Cidade camaronesa abriga Copa Africana em meio a guerra civil

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FOLHAPRESS - Com cerca de 85 mil habitantes, Limbe, em Camarões, divide-se entre a alegria de ser uma das sedes do mais importante torneio da África entre seleções de futebol e a preocupação de que a competição seja maculada pela violência na cidade.

A região em que a litorânea Limbe se situa, no sudoeste camaronês, é um dos locais de conflito armado entre separatistas e governistas.

Nessa parte sudoeste do país da África Central, milhares de habitantes de língua inglesa, que são minoria em Camarões, lutam pela independência do poder central, que fala francês, assim como a maioria da nação.

Camarões teve colonização francesa e inglesa até o começo dos anos 1960, quando se emancipou da dominação europeia.

Só que parte dos antigos colonos britânicos passou, com o decorrer dos anos, a alegar destratos e desrespeito dos compatriotas de origem francesa.

Sentiam-se diminuídos administrativa, econômica e politicamente, oprimidos na educação e na cultura, marginalizados na legislação e nos direitos humanos.

A insatisfação cresceu ao longo das décadas, e grupos passaram a se organizar para buscar a independência, com mais ênfase a partir dos anos 1990. Sem obterem grande progresso, o que se tornava grande era a tensão.

No fim de 2016, protestos pacíficos, que depois se transformariam em luta armada, eclodiram. O estopim foi a nomeação de juízes francófonos para tribunais da região.

Os líderes separatistas declararam em outubro de 2017 a independência, e formou-se um novo Estado, a República da Ambazónia (Camarões do Sul) –extraoficial, pois jamais reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas).

O governo camaronês não aceitou o movimento e passou a enviar soldados, na tentativa de manter a área sob controle, alegando que o país precisava se manter "unido e seguro". Houve fechamento de escolas nas quais o inglês era o idioma e prisões de ativistas.

Os anglófonos resistiram, armaram-se, e instaurou-se uma guerra civil que perdura até hoje.

Os confrontos deixaram dezenas de mortos –não houve divulgação de números–, e relatos dão conta de que mais de 1 milhão de camaroneses (o país tem perto de 24 milhões) deixaram suas casas para fugir de tiros e bombas.

São os explosivos que causam maior preocupação agora, em meio à Copa Africana de Nações. Havia a esperança de que houvesse um cessar-fogo durante o torneio, só que isso não ocorreu.

Nesse cenário, há grande preocupação em Limbe com a segurança das delegações e dos torcedores.

Teme-se que o estádio Omnisport seja alvo de um ataque dos separatistas, com a intenção de pressionar a soltura de um de seus líderes, Sisiku Julius Ayuke Tabe, preso desde 2018.

As ruas da cidade, em especial as próximas à arena esportiva que pode receber até 20 mil torcedores, estão tomadas por unidades de elite das tropas governistas.

O primeiro teste para a segurança de Limbe –uma bomba explodiu lá na semana passada, sem deixar vítimas– é nesta quarta-feira (12), quando todas as seleções do Grupo F farão sua estreia.

A Tunísia, que esteve na mais recente Copa do Mundo, em 2018, duela com Mali na partida que abre a rodada dupla que terá também Mauritânia x Gâmbia.

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