Chefe da organização da Copa diz que críticas ao Qatar como sede são racistas

DOHA, QATAR (FOLHAPRESS) - Um dia após a proibição de cervejas nos estádios, o que reacendeu as críticas à escolha do Qatar como sede da Copa do Mundo, o chefe da organização do torneio publicou uma carta aberta neste sábado (19).

Secretário-geral do Comitê Supremo para Entrega e Legado, Hassan Al Thawadi disse que a primeira partida vai encerrar "uma longa e às vezes árdua jornada de 12 anos". O país ganhou o direito de receber o torneio em dezembro de 2010.

Neste domingo (20), o Mundial começa com o confronto entre a seleção da casa e o Equador.

Em uma espécie de acerto de contas com os críticos, Al Thawadi disse que a censura ao Qatar foi sustentada muitas vezes em imagens "racistas baseadas em preconceitos e estereótipos de longa data do Oriente Médio e do mundo árabe".

Na última década, órgãos de defesa dos direitos humanos denunciaram as precárias condições de trabalho dos migrantes envolvidos em obras da construção civil, a perseguição à comunidade LGBTQIA+ e os poucos direitos das mulheres.

Além de ressaltar que o Mundial é catalisador para mudanças no país, ele comemorou o sucesso na organização do evento.

"Apesar daqueles que acreditam que o Qatar e o mundo árabe são inaptos ou indignos de ser o anfitrião, os fatos sugerem que as pessoas discordam: 97% dos ingressos estão vendidos. O Reino Unido está entre os cinco principais mercados dessas vendas."

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CARTA DE AL THAWADI

Na noite de domingo, em Al Khor, no Qatar, um momento marcante no mundo árabe ficará registrado na história quando Qatar e Equador abrirem a Copa do Mundo. A cerimônia de abertura e o pontapé inicial encerrarão uma longa e às vezes árdua jornada de 12 anos, desde que nos foi concedido o direito de sediar o maior evento do mundo pela primeira vez em nossa região.

Esta Copa do Mundo é provavelmente a mais escrita e comentada, mesmo antes de uma bola ter sido chutada. É profundamente lamentável que grande parte desses comentários tenha se desviado para uma aceitação da desinformação, rejeição de nuances e profundidade, e muitas vezes sustentada por tropos racistas baseados em preconceitos e estereótipos de longa data do Oriente Médio e do mundo árabe.

Isso não quer dizer que descartamos críticas construtivas. Nós nos envolvemos diretamente e consideramos cada palavra. Garantimos que este torneio é um holofote para o progresso, contribuindo para as reformas trabalhistas internacionalmente reconhecidas do nosso país.

Nossa visão para este torneio era que ele deveria servir como uma plataforma para unir o Oriente e o Ocidente, reconhecendo nossas diferenças e celebrando nossa humanidade comum através da paixão que, em última análise, nos une –o futebol.

No atual clima global, devemos valorizar essas raras oportunidades de nos unirmos. A beleza da Copa do Mundo é que ela atrai pessoas de todos os cantos da terra, de todas as esferas da vida, e deixa um legado de amizade e compreensão que quebra mal-entendidos, preconceitos e estereótipos.

Isso é muito importante para os 450 milhões de pessoas em nossa região, que vivem e respiram futebol. Nossos povos estão ligados por meio de história, língua, cultura e religiões. Diferentes países mantêm suas próprias sutilezas. O que é indiscutível é que, da Argélia ao Qatar, o futebol é a nossa paixão comum. Desde 1930, assistimos à história criada em todos os continentes durante a Copa do Mundo. E, desta vez, é a nossa vez de ter a história criada em nossa terra.

Apesar daqueles que acreditam que o Qatar e o mundo árabe são inaptos ou indignos de ser o anfitrião, os fatos sugerem que as pessoas discordam: 97% dos ingressos estão vendidos. O Reino Unido está entre os cinco principais mercados dessas vendas.

Estamos empolgados em receber as pessoas e compartilhar a cultura de hospitalidade que apreciamos como qataris e árabes. Estamos orgulhosos de quem somos e dos valores que defendemos. Somos uma nação que sempre defendeu a abertura, o diálogo entre os povos e a aproximação das pessoas. Esses valores são a essência da Copa do Mundo.