Clodoaldo diz que fãs beijavam o chão que Pelé pisava e faz apelo: 'Aposentar camisa é pouco'


Rei do Futebol, Pelé morreu na última quinta-feira, vítima de uma falência múltipla dos órgãos, em São Paulo. Companheiro de Santos e Seleção Brasileira, Clodoaldo relembrou amizade com o craque e lamentou a morte do ex-atleta. Ao LANCE!, o campeão da Copa de 1970 recordou a idolatria popular por Pelé e opinou sobre a possível aposentadoria da camisa 10 do Peixe.

- A gente estava sabendo da situação, se preparando, mas quando acontece, você vê que não estava preparado. É uma coisa que você só sente na hora. Ele era diferente, enquanto nós somos simples mortais, ele parecia uma coisa de outro mundo. A gente ia jogar fora do Brasil, as pessoas se amontoavam para ver ele, tocar nele. Quando não conseguiam, as pessoas beijavam o chão que ele tinha pisado. São coisas muito fortes - começou Clodoaldo.

- Pelé era um ser humano maravilhoso. Eu morava na Vila Belmiro, estava na base ainda quando o Pelé já era profissional. No refeitório, tinha uma regra que os juniores só podiam comer depois da saída dos profissionais. Aí um dia eu estava com fome, fui para o refeitório e me deparei com o Pelé. Tinha 15 anos, minhas pernas tremiam. Aí ele falou comigo e me deu uma maçã. Eu tinha que ter embalsamado aquela maçã. Foi o primeiro contato que eu tive com ele - relembrou.

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Pelé começou a carreira no Santos, em 1956 e jogou até 1974 no clube, conquistando inúmeros títulos, como Brasileirão, Libertadores, Mundial e Paulistão. Já Clodoaldo iniciou como profissional do time paulista em 1965, atuando até 1979. O sergipano de 73 anos fez um apelo para mais homenagens e um projeto para honrar a memória de Pelé à altura do Rei do Futebol.

Clodoaldo - Santos
Clodoaldo - Santos

Clodoaldo jogou com Pelé no Santos por oito anos (FOTO: Ivan Storti/Santos FC)


- Essa questão da camisa 10 que estão debatendo agora é uma coisa que eu já estava pedindo há muito tempo. Não é simplesmente aposentar a camisa e acabou. Isso é muito pouco para o tamanho dele. Tem que fazer um projeto, junto à CBF, fazer uma camisa 10 de ouro, com uma coroa. Uma camisa do número de gols dele bordada a ouro. Tem que se desenvolver isso à altura do Pelé. Eu não tenho capacidade para fazer isso, só tenho as ideias - sugeriu Clodoaldo.

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Pela Seleção Brasileira, Pelé conquistou três Copas do Mundo e marcou 1283 gols na carreira, somando as passagens por Santos e New York Cosmos. Quando deixou o Peixe, Pelé foi contratado pela equipe norte-americana, onde passou a receber salário anual de 2,5 milhões de dólares por ano. Os valores corrigidos com a inflação dariam cerca de R$ 25,5 milhões atualmente. Clodoaldo abordou o assunto.

- Eu defendia que o Pelé não podia jogar todos os jogos regionais. O Pelé jogou 18 anos no Santos sem ter um projeto grandioso de valorização. Tinha que se ter feito uma coisa mais profissional para o clube e para ele. Ele saiu do Santos para se fortalecer financeiramente no Cosmos. Era uma verba muito alta que ele não teve em toda a passagem pelo Santos - comentou o ex-jogador.

Pelé foi internado dia 29 de novembro para reavaliar a quimioterapia que tratava um câncer no cólon, descoberto em 2021. Contudo, o ex-jogador teve uma piora no quadro e passou um mês no Hospital Israelita Albert Einstein até morrer, na última quinta-feira. O velório do Rei do Futebol acontece na próxima segunda-feira, na Vila Belmiro.