Cinco anos após 7 a 1, Bernard critica “haters” e evita pensar em seleção

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(Foto: Getty Images)
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Por Guilherme Dorini, de Londres

Passe o tempo que for, mas alguns acontecimentos nunca sairão da cabeça das pessoas. A eliminação do Brasil para a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo de 2014, com certeza é uma delas. Cinco anos após o 7 a 1 no Mineirão, a trágica derrota ainda deixa marcas, principalmente em quem esteve diretamente envolvido naquela partida. É o caso de Bernard, que foi escolhido por Luiz Felipe Scolari para substituir ninguém menos que Neymar naquela decisão.

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“Jogar uma Copa do Mundo com 20, 21 anos para mim já foi algo extraordinário. Para a maioria dos jogadores, a meta final, o grande objetivo, é jogar uma Copa do Mundo. Eu tive essa oportunidade. Infelizmente aconteceu de modo trágico a saída na semifinal, mas tudo na vida é um aprendizado. Não só as vitórias, mas as derrotas também. Temos que tentar tirar o máximo disso”, relembra Bernard em entrevista ao Yahoo Esportes.

O atacante, que na época já havia se transferido do Atlético-MG para o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, não tem problema em admitir que ficará marcado por aquela partida, mas, por outro lado, tenta tirar o melhor proveito possível da situação.

“Lógico que foi doído, que foi sofrido e que a gente fica marcado... Mas eu tento levar na boa, porque a gente sabe que tem muitos torcedores que ainda sentem isso. Eu também sinto. Realmente vai ficar marcado na história, mas tenho que saber que é importante olhar para o futuro, olhar para frente e tentar tirar proveito disso tudo que aconteceu, de toda experiência que passei na Copa do Mundo para continuar melhorando a cada dia”, acrescentou.

Não foi apenas a derrota história que acabou marcando o hoje destaque do Everton no Campeonato Inglês. Na época, Felipão havia dito que Bernard possuía “alegria nas pernas” por sua habilidade para dribles curtos e velocidade. O elogio, no entanto, acabou virando contra o atleta após a eliminação da seleção brasileira. As críticas ganharam força nas redes sociais (claro), e o “apelido” acabou sendo usado quase que sempre de maneira irônica.

Ao ser perguntado se a situação incomodou durante esses anos, Bernard tentou mostrar que a página já havia sido virada, mas não deixou de demonstrar certa mágoa com o acontecido.

(Foto: Getty Images)
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“Até hoje fica (sendo tratado de maneira pejorativa). Tem muitos torcedores que fazem isso. O problema do brasileiro é esse. Na rede social, as coisas tomaram uma proporção muito grande, sabe? Existem muitas pessoas corajosas demais atrás de um celular, de um computador... As pessoas gostam muito de rebaixar as outras pessoas, de jogar para baixo. Um até pode dar a mão, mas 50 estão tentando te derrubar. Acho que isso precisa melhorar muito. As pessoas falam muito em ajudar as outras, mas quando não convém a ela, ela faz de tudo para rebaixar ou jogar os outros para baixo”, criticou, antes de tentar olhar um lado positivo da situação.

“Acho que ainda existem pessoas que pensam em mim com carinho em relação ao apelido, tenho certeza que querem meu bem. E vida que segue”.

Apesar do momento trágico vivido no Mineirão, é comum ouvir relatos de que aquele grupo criou uma ligação muito forte após a Copa do Mundo. E a história é confirmada por Bernard, que fez questão de elogiar o convívio que foi criado em solo brasileiro em 2014.

“Eu, até hoje, não peguei um grupo como aquele da Copa do Mundo. O grupo era excelente, [tinha] um treinador que conseguia agradar a todos os jogadores. Isso é muito difícil de se ver, muito complicado. Converso até hoje com o David Luiz... Mandei mensagem para o Felipão quando o Palmeiras foi campeão brasileiro. Sempre vou torcer por eles. São pessoas que nós ‘deixamos’, mas as amizades ficam. São todos muito trabalhadores, muito profissionais. Eu tento sempre passar essa energia positiva, porque foi como eu disse antes: o mundo está muito negativo”, completou.

Bernard se adaptou rapidamente ao futebol inglês e é considerado um dos grandes destaques da temporada do Everton. O desempenho, no entanto, ainda não o faz pensar em um possível retorno à seleção brasileira – não é convocado desde a fatídica derrota para a Alemanha.

“Não é um objetivo tão claro assim. Lógico que qualquer jogador quer voltar à seleção, ainda mais como eu, que já fui, que já estive lá. Tenho esse desejo, mas tenho minha cabeça aqui. Essa minha temporada foi mais de adaptação, de reconhecimento... Espero que a próxima seja melhor. Ninguém sabe do futuro”, finalizou.

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