COB cria área inédita voltada ao esporte feminino sob comando de Isabel Swan

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O COB (Comitê Olímpico do Brasil) selecionou Isabel Swan, medalhista olímpica na vela em Pequim-2008, para ocupar o recém-criado cargo de coordenadora de esportes femininos da entidade.

A iniciativa inédita busca ter uma área destinada exclusivamente a projetos voltados para atletas mulheres, além de treinadoras, árbitras e gestoras.

"As atletas se sentem mais à vontade a partir do momento em que temos espaço. Isso colabora para combater a evasão feminina no esporte. Passamos por situações em que os homens nem sempre acreditam, mas a gente acredita e quer chegar lá", ela afirma à reportagem. "Na época da medalha fomos as primeiras e não tínhamos essa referência. É importante se sentir empoderada."

De acordo com o diretor-geral do COB, Rogério Sampaio, o nome dela foi escolhido por meio de um processo seletivo com a participação de outras atletas olímpicas. Além do bronze na classe 470 ao lado de Fernanda Oliveira, obtido em 2008, Isabel Swan foi 10ª colocada na Olimpíada do Rio, com Samuel Albrecht, na Nacra 17.

Em 2009, a velejadora atuou como embaixadora dos atletas na campanha que levou à escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016, durante cerimônia realizada em Copenhague, na Dinamarca. Ela também participou da Comissão de Atletas do COB a partir de 2017 (foi reeleita no ano passado, mas abdicou da cadeira para assumir o novo posto) e integrou o colegiado que passou a ter direito a voto na entidade.

Seus primeiros projetos no cargo estão relacionados a um mapeamento para conhecer a fundo quem são as mulheres envolvidas com o esporte olímpico hoje, quais as suas demandas e que modelos de sucesso já levaram a bons resultados no esporte feminino nos últimos anos. "É importante que a governança se reflita no esporte e vice-versa", afirma.

Sua ideia é que as participantes da Olimpíada de Tóquio preencham um questionário para reunir os primeiros dados. A partir dessa base, ela pretende colher informações de um universo maior nas confederações. A minoria dessas entidades possui mulheres em postos de comando, mas esse número tem aumentado.

Nos últimos meses, a ex-jogadora de vôlei de praia Adriana Behar assumiu o cargo de CEO da confederação de vôlei, e a executiva Mariana Miné, da de rúgbi.

A equidade de gênero tornou-se uma bandeira do COI (Comitê Olímpico Internacional). Nos Jogos de Tóquio, a participação de atletas mulheres será recorde: cerca de 49% do total. Para isso, alguns esportes tiveram mudanças em seu programa de provas, com a exclusão de eventos masculinos e a inclusão de femininos e mistos.

"A Isabel vai fazer um diagnóstico da atuação feminina no esporte brasileiro, estudando não somente o aspecto competitivo, mas também a participação em cargos de gestão e entorno do atleta. É inegável que algumas provas e modalidades ainda possuem espaço para crescimento da participação feminina no cenário mundial, mas seu trabalho vai além do desenvolvimento de resultados", afirma o diretor de esportes do COB, Jorge Bichara.

Segundo a entidade, atualmente 55% do seu quadro de funcionários é composto por mulheres, assim como 7 dos 12 cargos diretivos e de gerência.

"Este é mais um passo importante no processo de equidade de gênero no esporte olímpico brasileiro, que o COB vem liderando desde o início desta gestão. E caberá à Isabel Swan, referência na vela mundial e atleta engajada com o Movimento Olímpico, tomar a frente desse projeto", afirma o presidente do comitê, Paulo Wanderley Teixeira.

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