Cinco Estrelas: o ano começa decisivo

O Cruzeiro descobriu nesta sexta-feira o seu rival na quarta fase da Copa do Brasil. Será o São Paulo, rival da decisão que terminou com o tricampeonato celeste em 2000.

Em um ano que o calendário nacional reservou praticamente um trimestre para jogos desinteressantes, o confronto contra o Tricolor paulista será, basicamente, o primeiro teste à vera da Raposa no ano.

"Mas vão ter acontecido dois clássicos e a estreia na Sul-Americana antes", dirão alguns. Mas partidas com contextos e graus de exigência bem diferentes.

O confronto contra o Atlético-MG pela Primeira Liga, por exemplo, colocou frente a frente dois times desfalcadas e em início de temporada. Já o confronto contra o Nacional, ainda que seja por um mata-mata internacional, reserva ao Cruzeiro um duelo contra o lanterna do Paraguaio e sem nenhuma vitória no ano após mais da metade do turno.

O clássico pela décima rodada do estadual, porém, pode até ser visto como uma boa preparação. Caso Cruzeiro e Atlético-MG sigam, até este momento, disputando a liderança da fase classificatória, o confronto será crucial para definir as vantagens da fase final. Ou seja, o jogo mais relevante até então no ano. E do qual Mano poderá tirar boas conclusões.

Pouco depois, no entanto, o time celeste terá a missão de enfrentar o São Paulo no Morumbi pelo jogo de ida da 4ª fase. Poder decidir no Mineirão é, sem dúvida, uma boa vantagem. Mas após enfrentar Muricis, São Raimundos e afins, a missão cruzeirense será segurar o ímpeto de um ataque qualificado com nomes como Luís Araújo, Lucas Pratto, Wellington Nem e jogadores decisivos como Cícero.

São Paulo - 15/03/2017
Mano Menezes Alisson América-TO Cruzeiro Campeonato Mineiro 05032017

Tricolor vem embalado, mas tem porque respeitar a Raposa (Fotos: Rubens Chiri/São Paulo e Leonardo Morais/Light Press/Cruzeiro)

É bem verdade, no entanto, que o São Paulo também tenha - acredito que até mais - o que temer. O Cruzeiro está em um momento melhor, tem jogadores qualificados e ainda não perdeu na temporada.

Apesar disso, acredito que o momento não é o ideal para um confronto como este. O Cruzeiro ainda busca sua melhor formação e a linha ofensiva formada por Thiago Neves, Robinho, Arrascaeta e Rafael Sóbis ainda não foi testada em grande intensidade. E não me parece que o melhor cenário para isto seja este.

A situação lembra o confronto contra o Flamengo pela Copa do Brasil em 2013. Naquela ocasião, Marcelo Oliveira ainda procurava a melhor formação para o time. Ricardo Goulart começava a tomar a posição de Diego Souza e algumas práticas que se mostrariam equivocadas ao longo do ano ainda estavam sendo testadas: Vinícius Araújo no comando do ataque e a entrada de Leandro Guerreiro para administrar placares.

Ao longo do ano, o Cruzeiro evoluiu muito mais que o Flamengo, que terminaria brigando contra o rebaixamento, mas com o título da Copa do Brasil. Sem dúvida, a disputa no mata-mata seria muito diferente se fosse em Outubro, por exemplo.

Com um elenco melhor que o do São Paulo, mas um time em formação, a sensação é de que o Cruzeiro corre mais riscos agora do que correria se a disputa fosse mais adiante, com um esquema tático mais sólido e um cenário com opções mais consolidadas. Mas paciência.

Quem quer ser campeão, não escolhe adversário e o destino antecipou este confronto de quartas-de-final (no mínimo) para a 4ª fase da Copa do Brasil. A classificação tem tudo para dar moral para um ano vitorioso e o Cruzeiro tem que comprar esta briga. No entanto, é necessário entender que a precocidade desta disputa não pode tornar o seu resultado como definidor de toda a sequência da temporada.