Clubes negam, mas haverá choques com CBF por novo Brasileirão

Ao deixarem a sede da CBF, na tarde de terça-feira, depois de entregar a proposta de criação de uma liga para organizar o Campeonato Brasileiro, os presidentes dos principais clubes do país afirmaram que o movimento não era de ruptura. Mas os anseios de ampliar o espaço nas decisões institucionais e de gestão pressupõem colisões de interesses nos próximos capítulos. Não só com a entidade que rege o futebol no país, mas com as federações estaduais (históricas avalistas das ações da CBF) e entre os próprios clubes, que terão de superar a desconfiança após tentativas frustradas de união (vide, guardadas as devidas diferenças, o caso do Clube dos 13, a partir dos anos 1980, e da Primeira Liga, na década passada).

As demandas são mais amplas do que organizar a principal divisão do futebol. Os clubes querem participação igualitária na escolha do presidente da CBF – Rogério Caboclo foi afastado por 30 dias pela Comissão de Ética por denúncia de assédio sexual a uma funcionária, mas é tido como carta fora do baralho. Hoje, os votos têm peso diferentes: clubes da Série A têm peso 2, da Série B, peso 1, e federações, peso 3. Ou seja, as agremiações somam 60 ante os 81 dos dirigentes estaduais. Essa mudança no estatuto só é possível com aval das federações, que terão de concordar em diminuir seu poder.

As federações também perderiam influência se outra mudança for feita: hoje, as chapas inscritas precisam do apoio de oito federações e cinco clubes. As agremiações querem manter o aval de 13 eleitores, mas independentemente da natureza, o que facilitaria para os clubes lançarem um candidato em seu nome, sem precisar das entidades.

Historicamente, as federações são alinhadas à CBF. Na última eleição, Caboclo recebeu todos os 27 votos dos estados. Para elas, há grande interesse em não mudar a estrutura, a começar pelo calendário, já que os estaduais são uma importante fonte de receita. Rediscutir a quantidade de datas, aliás, é outro ponto exposto pelos clubes que põe as partes em choque.

Por fim, os clubes propõem a criação de uma liga que, além dos signatários, terá o convite estendido aos times da Série B. A CBF tem a seu favor o regulamento, que diz que ligas não podem ser criadas sem o aval da entidade.

Todos esses itens já seriam motivo de uma longa queda de braço, e esse movimento ocorre em fase de instabilidade institucional na CBF e de arrocho financeiro dos clubes da elite. Juntos, têm um endividamento superior a R$ 10 bilhões, e com pandemia ainda sem sinal de arrefecimento. O discurso pode até não ser de ruptura, mas os clubes terão trabalho para romper com as amarras que mantêm o futebol brasileiro na inércia.

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