Chapecoense inicia novo sonho contra Zulia na Libertadores

Por Esteban ROJAS

Há jogos de futebol que transcendem os gols e os três pontos em disputa. O desta terça-feira entre Chapecoense e Zulia, pela Copa Libertadores-2017, na Venezuela, marca a volta da equipe catarinense ao cenário internacional, após a tragédia aérea do ano passado.

Quando o árbitro apitar o início do jogo no estádio Pachencho Romero, a Chapecoense iniciará um novo sonho, desta vez estreando na Libertadores, desafio que assume como uma homenagem aos heróis eternizados com o título da Copa Sul-Americana-2016, após o acidente em 28 de novembro.

"Vamos dar o máximo para deixar orgulhosos os companheiros que estão no céu", declarou nesta segunda-feira o atacante Túlio de Melo, uma das contratações da Chape para a nova temporada, ao desembarcar na cidade Maracaibo, no noroeste venezuelano.

O clube catarinense realizou 22 contratações, após 19 jogadores e o técnico, Caio Júnior, falecerem no acidente que custou a vida de 71 das 77 pessoas a bordo do voo que levava a equipe a Medellin para enfrentar o Atlético Nacional, na final da Copa Sul-Americana.

Seu adversário cedeu o troféu da competição, como mostra de solidariedade.

O novo técnico da Chapecoense, Vagner Mancini, tem a difícil missão de fazer renascer a alegria após o luto. O objetivo é "recordar de todos" os falecidos "jogando um bom futebol".

Consciente de que as atenções estarão centradas na Chape, o Zulia aguarda com respeito e focado em seu próprio jogo.

"Foi uma tragédia lamentável, mas eles virão jogar seu jogo e não podemos entrar em campo pensando no que aconteceu, porque senão vão nos atropelar", afirmou o capitão do Zulia, Juan Arango, após os treinos desta segunda-feira.

Chapecoense e Zulia integram o grupo 7, ao lado do argentino Lanús e o uruguaio Nacional.

Lembranças inapagáveis

A Chapecoense ainda jogava na quarta divisão brasileira em 2009 e começou uma incrível ascensão, que levou a equipe à primeira divisão em 2013 e à glória na Copa Sul-Americana, sem saber da tragédia que estaria em seu caminho.

Seus jogadores deixaram lembranças inapagáveis.

Renny Vega, goleiro do Zulia, com grande experiência na seleção venezuelana, guarda na memória os grandes momentos que o falecido Danilo teve defendendo o gol da Chapecoense.

"Um dos grandes goleiros que havia na América do Sul era Danilo. Eu o acompanhava e lembro muito bem", declarou Vega à AFP.

Milhões de amantes do futebol, como Vega, guardam na memória imagens da incrível trajetória da Chapecoense, que saiu do ostracismo para entrar na história. Em duelos como desta terça-feira, é impossível evitar que essas imagens voltem com força.

Por essa razão, a partida "vai paralisar o mundo do futebol", afirmou Vega.

Outros protagonistas

Dois dos integrantes do elenco da Chapecoense de 2016, Moisés Ribeiro e Neném, foram convocados por Mancini para enfrentar o Zulia.

Os dois atletas, que não estavam a bordo do fatídico voo, sofreram à distância com seus companheiros e agora têm a oportunidade de homenageá-los na Libertadores.

Rodeados por outros protagonistas, começaram a dar forma aos novos sonhos desde que a Chapecoense voltou aos campos em 21 de janeiro, em amistoso contra o Palmeiras, na Arena Condá.

Artur Moraes defende o gol que por muito tempo pertenceu a Danilo, peças como Andrei Girotto, Arthur e Niltinho são responsáveis pela criação e o rodado Wellington Paulista tem a dever de balançar as redes no ataque.

"Temos muito potencial, temos muitas ambições e, sempre olhando para frente, vamos tentar chegar o mais longe possível na Copa Libertadores", afirmou Túlio de Melo.

Já o Zulia espera ajudar a engrandecer o palco da volta da Chapecoense ao cenário internacional. O clube venezuelano tem jogadores de nível para cumprir o objetivo, como o próprio Arango -ex-capitão da seleção da Venezuela-, que voltou a jogar em seu país após 16 anos atuando no México, na Espanha, na Alemanha e nos Estados Unidos.

Chegou o dia, chegou a hora de voltar a sonhar.