Chelsea e Man City se preparam para sair da Superliga Europeia

Redação Esportes
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Football supporters demonstrate against the proposed European Super League outside of Stamford Bridge football stadium in London on April 20, 2021, ahead of the English Premier League match between Chelsea and Brighton and Hove Albion. - The 14 Premier League clubs not involved in the proposed European Super League
Torcedores do Chelsea protestam contra a Superliga antes de partida do clube nesta terça, 20 de abril de 2021 (ADRIAN DENNIS/AFP via Getty Images)

O Chelsea é o primeiro clube a se preparar para deixar a organização da Superliga que foi anunciada por 12 dos principais clubes europeus no último domingo (18). A informação foi revelada pela BBC e confirmadas por outros veículos da Inglaterra durante a tarde desta terça (20).

O clube de Londres começou a se preparar para sair da Superliga após o dono Roman Abramovich decidir que não era possível continuar com os planos e deu a autorização para que o clube saísse. A notícia foi comemorada como um gol pelos torcedores que protestavam na porta do estádio Stamford Bridge antes da partida do Chelsea contra o Brighton, válida pela Premier League, que será realizada na tarde desta terça.

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Pouco após a notícia de que o Chelsea estava organizando a documentação para pedir a saída do projeto, o Manchester City se colocou como a segunda equipe a ir contra o torneio, com a presidência do City avisando a organização da liga que não a disputaria, de acordo com o jornal Telegraph. 

Por que esta "super liga" pode existir?

Nos últimos anos, os principais clubes europeus entraram em conflito com a Uefa, buscando maiores ganhos financeiros e garantia de vagas na Champions League, a principal competição do continente.

O poder dos clubes já foi visto na última reforma de vagas da Champions League, válida de 2018-19 até 2022-23, em que as quatro melhores ligas de acordo com os coeficientes da Uefa garantem quatro vagas diretas na fase de grupos cada, sem precisar passar pelas fases preliminares.

No entanto, os clubes que defendem a Superliga não ficaram felizes com os novos planos de reforma da Champions League para 2023-24, com a formação de uma primeira fase maior, com 36 jogando em um formato suíço para decidir os classificados para as oitavas de final.

De acordo com o comunicado inicial dos clubes, a pandemia do novo coronavírus "acelerou a instabilidade do atual modelo econômico do futebol europeu", necessitando que exista "uma mudança estratégica e um plano comercial sustentável para trazer mais valor á pirâmide do futebol europeu".

Clubes teriam grande benefício financeiro

Os clubes fundadores acreditam que o novo formato "trará um significante ganho financeiro para o futebol europeu" e que os pagamentos serão muito maiores do que os recebidos nas atuais competições continentais.

Um montante de 3,5 bilhões de euros (cerca de 23,5 milhões de reais) seria distribuído entre os clubes fundadores apenas pela afiliação ao projeto, com o número podendo alcançar até 10 bilhões de euros (cerca de 67,25 milhões de reais) no primeiro período de afiliação.

As críticas

Desde os primeiros rumores sobre a criação da "super liga" no início do ano, Fifa e Uefa se mostraram contra a ação. E antes mesmo do anúncio oficial, a Uefa foi extremamente enfática nas críticas, afirmando que é um projeto "cínico".

"Alguns clubes ingleses, espanhóis e italianos podem pensar em anunciar a criação de uma chamada Superliga independente", lê o comunicado da Uefa. "Conforme anunciado anteriormente pela Fifa, os clubes envolvidos seriam proibidos de participar em qualquer outra competição a nível nacional, europeu ou mundial, e aos seus jogadores poderia ser negada a possibilidade de representar as suas seleções nacionais."

Na manhã desta segunda (19), o presidente da Uefa Alexander Ceferin confirmou que atletas que jogarão a Superliga serão proibidos de atuar por suas seleções em torneios oficiais como a Copa do Mundo e a Europa.

As principais ligas nacionais da Europa e até governos nacionais também se manifestaram contra a criação do torneio. A liga espanhola, La Liga, classifica o projeto como "secessionista e elitista", enquanto o primeiro ministro do Reino Unido Boris Johnson prometeu não permitir que o plano se concretize.

O anúncio também rendeu grandes protestos de torcedores, principalmente na Inglaterra. Até o fechamento desta matéria, duas das principais torcidas do país, de Chelsea e Liverpool, pediram que suas faixas fossem retiradas dos respectivos estádios.