Citadini defende estádio, cutuca rivais e critica Roberto de Andrade

Candidato de oposição nas últimas eleições presidenciais do Corinthians e ex-vice-presidente do clube (entre 2001 e 2004), Antonio Roque Citadini voltou a dar fortes declarações. Na noite dessa quinta-feira, em entrevista ao programa No Ar com André Henning, o atuante conselheiro defendeu o polêmico estádio de Itaquera, apontou quais os principais problemas a serem resolvidos na questão, mas não deixou de criticar o atual mandatário, Roberto de Andrade, a quem qualificou como “muito tímido”. Além disso, Citadini também não deixou de provocar os rivais Palmeiras e São Paulo.

“Eu defendi que o Corinthians deveria aproveitar o Mundial para ter o estádio. Sem o Mundial o Corinthians não teria estádio”, iniciou o cartola, negando que o clube teria outra possibilidade de erguer sua casa. “Não é verdade. O Corinthians só teria chance de ter esse estádio se tivesse acoplado a Copa do Mundo. O Corinthians não faria o estádio se ele não tivesse corrido o risco dessa abertura da Copa do Mundo”, explicou.

“A verdade é que depois da Copa do Mundo tivemos uma grande reversão disso. São problemas que não são do Corinthians, são do país. O país hoje tem pouco investimento, a economia não cresce, o torcedor sem dinheiro, porque tem problemas de emprego, e esse problema atinge o Corinthians”, continuou.

Nem por isso, Antonio Roque Citadini deixou de apontar problemas na gestão do estádio corinthiano. Detalhadamente, o conselheiro pontuou o que precisa ser feito pelo clube para que as pendências sejam resolvidas e aproveitou para emendar nas críticas à atual gestão administrativa do alvinegro do Parque São Jorge.

“O estádio está lá. Nós precisamos resolver o problema. Quais são os três problemas básicos do estádio? Primeiro: o Corinthians precisa levantar o que está no contrato e não foi feito. Hoje a própria construtora reconhece que está faltando alguma coisa. Segundo: O que foi feito errado. Tem coisa errada, como tem nos outros. Olha o colapso que vive o Maracanã. E, terceiro, obras que o Corinthians questiona os preços. Essas três coisas, o clube precisa, em algum momento, colocar isso no papel, e notificar a construtora. O Corinthians precisa fazer isso, e é ai que eu digo que o atual grupo de dirigentes não tem condições para resolver essa questão”, avaliou, sem deixar de expor os erros do Corinthians também.

“Por que o Corinthians não faz isso desde 2014? É ai que reside o erro do Corinthians. O Corinthians construiu o estádio ele, Corinthians, muito improvisado. Não estou criticando nem crucificando as pessoas, o momento levava. Foi uma construção que no final, o Corinthians agiu muito no impulso. E o clube acabou fazendo, entrando. Por essa razão, o Corinthians até hoje não conseguiu sentar numa mesa, apresentar sua relação a Odebrecht e a Odebrecht responder. E o outro lado também está com um problema enorme, todas, da primeira à última (construtora)”, disse.

“Então, chegará um momento, acho que não será feito pela atual gestão, acho até porque o presidente não tem o impulso de fazer isso, porque senão ele já teria feito. Ele está enfraquecido. Ele está no terceiro ano, obviamente ele podia fazer isso no primeiro ano. Na verdade, falta aquela definição clara de que nós vamos chegar para a Odebrecht e vamos nos acertar. Se ela disser ‘não, está tudo errado e eu não faço nada disso’, vai para a arbitragem e a arbitragem decide”, concluiu.

Apesar de revelar sua preocupação, Citadini refutou qualquer possibilidade do Corinthians não pagar pela obra e, para sustentar essa tese, explicou quais os próximos passos a serem dados nesse sentido.

“O Corinthians tem a CID’s, que vai garantir o pagamento quase total de toda a despesa. Falemos do BNDES. O BNDES tem um empréstimo através da Caixa, que tem um plano de negócio feito, daquela época, de mais ou menos R$ 400 milhões, em número redondo, e esse plano de negócio foi para as ‘cucuias’, porque o país mudou, aquilo que era para entrar não entrou, o naming rights não vendeu e não vai vender. Nesse país não vai. Eu sou realista, torço para vender amanhã, mas quem é a grande empresa que aparecer?”, ponderou. “O que o Corinthians precisa fazer, e a Caixa quer fazer agora, é refazer o plano de negócio de uma forma, com a realidade atual, que ele sustente o empréstimo”, revelou.

Críticas severas a Roberto de Andrade

Apesar de tentar desvincular em muitos momentos os nomes das pessoas aos problemas do Corinthians, Antonio Roque Citadini, aos poucos, foi disparando duras críticas ao atual presidente e responsável por impedir a sua eleição para o cargo em 2015. Citadini fez questão de lembrar que Roberto de Andrade sempre fez parte do grupo que gere o Corinthians desde 2008.

“O segundo problema do estádio é da gestão do estádio, porque o Corinthians também, pelo fato de ter feito como ele fez, e não estou criticando ninguém, para mim é irrelevante quem foi o diretor ou sei lá o quê, mas por ter feito nessa seção de improviso e empolgação, a gestão do estádio, que deveria ser moderna, profissional, ela também está pagando o mesmo preço da construção”, comentou.

“Então, um dia eles (a diretoria) contratam uma empresa para gerir o estacionamento, no dia seguinte o presidente manda uma notificação que cancela o contrato, no terceiro dia a empresa manda uma notificação dizendo ‘não aceito’. Quer dizer, é tudo uma improvisação muito clara. Não estou querendo crucificar o Roberto, mas é lógico que essa coisa toda se dá porque ele não tem uma visão global desse problema”, acusou, estendendo a discussão para o departamento de futebol.

“Não tem onde a direção pegar esse discursinho de que ‘há, eu recebi o clube na UTI’, como eles disseram. O Roberto foi diretor de futebol da gestão anterior. Se o clube gastou muito, e gastou, foi porque ele quis. Não dá para ficar dizendo que a culpa foi dos outros”, disse, antes de disparar contra o perfil de Roberto de Andrade.

“Eu reconheço que no meio dessa crise toda, a própria conduta do presidente, que é uma pessoa tímida, e não dá para ser tímido como presidente do Corinthians, o tamanho do clube não permite uma pessoa olhar de cabeça baixa, tem que olhar para frente e resolver os problemas que tem. Então, eu imagino que essa coisa muito tímida, vacilante, um dia indica um, outro dia indica outro…Veja, esse exemplo do contrato do estacionamento é um exemplo acabado”, afirmou, despistando se um dia ocupará o principal cargo diretivo do clube.

Cutucada nos rivais

O que nunca falta em uma entrevista de Antonio Roque Citadini são declarações provocativas ou leves cutucadas nos grandes rivais do clube. Nessa quinta não foi diferente. Ao se deparar com o questionamento comparativo entre os modelos de construção dos estádios de Corinthians e Palmeiras, Citadini foi enfático.

“Os outros não falam dos preços deles. Os nossos (preços) está todo dia no jornal. Por exemplo, o Corinthians não está pagando, mas o do Palmeiras também não está sendo pago. O BNDES não está recebendo dos dois lados. Mas também não foi ficar falando do (estádio) deles, embora seja mais modesto que o nosso, foi importante”, opinou o dirigente corinthiano. “É um negócio diferente. Por exemplo, não teve o problema da Copa do Mundo, mas tem o problema que quando tem um show lá, estraga o gramado e o Palmeiras fica jogando em uma buraqueira”, lembrou.

Quando o estádio do Morumbi também entrou na comparação, Citadini não teve dúvidas para eleger “o melhor” e se concentrou em apontar as falhas na casa do São Paulo.

“O nosso tem duas estações do metrô que chegam dentro do estádio. Onde você viu isso? Desce na porta. (No Morumbi) se você fica lá em cima, você não vê dois escanteios, tem lugar que você não vê três, nem comento”, afirmou.