Ceará x Botafogo: A derrota que define o Brasileirão nada Glorioso do clube de General Severiano

João Alexandre Borges
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O apito final do árbitro Raphael Claus encerrou não só a partida no Castelão, como também a trajetória do Botafogo na primeira divisão. O Alvinegro Carioca fez um primeiro tempo aquém do esperado, mas voltou ligado do intervalo e fez um segundo tempo melhor do que o adversário. Contudo, como de praxe ao longo do Brasileirão de 2020, ser superior ao adversário não é suficiente para o Glorioso sair com a vitória.

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Logo aos 14 minutos do primeiro tempo, o Botafogo quase abriu o placar. O jovem Kayque, destaque positivo na partida, desarmou Felipe Vizeu, a bola sobrou para Warley, que invadiu a área pela direita e encontrou o próprio Kayque na marca do pênalti. No entanto, mesmo com o goleiro Richard vendido na jogada, o camisa 49 pegou muito mal e isolou.

A máxima quem não faz, leva fez-se valer no Castelão. Em uma falha atípica do goleiro Diego Loureiro, que vinha de grande atuação contra o São Paulo, Pedro Naressi abriu o placar para o Vozão. Detalhe: este foi o primeiro chute do Ceará na partida. A partir daí, o Alvinegro Cearense começou a ter domínio do jogo.

Nesse momento, passa um filme na cabeça do botafoguense: "ainda éramos melhores na partida, mas desperdiçamos um bom ataque, e o nosso adversário, não".

A MARÉ VIRA A FAVOR DO GLORIOSO
Na segunda etapa, o Botafogo foi outro. Tomou conta da bola e buscou o empate. Em apenas nove minutos, algo inesperado acontece: o chute de Ênio bate no braço aberto do zagueiro Klaus, do Ceará. O VAR chama e o árbitro marca a penalidade. A tecnologia, que confirmou um pênalti duvidoso de Sousa em Galeano no jogo da 37ª rodada e tão questionada por torcedores, dirigentes e jogadores do Botafogo, deu uma marcação a favor do time carioca.

Matheus Babi foi para a bola e bateu bem, no canto esquerdo do goleiro Richard. Com a partida empatada em 1 a 1, o Botafogo continuava pressionando o Ceará em busca da virada. O jogo não foi brilhante tecnicamente, mas a disposição para atacar tornou-se uma característica desse novo Botafogo formado majoritariamente por garotos.

VAI QUE DÁ
Alguns detalhes dessa partida lembraram o confronto diante do São Paulo, no estádio Nilton Santos, na 37ª rodada. Contra o Tricolor Paulista, o Botafogo já era melhor quando Reinaldo foi expulso. A partir daí, o time carioca, de fato, dominou o jogo, e conseguiu o gol da vitória.

Contra o Ceará, o mesmo aconteceu. Klaus recebe o segundo amarelo e é expulso aos 36 minutos do segundo tempo. O Botafogo, que já era melhor, vai para cima e tenta a virada. Aos 44 minutos, Saulo Mineiro faz grande jogada e, cara a cara com Diego Loureiro, finaliza no cantinho, mas o arqueiro alvinegro faz uma difícil defesa. Essa parecia ser a grande chance do Vozão de conseguir a improvável vitória.

O BOTAFOGO DE 2020 RESSURGE
No entanto, apesar de um bom segundo tempo, com direito a dez finalizações e 59% de posse de bola, a partida terminou com uma definição do que foi o Brasileirão de 2020 para o clube de General Severiano. Marcelo Benevenuto se atrapalha com o quique de bola, Saulo Mineiro rouba, avança e põe o Vozão na frente novamente aos 48 minutos da etapa final.

O resultado definiu bem o que foi o ano do Botafogo, principalmente aquele do primeiro turno: conseguia ser superior ao adversário, tinha as oportunidades para sair com os três pontos, mas não vencia. Aliás, este foi mais um jogo em que o time deixa de pontuar porque tomou um gol nos minutos finais. Aconteceu no empate contra o Flamengo, Athletico-PR e Corinthians, por exemplo.

No total, o Botafogo teve mais posse de bola e 17 finalizações, mas isso não foi o suficiente para evitar a derrota. O clube foi rebaixado para a série B na última posição, com 27 pontos conquistados e apenas cinco vitórias. Cabe agora a nova diretoria e ao novo treinador, Marcelo Chamusca, reerguer o clube de General Severiano para que ele encontre, novamente, os anos Gloriosos.