COI está "determinado" a organizar Jogos de Tóquio-2020 apesar do coronavírus

AFP
O presidente do COI, Thomas Bach
O presidente do COI, Thomas Bach

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, garantiu nesta sexta-feira que sua instituição está "completamente determinada" a organizar os Jogos de Tóquio-2020, apesar da propagação mundial da epidemia de coronavírus.

"O COI está completamente determinado a realizar com êxito os Jogos de Tóquio a partir de 24 de julho", declarou Bach em coletiva de imprensa destinada à imprensa japonesa, segundo declarações publicadas pela agência Kyodo News.

"A prioridade no momento é garantir que os processos de classificação (para os Jogos) se desenvolvam, garantindo a proteção da saúde dos atletas", completou.

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- Aval da OMS -

"É o que estamos fazendo em cooperação com as autoridades japonesas, a Organização Mundial de Saúde (OMS), o comitê olímpico chinês e outros comitês olímpicos nacionais", explicou o chefe do movimento olímpico.

Outro membro eminente do COI, o canadense Dick Pound, havia dito horas antes à AFP que sua entidade não cogita adiar ou cancelar os Jogos enquanto não receber uma recomendação nesse sentido da OMS.

"O COI e os organizadores locais não cancelariam, adiariam ou fariam qualquer outra coisa sem que houvesse conselhos ou regulamentos muito sérios e específicos vindos da OMS ou da autoridade reguladora apropriada", disse Pound à AFP.

"A menos que haja uma situação mundial tão séria que os Jogos não possam ser realizados ou que as autoridades reguladoras proíbam viagens ou esse tipo de coisa, continuaremos ... Mas seria irresponsável seguir em frente sem ao menos ter em mente que algo poderia acontecer", acrescentou Pound, membro do COI desde 1978.

Resta saber a data limite para que uma decisão seja tomada sobre a realização dos Jogos de Tóquio.

- 'Dizer sim ou não' -

"Em algum momento, contudo, seja daqui a um ou dois meses, alguém terá que dizer 'Sim' ou 'Não'", declarou Pound.

"Muita coisa pode depender dos dados que chegarem à medida que avançamos. Só podemos esperar e ver, garantindo que os dados recebidos são confiáveis. Atuar precipitadamente sem a informação correta seria uma loucura", concluiu o ex-nadador de 77 anos.

A epidemia de coronavírus já causou sérios transtornos no Japão, forçando o cancelamento e o adiamento de um grande número de eventos esportivos, desde jogos de futebol a rituais que marcam a abertura do torneio de sumô em março.

Na quinta-feira (27), o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, pediu o fechamento das escolas públicas de todo o país durante várias semanas para prevenir a propagação do novo coronavírus.

O pedido de Abe acontece após o governo japonês incentivar os organizadores de grandes eventos a considerar seu cancelamento e as empresas a permitirem que seu empregados trabalhem de casa.

O Japão anunciou na quinta-feira o quarto falecimento por coronavírus, sem contar com os passageiros do cruzeiro Diamond Princess, em quarentena há três semanas na costa de Yokohama e que registraram 700 casos e quatro mortes.

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