Chuvas na Bahia destruíram estoques de vacina e medicamentos

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*ARQUIVO* NOVA ALEGRIA, BA, BRASIL, 14-12-2021: Estrago provocado pela enchente após chuva no distrito de Nova Alegria, interior do estado da Bahia. A chuva forte que atingiu o sul da Bahia deixou estragos, vítimas fatais e vários desabrigados. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)
*ARQUIVO* NOVA ALEGRIA, BA, BRASIL, 14-12-2021: Estrago provocado pela enchente após chuva no distrito de Nova Alegria, interior do estado da Bahia. A chuva forte que atingiu o sul da Bahia deixou estragos, vítimas fatais e vários desabrigados. (Foto: Eduardo Anizelli/ Folhapress)

As fortes chuvas que atingem boa parte da Bahia e que já deixaram ao menos 20 mortos, mais de 350 feridos e milhares de desabrigados, também podem trazer reflexos negativos para as campanhas de imunização contra contra a gripe e a Covid-19 na região.

Isso porque algumas cidades tiveram seus estoques de vacina destruídos após as enchentes, afirmou nesta terça-feira (28) o governador do estado, Rui Costa (PT).

Ele classificou os temporais que atingem a Bahia há cerca de três semanas como "tempestade perfeita", ao mencionar os problemas enfrentados pelos municípios.

"Em alguns locais 100% de todo medicamento, de todas as vacinas, foram perdidas, porque algumas secretarias municipais de saúde, e os depósitos e os medicamentos ficaram embaixo da água completamente, é o caso da cidade de Jucuruçu e outras localidades".

Além de Jucuruçu, Rui Costa citou a cidade de Itororó, como um segundo ponto que computou prejuízos após a água tomar um posto de saúde e levar todas as vacinas.

Juliana Reis, 37, and Fabiana Batista de Oliveira, 39, walk over the rubble of Fabiana's home which was destroyed by floods in Itambe, Bahia state, Brazil December 28, 2021. REUTERS/Amanda Perobelli
Juliana Reis, 37, and Fabiana Batista de Oliveira, 39, walk over the rubble of Fabiana's home which was destroyed by floods in Itambe, Bahia state, Brazil December 28, 2021. REUTERS/Amanda Perobelli

"Nesse momento é repor o mais rápido possível medicamentos, vacinas e material para atenção médica", explicou o governador durante entrevista coletiva transmitida pelas redes sociais.

O petista ainda pontuou que é necessário tomar cuidados em relação às doenças que podem ser transmitidas através do contato com água contaminada, como a leptospirose.

"Nós temos o desastre natural e temos duas pandemias acontecendo ao mesmo tempo. A pandemia do coronavírus e esse vírus da gripe que tem assolado o país inteiro e também a Bahia. Por isso é fundamental a atenção e ação dos médicos".

Durante a entrevista coletiva, o governador disse que ainda não tem uma previsão sobre a quantidade de verba necessária para a reconstrução das cidades atingidas pela tempestade. "Não é possível, nesse momento, eu estipular prazo de recuperação de estrada nem federal, nem estadual. Não é possível porque nós não temos a dimensão exata do estrago".

Questionado por um repórter sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) não ter comparecido ao estado em meio ao desastre, Rui Costa minimizou o tema.

"Eu confesso que não me dei tempo para ver a agenda e nem rede social do presidente da República e nem de outras pessoas públicas. Eu estou concentrado aqui no trabalho, concentrado em salvar vidas humanas, em cuidar das pessoas".

Até a noite de segunda-feira (27), a Bahia contabilizava 31.405 desabrigados e 31.391 desalojados, de acordo com dados enviados pelas prefeituras e tabulados pela Sudec (Superintendência de Proteção e Defesa Civil). O número de municípios afetados chega a 116, sendo que 100 deles já decretaram situação de emergência.

Os dois óbitos mais recentes ocorreram em Itabuna, sendo uma mulher, vítima de desabamento, e um homem, que foi levado pela correnteza. As outras mortes foram computadas em: Amargosa (2), Itaberaba (2), Itamaraju (4), Jucuruçu (3), Macarani (1), Prado (2), Ruy Barbosa (1), Itapetinga (1), Ilhéus (1), Aurelino Leal (1) e Itabuna (2).

Nesta terça-feira (28) os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga, do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, e da Cidadania, João Roma, devem sobrevoar as áreas mais atingidas pelas chuvas em Ilhéus.

O governo federal já repassou R$ 20 milhões para ajudar as cidades destruídas pela força das águas. Segundo João Roma, ministro da Cidadania, foram enviados 90 médicos para as regiões.