Cicinho x Galo: o que foi a disputa que levou ex-jogador a indenizar o clube mineiro

Goal.com

Uma polêmica declaração de Cicinho, ex-lateral direito com passagens por São Paulo e Real Madrid, incomodou os torcedores do Atlético-MG. Após ser condenado a pagar R$ 3 milhões ao clube, o ex-jogador disse não ter nenhum carinho por sua passagem por Minas Gerais.

"Não tenho nada contra o torcedor, mas o Atlético não é uma memória agradável para mim”, disse em entrevista ao canal do jornalista Jorge Nicola. “Teve esta falta de honestidade do clube, que perdeu um dinheiro para o banco Axial, e eu que tive que pagar. Tudo foi resolvido".

Após a declaração,  Lásaro Cândido da Cunha, vice-presidente do Galo, usou suas redes sociais para rebater atleta e disse que o Atlético guarda péssimas recordações de um jogador que só causou prejuízos ao clube.

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"Pare de falar besteira, Cicinho. O Atlético não tem recordação de você. A recordação é péssima. Você deu prejuízo ao Atlético e deveria agradecer ao Atlético", respondeu.

Entenda como tudo começou o qual foi o motivo que levou Cicinho a pagar R$ 3 milhões ao Atlético-MG.

Saída polêmica

Cicinho chegou ao Atlético-MG em em 2001, ainda como jogador de base vindo do Botafogo-SP, com 20 anos. Porém, o jogador entrou na justiça contra o clube por falta de pagamentos de salário e fundo de garantia. Após ganhar o caso, ele se desligou da equipe e seguiu rumo ao São Paulo, onde despontou como um dos grandes laterais do futebol brasileiro. 

Então, com o imbróglio judicial e a saída conturbada, a Axial, empresa que detinha 50% dos direitos do Cicinho, entrou na justiça contra o jogador e o clube mineiro para garantir seus direitos. Como resultado, os dois foram condenados a pagar cerca de R$ 18 milhões pela quebra de contrato.

“Cicinho jogou aqui até 2003, entrou na Justiça e conseguiu a liberação. Só que Cicinho e Atlético tinham um contrato com Axial, na época era uma empresa de São Paulo que tinha 50% dos direitos, em relação aos direitos econômicos do jogador”, explicou Lásaro Cândido da Cunha. “A empresa processou o Atlético e Cicinho, conjuntamente. Ambos foram condenados, valor total, em 2016, em torno de R$ 18 milhões”, completou.

Versão do Atlético-MG

Após o ocorrido, o Atlético-MG recorreu e conseguiu um acordo para reduzir o valor a ser pago para R$ 9 milhões, sem a participação de Cicinho no processo, segundo o dirigente atleticano. 

“Temos um advogado, o Raul Ribeiro, que representou o Atlético, e nós coordenamos uma tentativa de composição, conseguimos com a Axial um valor que era mais de R$ 18 milhões reduzido para R$ 9 milhões. Mas o Cicinho não participou desse acordo”.

Então, o clube atleticano entrou na justiça contra Cicinho por todo o ocorrido e ganhou o processo. O ex-jogador foi condenado a pagar cerca de R$ 10 milhões, segundo o vice do Galo, mas o clube fez um acordo similar ao que foi feito com a Axial para reduzir o valor a ser pago pelo jogador. 

“O Atlético processou. O valor da dívida dele, do pacote, pouco mais de R$ 10 milhões. Oferecemos para ele uma oportunidade. Fizemos o mesmo desconto que a empresa fez para o Atlético, e ele pagou para o Atlético R$ 3,2 milhões”, afirmou o dirigente. 

“E deve agradecer ao Atlético, porque o Atlético facilitou a vida dele, foi lá na empresa, fez acordo e depois negociou com ele em condições excepcionais. O advogado, na época, o Raul Ribeiro, obviamente recebeu seus honorários, porque ele atuou corretamente”, completou.

A declaração de Cicinho

Em entrevista ao canal de Jorge Nicola, Cicinho contou que ainda guarda mágoas de sua passagem pelo Galo, principalmente por conta dos atrasos de salários. Ele também afirma que, com o pagamento da indenização após o processo, sua passagem pelo clube não lhe rendeu dinheiro algum.

“O Atlético não agiu com honestidade comigo. Meu salário era muito baixo, enquanto tinha jogador com salários estrondosos. Eles atrasavam meu salário, foi quando eu entrei na Justiça e peguei meu passe, porque não agiram com honestidade”, explicou.

“No ano passado, eu perdi uma ação para o Atlético, porque tinha uma cláusula em que eu tinha que ter notificado se eu saísse do clube, e tive que pagar R$ 3 milhões. Então, eu nunca ganhei dinheiro nenhum do Atlético-MG. Só para que o torcedor entenda, eu joguei três anos no Atlético, e todo o dinheiro que eu ganhei, eu tive que pagar numa ação judicial, senão iam penhorar alguns bens meus”, completou.

Por fim, Cicinho revelou que não se sente bem com a postura do Galo e de seus dirigentes e que não torce para que o clube tenha sucesso.

“Não guardo mágoa, mas torço para que não se dê bem o Atlético Mineiro (risos). Três milhões e mais 300 mil para o advogado deles, senão iam penhorar alguns bens meus”. 

“O Atlético Mineiro nunca me pagou um real. Tudo que me pagou, eu paguei em dobro. É um clube que não tenho carinho nenhum, prazer nenhum. Tenho prazer pelos torcedores e pelo time, que é fantástico, mas diretoria e essas coisas não me agradam”, concluiu.

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