Cinco estrelas: Aprovado com louvor

O Cruzeiro enfim teve um grande teste na temporada contra o São Paulo no Morumbi e o torcedor não poderia ficar mais satisfeito com o resultado do confronto. Mas a pergunta é: A atuação agradou?

Existe um erro crasso na maior parte das avaliações das partidas e a insistência e recorrência no mesmo, além de demonstrar inocência, chegam a incomodar pela ignorância. Em uma partida de futebol, existe um adversário. E o estilo de jogo, a qualidade técnica, a organização tática e várias outras variáveis do rival influenciam diretamente no que será possível apresentar durante os 90 minutos.

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Neste sentido, as partidas da modorrenta fase classificatória do Campeonato Mineiro diziam pouco ou quase nada para projetar o que a Raposa apresentaria no Morumbi. Mesmo os clássicos contra o Atlético-MG, disputados no Mineirão e em circunstâncias de importância bem diferentes de uma eliminatória de Copa do Brasil, não ajudavam a traçar perspectivas. Era um teste de dificuldade inédita na temporada. E o Cruzeiro passou com louvor!

Outro erro crasso é a interpretação de que uma postura reativa é sinônimo de retranca. José Mourinho acumulou títulos na Europa atuando de forma reativa e isto não foi suficiente para que, no Brasil, atuar a partir do seu campo de defesa, buscando transição em velocidade e aproveitar os espaços de um rival avançado seja uma opção de jogo interpretada como consistente. E que nem sempre o resultado reflete se esta foi uma boa postura ou não, bem como a possibilidade que um duelo apresenta para fazer diferente.
 

Mano Menezes São Paulo Cruzeiro Copa do Brasil 13042017

O Cruzeiro teve na última quinta-feira um Morumbi com bom público e um rival muito qualificado pela frente. A dupla de zaga formada por Rodrigo Caio e Maicon foi a melhor que o time celeste enfrentou neste ano com sobras. E não fosse a excelente atuação do segundo, principalmente no primeiro tempo, era provável que já tivesse ido para o intervalo em vantagem.

Com um dos melhores ataques da temporada no Brasil, o São Paulo apresenta muitas peças a serem neutralizadas. Luiz Araújo não vem bem, mas é liso. Cícero é um perigo nas bolas aéreas, Lucas Pratto confere mobilidade interessante ao ataque e Jucilei tem um poder de penetração importante. Durante a partida, tudo isso pouco apareceu. Mérito de um sistema defensivo organizado para correr poucos riscos. E que conseguiu passar ileso.

Arrascaeta Buffarini Sao Paulo Cruzeiro Copa do Brasil 13042017

(Fotos: Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro EC/ Divulgação)

O Cruzeiro foi perigoso durante os 90 minutos e o triunfo lembrou bastante a postura que a Raposa teve em terras paulistas em outros confrontos históricos no Morumbi como o 3x0 de 2013, quando o São Paulo teve 58% de posse de bola e finalizou 17 vezes contra 11 do time celeste. Ou das quartas-de-final da Libertadores de 2009, quando o golaço de Henrique na segunda etapa encerrou uma longa pressão são-paulina visando reduzir a vantagem cruzeirense obtida no jogo de ida.

Vencer o São Paulo no Morumbi atuando no campo deles e oferecendo um jogo franco não só não é normal na história celeste como não é tarefa simples para ninguém. Organizado, cauteloso, com um contra-ataque assustando e uma bola parada decisiva (foi para isso que Thiago Neves veio), a vitória azul foi construída com autoridade e deve ser compreendida através do seu verdadeiro tamanho e não como o resultado de um Cruzeiro "retrancado", "covarde" e outras palavras que chegaram a ser utilizadas, principalmente até o primeiro gol cinco estrelas.
Ainda há muito para se jogar em 2017, mas o Cruzeiro do Morumbi ofereceu bons motivos para a torcida animar.