Cobra Kai é mais uma novela juvenil da Netflix (e isso não é uma crítica)

Thiago Romariz
·3 minuto de leitura
Cobra Kai: série é o grande sucesso da Netflix em 2020 (Foto: Divulgação)
Cobra Kai: série é o grande sucesso da Netflix em 2020 (Foto: Divulgação)

Oriunda do YouTube, 'Cobra Kai' surgiu em meio a suspeitas de caça-níquel. Pudera, a série veio para comemorar os 30 anos de 'Karatê Kid’ e trouxe de volta antigos astros de Hollywood sem uma aparente motivação, além da nostalgia. A primeira temporada limou esses olhares tortos e na terceira incursão, agora na Netflix, ela mostra que sabe usar a simplicidade de roteiro com histórias juvenis clássicas como poucos seriados atuais — e tudo isso sem perder o faro da nostalgia e revisão de atitudes oitentistas hoje naturalmente antiquadas.

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Olhando de longe, 'Cobra Kai’ é o exemplo clássico de uma ideia que explora oportunidades no tempo e, não necessariamente, dará certo. Ainda que seja um marco dos anos 1980, 'Karatê Kid' não tem aparente espaço em um mundo onde super-heróis e tramas sombrias são regra de sucesso para estúdios e fãs. Por outro lado, o toque de nostalgia fez o projeto ganhar vida e rouba atenção num primeiro momento; o fato é que isso não é suficiente para manutenção de sucesso, e os produtores sempre souberam disso. Não à toa, desde o momento inicial, a série revisita os primeiros filmes não só com reverência, mas também com um bem-vindo revisionismo.

O roteiro acerta, pois questiona o bom-mocismo exagerado de Daniel-san, enquanto deixa claro que a postura agressiva e ignorante de Johnny Lawrence também não se encaixa nos dias atuais — ou qualquer outro dia, pra ser mais direto, afinal, o cidadão fracassou. Ao buscar um meio-termo entre os protagonistas e dar mais holofote para Lawrence, a série desconstrói todo o abuso que era ser um Cobra Kai para tornar a "marca" em um símbolo de revisão de comportamento, já que fazer bullying, oprimir e agredir não faz ninguém um ser humano melhor. E Johnny, sem perder o carisma e personalidade, consegue revisitar seu comportamento para entender que para ser mais forte não é preciso diminuir ou agredir ninguém.

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Todo esse contexto está dentro de uma história juvenil em Cobra Kai. Desde o visual, simples e sempre em cenários colegiais ou familiares, até os diálogos, que prezam pela forma direta e quase didática de explicar sentimentos e resoluções. E não há nada de errado nisso, pois boas histórias também podem abraçar tal simplicidade sem perder a força da narrativa, tal qual foi 'Karatê Kid' em há 30 anos. 'Cobra Kai’ abraça a nostalgia sem vergonha de revisitar muito do que ela significa, montando uma trama de novela que lembra tramas adolescentes com alcance universal, cheia de romance, suspense e toques de ação. Naturalmente, é difícil não se identificar.

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*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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