Ceni identifica lado mental como maior problema do Flamengo; VP rechaçou necessidade de profissional

Matheus Dantas
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No confronto pelas quartas de final da Copa do Brasil, o São Paulo eliminou o Flamengo com um placar agregado de 5 a 1. Os jogos de ida, no Maracanã, e de volta, no Morumbi, apresentaram um cenário similar: domínio do time de Rogério Ceni nas etapas iniciais, e, após o intervalo, gols do Tricolor logo nos primeiros minutos. Então, o lado psicológico pesou na avaliação do treinador do Flamengo, que identificou que o "maior problema está na cabeça" do grupo.

As palavras de Rogério Ceni, que assumiu o comando do Flamengo há 10 dias, entram em "choque" com o que foi dito pelo vice-presidente de futebol Marcos Braz. No dia 5 de novembro, quando Domènec Torrent ainda era o técnico do Rubro-Negro, o dirigente rechaçou a necessidade de ter um psicólogo à disposição do elenco profissional, ressaltando os êxitos alcançados pelo clube sem esse profissional no departamento desde o primeiro trimestre de 2019.

Mesmo com este problema e os diversos desfalques, Rogério Ceni mantém a confiança na recuperação do grupo, inclusive na próxima terça-feira, quando enfrenta o Racing, na Argentina, pela ida das oitavas de final da Libertadores.

- Não só tem como recuperar o elenco para a Libertadores, como faremos. Mas o maior problema está na cabeça. Precisamos recuperar isso. Sofremos dois gols parecidos e o time sente muito - comentou Ceni após o 3 a 0 no Morumbi.

O Flamengo afastou Alberto Figueiras do departamento de futebol no primeiro trimestre de 2019, e, desde então, o elenco profissional não tem um psicólogo à disposição no dia a dia do Ninho do Urubu. Entre junho de 2019 e junho de 2020, com a chegada de Jorge Jesus e sua comissão técnica, Evandro Motta (mental coach que acompanha o Mister há anos) foi o responsável por trabalhar o lado mental da equipe do Mister, mas não é formado em psicologia.

Evandro Motta deixou o clube junto com Jorge Jesus, e nenhum profissional chegou ao Flamengo para exercer sua função ou a de um psicólogo, por exemplo. Em entrevista recente, no Ninho do Urubu no dia 5 de novembro, o vice-presidente Marcos Braz respondeu foi questionado sobre o assunto, e reforçou o entendimento que, até duas semanas atrás, não via a necessidade da contratação de um profissional, tampouco ouvia dos atletas tal carência.

- O Flamengo não tem um psicólogo (no time profissional) há algum tempo. Se não me engano, desde junho. Junho não, desde abril de 2019. E, depois de abril do ano passado, ganhamos Estadual, Brasileiro, Libertadores, fomos vice-campeão do mundo, voltamos a ganhar o Estadual, ganhamos a Recopa, ganhamos Supercopa. E não tinha psicólogo. Entendemos a importância do psicólogo, muito maior para a divisão de base. Essa é a questão. Os jogadores, aqui, não veem essa necessidade. Se tivesse essa demanda aqui, se entendêssemos, víssemos os jogadores entendendo que precisa de um psicólogo aqui, contrataríamos tranquilamente. Teria que haver uma demanda. Não tem nenhum jogador que precisa disso nesse momento - afirmou Braz.