Chapecoense vive novo drama: luta contra o rebaixamento também no Catarinense

Goal.com
Depois de ser rebaixada para a Série B pela primeira vez em sua história, a equipe do sul do país também briga pra não cair no estadual
Depois de ser rebaixada para a Série B pela primeira vez em sua história, a equipe do sul do país também briga pra não cair no estadual

Depois de anos como xodó do Brasil, com direito a título continental e participações na Copa Libertadores da América, a Chapecoense está se aproximando de uma queda marcante: sem vitórias e na última colocação do Estadual, pode cair para a segunda divisão catarinense nas próximas semanas pela primeira vez na sua história.

Desde a sua fundação, em 1973, a Chape conseguiu se organizar para participar da primeira divisão rapidamente. Dessa forma, esteve presente em todas as edições da primeira divisão estadual entre 1974 e a atual. Nem mesmo Avaí e Figueirense possuem uma sequência tão grande entre os melhores de Santa Catarina, o que aumenta ainda mais o drama de quem viveu seu auge há tão pouco tempo.

Com apenas três pontos conquistados na competição, a equipe está um ponto atrás do Concórdia e a dois do Atlético Tubarão, duas equipes que ela precisa ultrapassar nas próximas três rodadas, as últimas da fase de grupos da competição. Caso contrário, terá de disputar o play-off entre os dois últimos colocados que define quem cai à segunda divisão.

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Os números bizarros, com apenas dois gols marcados até aqui, parecem decorrência da má fase também fora de campo. Rebaixada à Série B do Brasileirão em novembro do ano passado, a Chape foi talvez o maior fenômeno da década no país, marcada pela solidariedade demonstrada após o acidente envolvendo o voo da Lamia, em 2016, que vitimou 71 pessoas dentre elenco, comissão técnica, diretoria e membros da imprensa. Agora, parece regredir tão rápido quanto ascendeu.

 

 

 

 

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MUITO MAIS FORTES! 💚⚽🏹 ⠀ 📷 Márcio Cunha/ACF ⠀ #VamosChape ⠀ ⠀

Uma publicação compartilhada por Chapecoense (@chapecoensereal) em 4 de Dez, 2019 às 4:36 PST

"Não tem muito o que falar, a gente está de cabeça quente. Peço desculpa para vocês, mas o sentimento é de vergonha. Eu estou muito envergonhado", disse o atual presidente do clube, Paulo Magro, após uma derrota para o Criciúma, na semana passada.

Magro assumiu o comando do clube no dia 1º de novembro do ano passado, quando Plínio de Nes Filho, que havia herdado o cargo após a queda da aeronave na Colômbia, renunciou. De Nes Filho era membro da diretoria de Sandro Pallaoro, um dos 71 mortos no acidente, e disse que suas ideias "entraram em conflito com alguns membros do Conselho" na sua renúncia.

Ainda sob a sombra das famílias das vítimas do voo da Lamia, que buscam na Justiça uma indenização - são mais de 38 ações já impetradas contra o clube, que acredita não ter culpa no ocorrido e aponta a empresa aérea como a real causadora da tragédia -, a Chape vivia anos dourados até o péssimo momento recente.

Foram três acessos consecutivos, da Série D para a A, pintando como atração por resultados marcantes na elite após golear Internacional (5 a 0) e Palmeiras (5 a 1) em seus primeiros anos de Série A. Mantendo-se na elite e disputando duas edições de Libertadores da América, chegou a ostentar o título de que "nunca havia caído". Quebrado há dois meses com o rebaixamento no Brasileiro, o tabu pode ficar mais doloroso nos próximos dias.

A equipe, que joga contra o São José-RS nesta quinta, pela Copa do Brasil, visita o Figueirense no domingo, em Florianópolis, e tem compromissos no dia 8 de março, contra o Joinville, em casa, e frente ao Tubarão, no dia 15, este último um provável confronto direto contra o descenso.

Na busca por uma reação, Paulo Magro chegou a bancar a permanência de Hemerson Maria, mas optou por demitir o treinador um dia depois. O pouco conhecido Umberto Louzer, que estreou com vitória sobre o Boavista, na Copa do Brasil, foi quem ganhou a missão de salvar a equipe.

"É normal os colegas não conhecerem, o torcedor não conhecer. Mas o profissional que aqui está vai representar muito bem a Chapecoense. Vou vivenciar 24 horas por dia, porque é minha paixão. Vou fazer de tudo para sair desse quadro adverso com toda equipe", assegurou o novo comandante.

Os comandados de Louzer terão que suar para tentar sair desta situação, que seria inédita na história da agremiação de Chapecó. Junto com a equipe, boa parte do Brasil ainda torce por seu antigo xodó.

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