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Cielo relembra bronze em Pequim: 'Eu virei outra pessoa em 47 segundos'

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Nas Olimpíadas de Pequim-2008, César Cielo conquistou a medalha de ouro nos 50 metros livre. Pode até parecer estranho, mas esta não foi a conquista mais importante do nadador naquela edição dos Jogos. Segundo o próprio atleta, o bronze dos 100 metros livre mudou sua carreira e o ajudou em todas as conquistas que vieram depois.

"Eu fui para pegar medalha. Fui com a intenção de chegar ao pódio. No Mundial de 2007, eu cheguei em quarto lugar nos 100m livre, fiquei a oito centésimos da medalha de ouro e a quatro centésimos da medalha de bronze. Então eu saí daquele Mundial com talvez o quarto lugar mais bacana que já tive na minha vida. E ele me deu a perspectiva de que a luz no fim do túnel começou a aparecer. Ela começou a ficar maior e mais clara. Na minha cabeça, a gente saiu do Mundial de 2007 já pensando na Olimpíada", relembra o nadador em entrevista do Yahoo Brasil.

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No entanto, o início da campanha do nadador em Pequim não foi dos melhores. Após pedir para liderar o revezamento 4x100m, ele avalia que não foi tão bem e a equipe brasileira acabou sendo desqualificada, ficando fora da final. 

Dois dias depois, Cielo voltou ao Parque Aquático para nadar as eliminatórias dos 100m livre, avançando em sétimo lugar nas eliminatórias, resultado que também não o satisfez. No dia seguinte, ele disputou a semifinal da prova e parecia que o sonho olímpico, pelo menos naquela prova, tinha acabado.

"Nadei aquela primeira semifinal e fiquei em 5º lugar. Eu lembro que eu olhei para aquele quinto lugar da semifinal e falei 'Bom, tô fora'. Normalmente vão passar quatro e quatro de cada série. Da piscina eu tive esse pensamento: 'Bom, acabou meu sonho olímpico. Aqui morreu a minha primeira tentativa. Vou tentar me organizar e reagrupar para eu tentar alguma coisa nos 50 livre'", reconta Cielo. "E aí eu saí da piscina totalmente decepcionado, muito triste mesmo. Foi um baque grande, talvez internamente eu posso colocar entre os três momentos mais decepcionantes da minha carreira."

"Voltei para a vila, não queria conversar com ninguém, estava em uma vibe muito ruim. E pô, passei o dia nessa vibe. Isso é coisa do ser humano, né", diz "Parece que tem hora que a gente tá na deprê, mas a gente curte ficar na deprê. A gente se fecha naquele caramujo e parece que a gente gosta de prolongar essa depressão, esse fundo do poço. Como qualquer ser humano, eu fiz isso também."

Mesmo classificado para a final, Cielo via a raia 8 como uma "grande derrota, a raia da vergonha". No dia seguinte, o dia da decisão, tudo mudou. O nadador resolveu mudar sua rotina dos dias anteriores e também passou a pensar que a raia 8 não era uma derrota, mas sim uma oportunidade. 

"No dia da final, a mesma raia eu olhei para ela e pensei 'Graças a Deus que ela está aqui para mim. Eu poderia estar em nono e vendo a prova da arquibancada'", reconta. "Ela não é uma raia 8, ela é a raia da oportunidade. Me deram uma raia e não importa o número dela, eu preciso colocar a minha melhor prova em competição."

Dito e feito. Cielo fez uma boa prova, mas achou que tinha sido ultrapassado no fim pelo americano Jason Lezak, que estava na raia 7. "Eu consegui fazer uma boa prova, não sabia que eu tinha empatado em terceiro. Até achei que o cara da raia 7 tinha me passado, mas eu fiz alguma coisa na chegada que eu realmente consegui alcançar ele só com a última braçada", relembra.

Na braçada, Lezak e Cielo empataram e os dois ficaram com o bronze. A medalha de ouro foi para o francês Alain Bernard e o favorito da prova, o australiano Eamon Sullivan, ficou com a prata. 

Para Cielo e Sullivan, as medalhas dos 100m livres tiveram implicações bastante diferentes na próxima prova em que se encontraram, os 50m livres.

"Se não fosse essa medalha de bronze, provavelmente não teria a medalha de ouro. Ao mesmo tempo em que eu olhei pra essa situação onde eu peguei essa medalha de bronze e vi ela como mais do que ouro", reconta. "O cara que ficou com a prata tinha batido o recorde dos 100m livres três vezes naquela semana, era o atual recordista dos 50 livre também. Ele ficou em 6º nos 50 livre. Como é importante o significado que a gente dá para as coisas."

No dia seguinte, o brasileiro bateu o recorde olímpico dos 50m livres nas eliminatórias. Um dia depois, mais um recorde olímpico na semifinal. No terceiro dia, mais um recorde olímpico e o ponto mais alto do pódio, com o primeiro ouro da história da natação brasileira. Mas nada disso provavelmente teria acontecido se não fosse a medalha de bronze.

Não só a medalha de ouro em Pequim, mas todos os títulos mundiais que eu conquistei na minha carreira, eu coloco a medalha de bronze como a responsável por tudo isso. Eu virei outra pessoa em 47 segundos. De longe, é a medalha mais importante da minha carreira.

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