Ceni e Lisca buscam títulos inéditos no Cearense

Yahoo Esportes
(Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)
(Foto: Leonardo Moreira/Fortaleza EC)

Por Afonso Ribeiro

Rogério Mücke Ceni e Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi têm 46 anos, são separados por cinco meses nas datas de nascimento - o segundo é mais velho - e podem ser considerados da mesma geração. Na carreira profissional à beira dos gramados, entretanto, a diferença de tempo é maior.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

Enquanto o paranaense de Pato Branco foi goleiro e se tornou mito no São Paulo, o filho de Porto Alegre rumou cedo para a carreira de técnico no futebol gaúcho, em escolinhas e categorias de base. Hoje à frente de Fortaleza e Ceará, respectivamente, os dois têm o mesmo objetivo: conquistar o título do Campeonato Cearense para aumentar a galeria pessoal de troféus. No primeiro jogo da decisão, o Leão levou a melhor sobre o Vovô: vitória por 2 a 0, com dois gols do atacante Edinho.

Lisca iniciou a trajetória como treinador aos 17 anos, no Internacional, como relatou em entrevista exclusiva ao Yahoo Esportes. Passou por todas as categorias nas divisões de base até chegar ao cargo de auxiliar do time profissional. Depois decidiu se aventurar como comandante. Passou por Juventude, Caxias, Luverdense, Chapecoense, Náutico, Sampaio Corrêa, Joinville, Paraná, Guarani, o próprio Inter... Com o estilo enérgico e o apelido de Doido, ganhou fama por tirar as equipes de situações complicadas, como o próprio Ceará, em 2015 e 2018.

Apesar da longa rodagem, o técnico alvinegro tem poucas taças no currículo. Faturou a Segunda Divisão do Campeonato Gaúcho com o Porto Alegre, em 2009, a Copa do Mato Grosso de 2011, pelo Luverdense, e a Copa FGF de 2012 com o Juventude. Identificado com o Ceará por evitar dois rebaixamentos, Lisca quer conquistar o primeiro título em Porangabuçu e apagar a imagem de 2016, quando viu o time ficar fora da semifinal do Estadual e acabou demitido.

"Sempre é difícil, mas palpável, muito pelo regulamento. A gente não precisa virar, mas empatar a partida. São dois gols de diferença. Como eles fizeram dois nesse domingo, nada impede que a gente faça dois gols de diferença no próximo domingo, ainda mais em um jogo parelho. Os três clássicos foram bem parelhos. Hoje (domingo) teve essa vantagem por falta de aproveitamento nosso e bom aproveitamento deles, mas o jogo tá em aberto. Foram dois tempos e faltam dois agora. Vamos buscar primeiro um gol para emparelhar e depois buscar o empate e talvez até a virada para garantir esse campeonato no domingo", ponderou Lisca.

Rogério Ceni, por sua vez, dedicou-se à carreira de jogador profissional durante duas décadas e meia com a camisa 01 do São Paulo. Multicampeão e goleiro-artilheiro, pendurou as chuteiras - e luvas - ao final de 2015. Após um ano de cursos e visitas a clubes, assumiu a prancheta, o apito e o boné em 2017, no próprio Tricolor paulista. Durou apenas seis meses.

No ano seguinte, aceitou o desafio de comandar o Fortaleza na Série B do Campeonato Brasileiro. Foi vice-campeão do Estadual, atuou nos bastidores em negociações e melhorias estruturais para o clube e conquistou o inédito título nacional assegurando o retorno à elite do futebol nacional após 13 anos. Fez novas solicitações para estender o vínculo e acertou a permanência para 2019. O treinador, portanto, busca o segundo troféu na nova carreira - o primeiro Estadual.

"É uma possibilidade de ser campeão, e nós temos que fazer o nosso melhor. Foi o que eu falei para eles (jogadores) hoje (domingo): 'Desejem muito viver esse momento, porque isso é especial no futebol. E aí passa rápido'. Eu cheguei em muitas finais e não vejo por onde elas foram embora. Tenho os quadros dos títulos que eu guardo, as derrotas também guardadas na memória, mas isso é muito especial. Jogar uma final, em um palco desse, com essa torcida, tem que ser guardado. Quando você tem a oportunidade de ser campeão não pode desperdiçar. Isso acontece poucas vezes na carreira e tem que agarrar da melhor maneira que puder, lutar e não deixar nada faltar dentro do campo. Se culminar com uma invencibilidade, que é completamente secundária, ótimo, mas o importante é que a gente saia campeão do jogo de domingo", afirmou Ceni, questionado sobre a possibilidade de o time completar 11 jogos invicto no próximo duelo.

Fortaleza sai na frente

Os arquirrivais vivem momentos distintos na temporada: o Tricolor está na semifinal da Copa do Nordeste, enquanto o Vovô já se despediu do certame regional e da Copa do Brasil. No Estadual, com a vitória no primeiro confronto da final, o Leão pode conquistar a taça até com uma derrota por um gol de diferença no próximo domingo, na Arena Castelão. Já o Alvinegro, pelo regulamento, precisa de um triunfo por ao menos dois gols de diferença para festejar o tricampeonato.

(Foto: Mauro Jefferson/cearasc.com)
(Foto: Mauro Jefferson/cearasc.com)

"Vamos olhar o jogo novamente, fazer uma análise mais criteriosa, olhar a condição dos nossos jogadores, como eles vão responder na semana, quem vai estar melhor preparado em todos os aspectos: técnico, tático, físico e mental. Vamos trabalhar bem isso, aqueles jogadores que têm mais poder de instigação, mais entrega. Isso nos faltou em decisão. Estamos fazendo bom trabalho em pontos corridos, chegando na frente nas competições, desempenhando bem, mas o poder de decisão está deixando a desejar, ao contrário do nosso time do ano passado, que tinha muitos jogadores com esse poder de decisão. Alguns saíram e estão nos fazendo falta nesse aspecto, e os que chegaram nós precisamos colocar esse espírito o mais rápido possível. Só temos uma semana para isso", disse Lisca.

"A gente vive os 90 minutos. Na segunda partida, nós vamos buscar o primeiro gol e, conseguindo o primeiro gol, vamos buscar o segundo, que nos dá o título. É o que resta para a gente. A gente não pode ser moroso, ficar esperando muito, mas, ao mesmo tempo, também não pode se atirar de qualquer jeito. Tem que ter estratégia, cabeça e mentalidade forte nesse momento, guerrear um pouquinho mais. A nossa cobrança é essa também, porque hoje (domingo) a gente batalhou um pouco menos do que vem apresentando. A gente tem que se concentrar e viver esses 90 minutos durante essa semana, não deixar para reverter somente lá. A gente vai trabalhar firme essa semana para tentar reverter essa situação. A gente tem que buscar primeiro o 2 a 1, depois o 2 a 2 e tentar buscar o título", comentou o zagueiro alvinegro Tiago Alves.

"Eu acho uma vantagem mínima. É uma vantagem de um gol. Como eles jogam pelo empate, o segundo gol dá a chance de o Ceará ser campeão. É um placar que eles podem reverter. Seria completamente aceitável. Se o Fortaleza fez 2 a 0, o Ceará também pode fazer 2 a 0. Ela existe, mas é mínima. Começa 0 a 0 o outro jogo, e nós temos que tentar ganhar de novo. Esse é o meu objetivo. Não quero jogar para não perder", avisou Ceni.

"É mais um jogo difícil que a gente tem. A gente sabe que clássico é clássico. Não existe vantagem quando se fala de clássico, tudo pode acontecer. Há duas horas, o Ceará tinha a vantagem de um gol, agora nós temos essa vantagem. Então, é ser inteligente, manter a intensidade e pôr em prática o que a gente vem fazendo desde o começo do semestre, não fugir das nossas origens e manter o que vem fazendo. Quando você faz o que treina e está preparado para fazer, a chance de dar certo é muito maior. É manter aquilo que a gente fez, saber fazer a leitura boa do jogo e ter inteligência de pressionar na hora certa e saber marcar na hora certa também", alertou o goleiro tricolor Felipe Alves.

Ceni vence primeiro Clássico-Rei

O resultado do primeiro jogo da decisão, além de movimentar a disputa pelo título, derrubou o tabu de Rogério Ceni contra o Ceará como comandante tricolor. Eram seis confrontos desde o ano passado, com três derrotas e três empates - o Fortaleza estava sem vencer o rival durante o mesmo período. Em 2019, os outros dois duelos terminaram empatados: 0 a 0 e 1 a 1.

"Todo clássico tem suas marcas. Para mim, é um jogo de futebol. Se eu tivesse perdido do Floresta, não teria a oportunidade de estar aqui hoje. Eu encaro todos os jogos como o mais importante que tem. É lógico que para o torcedor fica aquele gosto... Agora, vamos lembrar que a gente tem domingo que vem, que decide a história do campeonato e de botar mais um quadro na parede, e é isso que eles têm que entender. Foco nisso. A vitória é muito boa, doce, mas acaba e você já tem a próxima semana. Esse time mostrou para o torcedor que tem condições de brigar pelo título. Que a gente continue assim no próximo domingo", disse o treinador.

Lisca, por sua vez, segue sem vencer o Tricolor à frente do Vovô. São duas derrotas e três empates em cinco confrontos entre 2016 e 2019.

Mais de Futebol Nordestino no Yahoo Esportes

Mais no Yahoo Esportes:

Vasco e Flamengo tomam prejuízo em plena final do Carioca

Final aberta do Paulista com um SP em ascensão contra um Corinthians abaixo da média

Justiça dá ganho a Gustavo Henrique e Dorival em ação de árbitro

Vídeo de Cristiano Ronaldo escancara falta de incentivo a meninas no futebol

Leia também