Chegou a vez da bicicleta? Vendas crescem 118% durante pandemia

Colaboradores Yahoo Finanças
·4 minuto de leitura
Foto: Getty Images
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Por Larissa Coldibeli

Assim como observado em outros países, o uso da bicicleta está crescendo no Brasil como alternativa para evitar a aglomeração do transporte público durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo levantamento da Aliança Bike (Associação Brasileira do Setor de Bicicletas), as vendas cresceram 118% entre 15 de junho e 15 de julho, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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O uso da bicicleta como meio de transporte não é o único motivo para o crescimento. A bike também é uma opção de lazer e de exercício físico (pode substituir o ambiente fechado da academia) e fonte de renda para quem trabalha com entregas.

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Por isso, os modelos mais procurados, segundo a pesquisa da Aliança Bike, são as chamadas “bicicletas de entrada”, com valores entre R$ 800,00 e R$ 2.000,00. São utilizadas, normalmente, para deslocamentos urbanos, lazer e exercícios físicos de baixo impacto.

Produtos em falta

A loja Bike Runners, no Tatuapé, em São Paulo, reflete exatamente os dados da pesquisa da Aliança Bike. De acordo com o proprietário Fabio Petrillo, o movimento é crescente e vem se superando desde abril. “Em julho, atendi 4.000 clientes, considerando a loja física e a online. No mesmo mês do ano passado, foram 1.200 atendimentos”, compara.

Para lidar com o aumento da demanda, ele contratou seis funcionários durante a pandemia. O que ele não esperava é que ia faltar produto. “O setor trabalha com muita matéria-prima importada, que está em falta. As fábricas também reduziram suas produções por causa da pandemia, tudo isso afeta a cadeia”, afirma.

Loja Bike Runners, em São Paulo, contratou seis funcionários durante a pandemia (Foto: Divulgação)
Loja Bike Runners, em São Paulo, contratou seis funcionários durante a pandemia (Foto: Divulgação)

Se, por um lado, ele deixa de vender por falta de produto, por outro, a escassez força o cliente a gastar mais. “Se não tem a opção mais barata, o cliente compra a segunda mais barata, o que tem disponível. Isso leva a um aumento do ticket médio” observa o empresário.

Demanda é global

Daniel Douek, é diretor da Isapa, distribuidora de peças e acessórios de bicicletas, e da fábrica de bikes Oggi, que vendem para lojistas. Ele diz que as duas empresas estão sentindo os efeitos da alta procura. “Os estoques nunca foram tão baixos. Nossa produção até o final de novembro já está vendida”, declara.

Ele trabalha com peças importadas e conta as dificuldades que tem para conseguir os produtos. “Antes, quando a gente fazia um pedido de importação, demorava cerca de 6 meses para chegar. Agora, o prazo é de 10 meses ou mais. O boom de bicicletas é global e os fornecedores estão com alta demanda”, afirma.

O empresário está certo: o aumento do uso da bicicleta é um fenômeno em todo o mundo. Locais como Nova York e muitas cidades da Europa estão apostando em mais ciclovias e dando incentivos para a compra de bicicleta no período da pandemia.

Homem passeia de bicleta em Nova York no dia 11 de agosto. Cidade está na fase 4 da reabertura, que permite atividades ao ar livre (Foto: Jamie McCarthy/Getty Images)
Homem passeia de bicleta em Nova York no dia 11 de agosto. Cidade está na fase 4 da reabertura, que permite atividades ao ar livre (Foto: Jamie McCarthy/Getty Images)

No Brasil, isso ainda não acontece. Para Daniel Guth, diretor-executivo da Aliança Bike, a sensação é de que as medidas no Brasil ainda são muito tímidas e não seguem essa tendência mundial. Para ajudar o poder público a pensar em ações de estímulo à bicicleta, a associação desenvolveu um conjunto de 10 propostas.

“Acreditamos que elas são fundamentais no processo de enfrentamento e saída da pandemia, além de ser um estímulo a quem quer pedalar. As propostas abordam desde a ampliação da malha cicloviária nas cidades até a redução da carga tributária, passando pelo desenvolvimento do cicloturismo e a ampliação de direitos para quem optar pela bicicleta como meio de transporte”, exemplifica.

Bicicleta como aliada contra o coronavírus

Segundo o infectologista Michel Soane, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Euroimmun, a principal recomendação contra o coronavírus ainda é o isolamento, pois o número de infectados no Brasil segue crescendo. Mas, para quem precisa sair de casa, ele diz que a bicicleta é, sim, uma boa alternativa.

“O uso da bicicleta é uma maneira de evitar o transporte coletivo, em que não há distanciamento. A bike permite limitar o contato físico, é usada em espaço aberto, que permite rápida dispersão das partículas virais e é aliada na atividade física, tão importante para prevenção de doenças e manutenção da imunidade”, indica.

Porém, ele alerta para a necessidade de distanciamento, mesmo entre ciclistas. “Um doente, com sintomas ou não, pode disseminar o vírus pela nuvem de partículas virais que ele expele. Por isso, é importante manter a distância e usar a máscara o tempo todo, lavar as mãos constantemente, evitar tocar o rosto e higienizar a bike com álcool 70°, inclusive os pneus”, recomenda.

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