CBF tenta resgatar Supercopa após fracassos dos anos 1990

BRUNO RODRIGUES E JOÃO GABRIEL
Folhapress

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Depois de quase 30 anos sem aparecer no calendário do futebol nacional, a Supercopa do Brasil voltou. Neste domingo (16), às 11h, o campeão brasileiro Flamengo e o campeão da Copa do Brasil Athletico-PR disputam o troféu em jogo único no estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Neste resgate da competição, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) busca dar ares de grandiosidade ao evento, principalmente por meio do valor da premiação: R$ 5 milhões para o campeão e R$ 2 milhões para o vice.

O valor do prêmio e a oportunidade de levantar uma taça no início da temporada motivam athleticanos e flamenguistas a entrarem com força máxima para o confronto.

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O evento foi concebido para abrir a temporada do futebol brasileiro. Ele seria realizado no dia 16 de janeiro, ainda antes do início dos Estaduais. Não havia sido considerada pela confederação, porém, a possibilidade de o campeão brasileiro ser também o campeão da Libertadores. Com a dupla conquista do Flamengo, a confederação teve de adiar a disputa do troféu para respeitar o período de férias do clube rubro-negro, que só começou após o Mundial de Clubes, encerrado em 21 de dezembro de 2019.

"A Supercopa é uma aposta da CBF. Em termos de portfólio de competições, era o que faltava", diz à reportagem o diretor de competições da confederação, Manoel Flores. "O jogo único foi uma escolha técnica, dá um caráter neutro à disputa e para o calendário é mais viável. Comercialmente também é mais interessante."

A ideia da CBF é fazer um rodízio de sedes nas próximas edições. Para o duelo em Brasília, 40 mil ingressos (de um total de 71 mil) foram vendidos até esta sexta-feira (14).

O Flamengo jogou três vezes no Mané Garrincha pelo Brasileiro do ano passado (Vasco, CSA e Avaí), com média de 50.200 torcedores por partida. No clássico com os vascaínos, que recebeu 65.418 pagantes, o ingresso mais barato era o da arquibancada superior, a R$ 65 (meia-entrada).

A mesma arquibancada é vendida a R$ 100 (meia) para a Supercopa, que tem ingressos de até R$ 600 para camarotes. Um desses camarotes, inclusive, receberá um pocket show da dupla sertaneja Maiara e Maraísa e custará R$ 500, sem opção de meia-entrada.

A Supercopa terá transmissão da Globo e do SporTV. A geração de imagens, porém, será da própria CBF, com 17 câmeras. O Canal 11, de Portugal, também adquiriu os direitos para transmitir os jogos.

A tentativa de fazer com que a Supercopa enfim tenha sucesso no Brasil contrasta com o fracasso das duas únicas edições realizadas do torneio.

A primeiras delas, em 1990, correu o risco de não acontecer em razão da falta de datas livres no calendário. Inicialmente, o duelo entre Vasco (campeão brasileiro de 1989) e Grêmio (campeão da Copa do Brasil de 1989) estava previsto para o mês de janeiro.

"Só sabemos que não será mais possível jogar com o Vasco no dia 28 deste mês [janeiro]. Seria melhor até que esse jogo não ocorresse mais", disse o então presidente gremista Paulo Odone, cuja declaração consta na edição de 10 de janeiro de 1990 do jornal O Fluminense.

Sem previsão de conseguir encaixar o torneio em meio às disputas dos estaduais e da Libertadores (os gaúchos estavam também na Copa do Brasil), Grêmio, Vasco e a CBF acordaram que os confrontos entre ambos pela fase de grupos do torneio continental valeriam pela Supercopa.

No dia 14 de março, a equipe tricolor recebeu os vascaínos no Olímpico, em Porto Alegre, e venceu por 2 a 0, gols de Nílson e Darci. A partida começou com cerca de meia hora de atraso por conta de falta de energia elétrica no estádio, que recebeu pouco mais de 37 mil torcedores.

No duelo de volta, realizado no dia 18 de abril, em São Januário, o empate em 0 a 0 deu o título da Supercopa ao Grêmio, comandado por Evaristo de Macedo. Ambos os jogos foram transmitidos pela extinta TV Manchete.

Para a edição de 1991, a CBF optou por promover a competição em jogo único. O Corinthians, campeão nacional no ano anterior, e o Flamengo, vencedor da Copa do Brasil, decidiram o título no Morumbi, em São Paulo. A TV Bandeirantes transmitiu a partida.

Na edição de 27 de janeiro de 1991, dia do jogo, o jornal Folha de S.Paulo relatou que o time paulista ainda não sabia qual seria o critério de desempate em caso de igualdade no placar.

"Só tomaremos conhecimento [do critério] na hora do jogo através do representante da CBF", disse à reportagem o então dirigente alvinegro Adilson Toledo.

A principal notícia do Corinthians, contudo, não era o confronto com o Flamengo de Vanderlei Luxemburgo. Naquele mesmo 27 de janeiro, houve eleição presidencial no clube, que terminou com vitória de Marlene Matheus com 37,2 % dos votos.

Apenas 2.706 pagantes assistiram, debaixo de chuva no estádio do Morumbi, ao gol do corintiano Neto, que valeu o título da Supercopa. A taça não é mencionada entre as principais conquistas do clube no site do Corinthians.

GRÊMIO ESPERA TAÇA

Após o apito final da terceira edição da Supercopa do Brasil, jogadores de Flamengo ou Athletico-PR levantarão o troféu de campeão do torneio. O ritual, praxe para condecorar os campeões, foi deixado de lado na primeira edição da competição, em 1990.

O Grêmio, que superou o Vasco com um placar agregado de 2 a 0 naquele ano, ostenta o título em suas estatísticas, mas nunca recebeu a taça. Agora, o clube gaúcho tenta conseguir com a confederação um artefato simbólico para exibir em seu museu, que está sendo modernizado.

À reportagem o atual presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, afirmou que clube enviou um requerimento à entidade. "Não vai alterar absolutamente nada [sobre a conquista], mas a memória do clube precisa ser preservada", disse.

Manoel Flores, diretor de competições da CBF, afirmou que a confederação está conversando com o clube sobre o assunto. "Qualquer reconhecimento [de título] passa por um crivo técnico. Ainda não temos uma posição", disse.

FLAMENGO

Diego Alves; Rafinha, Thuler, Rodrigo Caio e Filipe Luís; Arão, Gerson e Everton Ribeiro; Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol. T.: Jorge Jesus

ATHLETICO-PR

Santos; Khellven, Thiago Heleno, Lucas Halter e Márcio Azevedo; Wellington, Erick, Cittadini e Marquinhos Gabriel; Nikão e Rony. T.: Dorival Júnior

Estádio: Mané Garrincha, em Brasília (DF)

Horário: 11h deste domingo

Árbitro: Wilton Sampaio (GO)

TV: Globo e SporTV

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