são calculados a partir da Selic.

Assim, investidores do Tesouro Direto e Renda Fixa tendem a ganhar mais com a alta da Selic. Já quem quer pegar um empréstimo ou precisa financiar alguma dívida, terá problemas.

Quando a Selic cair, o efeito é exatamente o inverso. Empréstimos ficam mais convidativos e investimentos na renda fixa perdem o charme.

A relação da taxa Selic com a inflação

A taxa Selic surgiu em 1979 justamente num período que o país enfrentava um cenário caótico de hiperinflação.

Agora, em 2021, para não deixar a inflação sair do controle, o Banco Central utilizou desse artifício antigo. Quando a Selic aumenta, fica mais caro para o consumidor tomar empréstimo dos bancos e consumir. Com esse "resfriamento" da atividade econômica, a tendência que é os preços possam se estabilizar. Num movimento contrário, com uma economia estagnada e precisando de uma "injeção", o BC corta os juros básicos para incentivar o consumo e investimentos no setor produtivo

Taxa Selic também impacta a poupança

O investimento preferido dos brasileiros também é atingido pelas reuniões do Copom, já que seu rendimento, por definição, está atrelado à taxa. Se a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança irá render 0,5% do valor depositado mais a Taxa Referencial (hoje em 0%). Se a Selic estiver igual ou abaixo de 8,5%, a poupança vai render 70% da taxa básica de juros mais a TR.

A próxima reunião do Copom deve acontecer daqui 45 dias para definir se a Selic permanece igual ou sofre alguma alteração.