Cidade natal de Pelé em Minas vive luto pela morte do filho ilustre

TRÊS CORAÇÕES, MG (FOLHAPRESS)- Panos pretos e flores na base de estátua marcam o luto em Três Corações (MG), cidade onde nasceu o rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento, Pelé, morto nesta quinta-feira (29) aos 82 anos.

Foi no município do sul mineiro onde o ídolo nasceu e viveu até os três anos de idade com a família. O anúncio da morte do atleta causou aumento no número de visitantes à Casa Pelé e Museu Pelé, dois locais na cidade que reúnem memórias do filho ilustre.

Nesta sexta-feira (30), haverá missa às 19h em homenagem ao rei na igreja matriz Sagrada Família, a mesma onde foi batizado. A prefeitura decretou luto oficial de sete dias.

Até às 14h, a Casa Pelé havia recebido 210 visitantes -dias antes apenas algumas dezenas de pessoas passavam pelo local.

Além de moradores, o espaço atraiu turistas que estavam na região, como a aposentada Maria Francisca Santana Menezes, de Sergipe. "Parece que eu voltei às minhas origens, porque eu nasci e cresci em sítio, numa casinha assim bem simples, então fiquei bastante emocionada."

Para a conterrânea do rei, Cristina Cury Menegucci, o espaço dá aos interessados a oportunidade de conhecerem a infância de Pelé e entenderem como ele superou as dificuldade. "Ele é um exemplo para os tricordianos e para todos os atletas porque o esporte muda vidas. Como seria a vida dele sem o esporte? E como seria a nossa vida sem o rei?", questiona.

A professora Maria Aparecida Machado lamenta a perda do conterrâneo. "Eu fiquei muito entristecida com essa notícia. O Pelé é uma lenda e todos os tricordianos estão bem abalados. Nunca existiu um jogador de futebol como ele".

A cidade natal do ídolo guarda diferentes tributos ao atleta. Logo na entrada de Três Corações, na Rodovia Fernão Dias, uma estátua de 12 metros de altura retrata a famosa comemoração do "soco no ar", da Copa do Mundo de 1970. A obra foi projetada pelo artista plástico local Afonso Barra.

Na chamada Praça Pelé, há ainda outra escultura do rei. Outra estátua de Barra retrata o ídolo ainda criança ao lado de seu pai Dondinho, cujo nome batiza o parque que abriga a obra de cinco metros de altura.

No Museu Pelé, um destaque é a exposição da réplica de uma das chuteiras do jogador, além das cópias de suas certidões de nascimento e batismo.

O município tem ainda ainda a cópia da casa onde Pelé nasceu. De original, restou apenas uma carroça que pertenceu ao avô do jogador, que trabalhava como carroceiro.

"A gente não tinha informação nenhuma sobre a casa, não tinha foto nem nenhum registro, então fomos até Santos e falamos com a mãe e o tio do Pelé. Levamos uma desenhista que foi ilustrando de acordo com a descrição deles, o que possibilitou manter a mesma estrutura de quando a família Nascimento habitou o local", diz o artista plástico Fernando Ortiz, um dos responsáveis pela criação do espaço.

Na Praça Pelé, nesta sexta, algumas pessoas faziam fotos com a estátua do rei, como o personal Renan Gustavo Ferreira, de Bragança Paulista (SP). "A morte do Pelé é uma tristeza mundial".

Michel Matheus Oliveira, vendedor que também joga futebol, conta sobre sua paixão pelo Santos, clube onde o rei fez história, e consequentemente pelo atleta filho da cidade.

"O Pelé sempre foi uma inspiração e referência para mim e para todos os atletas de futebol amador de Três Corações. Então, aqui, não tem como falar de futebol sem falar de Pelé. É uma ligação muito genuína com o rei".