CBF apresenta o menor lucro desde 2007

SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO (FOLHAPRESS) - A CBF registrou em 2016 o menor lucro desta década. De acordo com o balanço financeiro da entidade, aprovado na tarde desta terça (18) pela assembleia geral, a entidade comandada por Marco Polo Del Nero teve um superávit de R$ 44 milhões no ano da conquista do ouro olímpico.

Foi o pior resultado positivo nas contas da entidade desde 2007. Na época, a CBF anunciou um lucro de R$ 10,4 milhões. O valor deflacionado pelo IPCA corresponde a R$ 18,3 milhões.

Em apenas um ano, o superávit da entidade caiu R$ 28 milhões. Em 2015, ano da prisão de José Maria Marin, a confederação teve um lucro de R$ 72 milhões.

Apesar da queda do superávit, a CBF teve em 2016 o seu faturamento recorde. A entidade arrecadou R$ 647 milhões, ante R$ 518,8 milhões no ano anterior. Nenhum clubes brasileiro conseguiu faturar tanto.

Segundo o secretário-geral da entidade, Walter Feldman, a desvalorização da moeda brasileira foi uma das responsáveis pelo lucro ter caído em 2016.

"A variação cambial gerou uma queda de R$ 39 milhões", disse Feldman.

A maioria dos contratos da CBF são registrados em moedas estrangeiras (dólar e euro).

A entidade arrecadou R$ 411 milhões com patrocínios no ano passado. Em 2015, o resultado foi de R$ 339,6 milhões.

Além da variação cambial, Feldman justificou a queda no lucro ao "crescente investimento no futebol".

"A CBF começou há dois anos um novo modelo de gestão. Esse modelo busca ampliar receitas e reduzir despesas, trabalhando muito, investindo prioritariamente no futebol", disse o secretário-geral. "O investimento no futebol foi em torno de R$ 288 milhões. Isso incluiu seleções, competições e fomento geral ao futebol", acrescentou.

Apesar de o balanço ter sido aprovado pelos 27 representantes de federações estaduais, a entidade ainda não publicou o resultado financeiro no seu site. O presidente da CBF não deu entrevista sobre o balanço.

Em dezembro de 2015, Del Nero CBF foi acusado pelo FBI de ser um dos beneficiários de um esquema de recebimento de propina na venda de direitos de torneios no país e no exterior.

José Maria Marin, seu antecessor na CBF, cumpre prisão domiciliar nos EUA pela mesma acusação.

Desde então, Del Nero nunca mais deixou o país. Ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira também foi acusado pelo FBI e adotou a mesma estratégia de Del Nero. Ele vive no Rio e não viaja mais ao exterior.

No início do mês, a Fifa anunciou que teve um prejuízo de US$ 369 milhões (R$ 1,15 bilhão) no ano de 2016. De acordo com a entidade, isso ocorreu devido a um aumento significativo no desenvolvimento do futebol e uma despesa "extraordinária", que não foi especificada. A Fifa teve uma série de dirigentes presos acusados de corrupção em 2015.