Cláudio ‘Hannibal’ 'culpa' Ultimate por falta de prestígio no ranking da organização

Especialista em jiu-jitsu, o brasileiro faz ótimo uso da modalidade em suas lutas – Scott Garfitt

Cláudio ‘Hannibal’ não sabe o que é perder no Ultimate. Desde que se tornou atleta da liga de MMA mais famosa do planeta, o brasileiro somou cinco triunfos consecutivos. No entanto, apesar do início promissor na organização, o meio-médio (77 kg) ainda não figura entre os atletas de elite da categoria. E, durante entrevista exclusiva à reportagem da Ag Fight, o mato-grossense ‘culpou’ o UFC pela falta de prestígio sofrida na franquia.

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Hannibal faz parte do plantel do UFC desde 2014. No entanto, justamente em sua temporada de estreia na liga, o brasileiro sofreu uma série de lesões que o afastaram dos octógonos por quatro anos. Mas apesar de reconhecer o ‘atraso’ que o período parado significou, o meio-médio não contabilizou esse fator em sua lista de justificativas para sua falta de reconhecimento no Ultimate.

“Essas lesões tomaram quatro anos da minha carreira. Mas olha só como eu voltei, voltei finalizando nas minhas últimas três lutas. A culpa não é das lesões, a culpa é da organização que não me dá um cara ranqueado. Simplesmente não sei porque não estou lutando com alguém ranqueado. Já ganhei do Nordine Taleb, muitos caras duros, Leon Edwards, Danny Roberts…. Na minha última luta, lutei como um cara que ninguém nunca tinha colocado para baixo, e eu passei por cima do cara no primeiro round. Então não sei o que está acontecendo”, explicou o atleta de 37 anos.

Cláudio já venceu nomes como Nordine Taleb, Danny Roberts e Leon Edwards no Ultimate. O último deles, inclusive, figura atualmente na quarta posição no ranking dos meio-médios e é cotado para encarar Tyron Woodley, o ex-campeão da categoria, em seguida. Para justificar seu ponto, o brasileiro chegou até mesmo a comparar seu desempenho no UFC com ao do atual detentor do cinturão, o nigeriano Kamaru Usman.

“Tenho cinco vitórias. Depois da minha quinta vitória veio um repórter americano falar para mim que eu e Kamaru Usman somos os recordistas de vitórias na categoria até 77 kg. Ele me disse que só nós dois fizemos 5-0 sem perder, desde o começo. E ainda me falou que eu fui melhor ainda, porque eu finalizei três lutas, das cinco. Essa parada de ranking, não sou eu quem decido. Quem decide isso aí é a organização, é o UFC. Já fiquei sabendo que os caras do top 15 não querem lutar comigo, eles estão correndo. Sei que sou uma luta dura. Quem está no top, no ranking, não quer se arriscar com um cara que não está no ranking. Acho muito difícil alguém do ranking querer lutar comigo, está todo mundo correndo, esse é a verdade”, opinou Hannibal.

Para mudar sua realidade na franquia, Cláudio prometeu algumas mudanças em seu comportamento. No entanto, o brasileiro descartou a possibilidade de fazer uso do ‘trash talk’ – ferramenta extremamente usada pelos atletas de MMA para autopromoção. Sem papas na língua, o lutador tupiniquim também criticou o papel desempenhado pela mídia especializada de seu país

“Não faço ‘trash talk’ porque isso funciona para os americanos, acho que para os brasileiros não funciona. É complicado isso, acho que a mídia brasileira tem que dar mais atenção para os lutadores brasileiros. Nosso trabalho é lutar e vencer. Se eu não estou no ranking, não sou popular, é culpa da mídia”, destacou Hannibal, antes de revelar como pretende reverter esta situação.

“Pedir oponente é uma faca de dois gumes Porque se você é um cara que não está forte na mídia, não adianta pedir. O pessoal vai simplesmente ignorar. Para eu começar a fazer ‘trash talk’, tem que ter uma voz ativa, tem que ter uma repercussão na mídia. Não adianta só ficar falando, tem cara que fala, fala, fala e é ignorado. Tenho alguns nomes sim em mente que eu quero desafiar, vou começar a fazer isso”, concluiu o atleta da ‘London ShootFighters’, em conversa com a Ag Fight.

Em sua carreira como profissional de MMA, Hannibal soma 14 vitórias e apenas uma derrota. Seu único revés foi sofrido justamente em sua estreia como lutador, em 2007. Desde então, o brasileiro segue invicto – inclusive no UFC, onde acumula cinco vitórias até então.

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