Demorou

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Brazilian Football Confederation (CBF) new president Rogerio Caboclo poses during a press conference after taking office, at the CBF headquarters in Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, Brazil on April 9, 2019. (Photo by Douglas Shineidr / AFP)        (Photo credit should read DOUGLAS SHINEIDR/AFP/Getty Images)
Rogério Caboclo na cerimônia de posse da presidência da CBF em abril de 2019 (DOUGLAS SHINEIDR/AFP/Getty Images)

Presidente da CBF foi afastado por 30 dias pela Comissão de Ética da entidade (sim, ela existe, e funciona). Tanto que as gravíssimas denúncias contra o titular Rogério Caboclo denunciadas na sexta-feira pelo GE (e que há 45 dias já se imaginavam...) levaram ao afastamento do cartola até que sejam averiguadas - pretensamente. 

Como se pede em qualquer instituição séria. Ou pretensamente seria. 

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Como diria o meu filho - "demorou". Isto é: está "fechado". "Vamos lá". "OK". "Tá feito".

Demorou mesmo.

Não só para a atitude ser tomada na CBF - e o primeiro a pedir um tempo seria o próprio presidente. Demorou também para que outras situações semelhantes aconteçam em outras associações em supostos e/ou comprovados casos de assédios que desde que o homem é um australopiteco acontecem.

E até demorou para que saísse o presidente que há 6 dias rapidamente aceitou o pedido da Comenbol para sediar a Copa América que a Argentina não pôde fazer. E o Brasil de Bolsonaro prontamente se mostrou apto para receber o torneio em casa.

Com a ascensão do inefável Coronel Nunes de volta ao trono da Barra, talvez o diálogo entre ele e o capitão presidente do país seja mais direto que uma salva de tiros. Talvez Nunes preste continência ao dono da bola. Talvez o interesse mais político do que esportivo prevaleça e Tite deixe o cargo depois da partida contra o Paraguai, na terça, pelas Eliminatórias - sim, ainda temos Copa do Mundo na terça!

Acredite. E creia sempre neste país que desmoralizou o inacreditável.

E saiba que vice mandar mais do que presidente é praxe na CBF. Foi assim de 1986 a 1988, quando Otávio Pinto Guimarães e Nabi Abi Chedid trocaram cargos para poderem se eleger contra Medrado Dias por causa da idade do cabeça de chapa. E a cizânia se instalou. 

Foi assim de 2012 a 2015, quando José Maria Marin assumiu depois de Ricardo Teixeira deixar a sua capitania hereditária - mas já era Marco Polo del Nero quem ditava o jogo. Até Marin ser preso na Suíça (e já não era o presidente da entidade). 

Marco Polo ainda se manteve assinando papéis (ou mandando a caneta) até o Coronel Nunes (outro vice) assumir, em 2017, com o banimento do presidente pela Fifa. Mas MP seguiu apitando à distância (por óbvio) até Caboclo assumir de vez a presidência, em 2019.

Por ora volta tudo a ser como era.

A uma semana da Copa América que Coronel Nunes irá organizar.

Sem que se saiba ainda qual será a Seleção que estará em campo. 

E dirigida por quem.

Desgovernada, já sabemos.