Chefe da Olimpíada de Tóquio se retrata por comentários sexistas, mas não renuncia

Sakura Murakami
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Presidente da Olimpíada Tóquio-2020, Yoshiro Mori, durante entrevista coletiva em Tóquio

Por Sakura Murakami

TÓQUIO (Reuters) - O chefe da Olimpíada de Tóquio, Yoshiro Mori, pediu desculpas nesta quinta-feira por dizer que as mulheres falam demais, mas disse que não renunciará, e seus comentários sexistas desencadearam uma avalanche de críticas nas redes sociais e criaram o risco de contaminar a opinião pública em relação aos Jogos.

Mori, de 83 anos, se retratou em uma coletiva de imprensa convocada às pressas, mas quando foi pressionado a dizer se realmente acha que as mulheres falam demais, respondeu: "Não ouço mulheres tanto ultimamente, então não sei".

A hashtag "Mori, por favor renuncie" estava em alta no Twitter japonês nesta quinta-feira, e alguns usuários da plataforma estavam pedindo que os patrocinadores pressionem o comitê organizador de Tóquio a retirar Mori do cargo principal.

Mori, cujo mandato como primeiro-ministro foi marcado por uma série de gafes e erros grosseiros, fez os comentários durante uma reunião do conselho diretor do Comitê Olímpico Japonês (COJ).

"Se aumentarmos o número de membros femininos do conselho, temos que fazer com que seu tempo de fala seja restrito de alguma maneira, elas têm dificuldade de finalizar, o que é irritante", disse Mori, de acordo com a mídia local.

"Temos cerca de sete mulheres no comitê organizador, mas todas sabem seu lugar."

Em 2019, o COJ acertou a meta de ter mais de 40% de membros femininos no conselho, mas só há cinco mulheres entre seus 24 integrantes.

(Reportagem adicional de Ju-min Park, Elaine Lies, Chang-Ran Kim, Chris Gallagher e Akira Tomoshige, Jack Tarrant)