Clube carioca fraudou 57 exames de Covid-19, aponta TJD-RJ

Redação Esportes
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Foto: Marcello Zambrana/AGIF
Foto: Marcello Zambrana/AGIF

O Mesquita Futebol Clube, de Mesquita (RJ), falsificou 57 testes para o novo coronavírus durante a disputa da Série B2 do Campeonato Carioca, revelou uma investigação do Tribunal de Justiça Desportiva do Rio de Janeiro (TJD-RJ).

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Os primeiros indícios de fraude foram revelados no início de fevereiro, durante uma apuração da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Dois exames, de um atleta e um membro do staff do clube, que foram pedidos e coletados no dia 7 de janeiro de 2021, tinham a assinatura e o carimbo de Rosângela Damasceno, coordenadora do Laboratório de Análises Clínicas da Unigranrio (Laborafe), que faleceu no dia 26 de dezembro de 2020, por complicações de um câncer no fígado.

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Além da assinatura de Rosângela, a aparição do mesmo número no pedido chamou a atenção de José Roberto Lannes Abib, diretor-técnico do Laborafe. Em entrevista ao Globo Esporte, Abib afirmou que não existe chance de dois pedidos terem o mesmo número e que os documentos tinham vários erros de digitação e formatação.

Segundo o TJD-RJ, o Mesquita entregou dois lotes de testes fraudulentos à federação carioca, ambos na disputa da Taça Waldir Amaral, o segundo turno do torneio. Um no dia 29 de dezembro de 2020, na véspera da partida contra o Barra da Tijuca, e o segundo no dia 7 de janeiro de 2021, antes de enfrentar o Mageense.  

A Procuradoria do TJD-RJ denunciou três pessoas pela falsificação dos exames: o ex-presidente Cleber Louzada, o atual presidente Ângelo Benachio e o gestor Ântonio Carlos Dias de Souza.

Os três foram denunciados duas vezes em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): 

  • artigo 234, que trata de falsificar documentos públicos ou particulares, com pena máxima de 720 dias de suspensão e multa de R$ 100 mil;

  • artigo 258, sobre assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva, com pena máxima de afastamento de 180 dias.

Com as duas denúncias em cada um dos dois artigos, os três responsáveis pelo Mesquita podem ser suspensos do futebol por quatro anos e meio, além de terem que pagar uma multa de R$ 200 mil.