Cheerleaders: pedidos e regras absurdas mostram sexismo da NFL

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Cheerleaders do Dallas Cowboys durante o Draft da NFL em Dallas (Rich Graessle/Icon Sportswire via Getty Images)
Cheerleaders do Dallas Cowboys durante o Draft da NFL em Dallas (Rich Graessle/Icon Sportswire via Getty Images)

O futebol americano pode não ser um esporte extremamente popular no Brasil, mas muita gente conhece pelo menos o estereótipo em volta do esportes, com estádios lotados, muita comida e entretenimento em todo momento. E parte da atração são as cheerleaders, um cargo que, com as regras e acontecimentos da NFL, mostra o sexismo da liga.

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Tudo começou em 1954, quando o Baltimore Colts (hoje em Indianápolis) criou uma equipe de cheerleaders vestidas de forma comportada, com suéteres e saias. Mas ao passar do tempo, mais equipes foram criando suas equipes e com mais sexualização das mulheres.

Hoje, a NFL enfrenta um problema grande na área por causa de suas regras extremamente proibitivas e algumas decisões erradas de algumas franquias.

Washington e a viagem polêmica

Nesta semana, o jornal New York Times lançou uma reportagem em que ex-cheerleaders do Washington Redskins revelaram detalhes preocupantes de uma viagem para a Costa Rica em 2013 que seria para tirar as fotos do já tradicional calendário delas, mas que acabou em pesadelo para algumas delas.

Algumas das cheerleaders tiraram fotos de topless, por mais que não aparecesse nudez no produto final, ou com tinta no corpo. Até aí, tudo bem, já que elas estavam em um resort fechado. O problema é que os Redskins levaram alguns patrocinadores e donos de camarotes no estádio – todos homens – e eles puderam ter acesso ao local dos ensaios.

“Em um dos ensaios de uma amiga nós fizemos uma barreira humana para impedir que vissem ela, já que ela estava nua”, falou uma das cheerleaders ouvidas pelo jornal. “Mas mesmo assim eles tentavam achar um jeito de espiar”.

Mas a situação piorou. Nove das 36 cheerleaders que estavam na viagem foram escaladas para serem acompanhantes de patrocinadores durante uma noite em uma boate.

“Eles não estavam colocando uma arma na nossa cabeça, mas era obrigatória a presença”, disse uma das cheerleaders, que também revelou que várias delas choraram. “Nós não fomos perguntadas, fomos ordenadas. Algumas garotas ficaram bem mal porque sabiam exatamente o que estavam fazendo”.

Quando elas chegaram ao local, a boate estava vazia, a não ser pelos patrocinadores. Mas a maior revolta das cheerleaders foi que a franquia realmente estava encorajando o acontecimento, já que membros do alto escalão da diretoria estavam no local e uma assistente de banco encorajava as garotas a beber e flertar.

Não é a primeira ocorrência com o programa de cheerleaders da equipe de Washington. Em 2009, a franquia lançou uma promoção em que “cinco sortudos” teriam seus carros lavados por uma cheerleader. Na propaganda da promoção, um dos homens inclusive perguntava a outro se gostaria que uma líder de torcida o ensaboasse.

Regras e mais regras

Ser cheerleader na NFL não é fácil, muito por causa das restrições que a maioria dos times impõe para a contratação, além do salário baixo, já que muitas não o fazem como seu único emprego e recebem pouco mais que a média do salário mínimo por hora.

As cheerleaders não podem ter qualquer tipo de envolvimento com os jogadores. Mas quem tem que se cuidar são elas e não eles.

De acordo com a liga, as líderes de torcida têm que bloquear todos os jogadores da NFL, não apenas de seu time, nas redes sociais. Isso vale até para contas alternativas. Elas também são recomendadas a trancar suas contas e não podem postar imagens com itens de vestuário dos Saints.

Outras regras são até piores. Alguns clubes submetem as líderes de torcida à pesagem. E se uma cheerleader estiver em algum lugar público e um jogador chegar, ela tem que deixar o jogar.

Em janeiro deste ano, Bailey Davis foi demitida pelos Saints após dois acontecimentos. A cheerleader postou uma foto de maiô e dirigentes da equipe acharam que a imagem violava a regra de que ela não poderia aparecer nua, seminua ou de lingerie. Além disso, ela foi acusada de participar de uma festa com jogadores dos Saints.

Por causa disso, Davis entrou com um processo contra os Saints na Comissão de Oportunidades Igualitárias de Trabalho (EEOC, em inglês). No processo, a ex-cheerleader afirmava que a equipe tinha um código de conduta específica para elas que via as mulheres de forma ultrapassada, seguia a norma de problemas de gênero na NFL, que também passam por problemas em como a liga vê casos de abuso sexual e violência doméstica por parte de seus atletas.

Davis e Kristan Wade – ex-cheerleader dos Dolphins, que também move um processo semelhante – ofereceram um acordo à NFL que faria a liga pagar apenas um dólar por ação, com a condição de que elas possam conversar com o comissário Roger Goodell sobre mudanças nas regras das cheerleaders e a promessa de não acabar com as equipes por pelo menos cinco anos. Até o momento do fechamento desta matéria, a NFL não respondeu.

Caso a NFL realmente queira continuar com as cheerleaders, a liga terá que repensar muito bem na compensação e nas regras que regem o trabalho das mulheres em campo. Mas tendo em vista que a liga é realmente cabeça dura com muitas mudanças necessárias, não dá para esperar muito, infelizmente.


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