Caso Peng Shuai ameaça interesses da WTA na China

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O paradeiro da tenista Peng Shuai é um mistério há duas semanas (AFP/XAUME OLLEROS)
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A WTA, que administra o circuito mundial de tênis feminino, põe em risco um de seus principais mercados ao pressionar a China pelo desaparecimento da tenista Peng Shuai, que denunciou ter sido estuprada por uma autoridade do alto escalão no país.

Antes da pandemia, a Women's Tennis Association (WTA) organizava a cada ano 10 torneios na China (de mais de 60), incluindo o Master de Shenzhen - o mais lucrativo de todos.

Estas competições eram dotadas de um total de US$ 30 milhões.

A WTA levantou sua voz diante do silêncio de Pequim após o desaparecimento de Peng Shuai, ex-campeã de duplas, após acusar Zhang Gaoli, um ex-líder do Partido Comunista, de estuprá-la.

O regime apagou rapidamente a postagem atribuída a Peng Shuai nas redes sociais chinesas.

A WTA exigiu uma investigação "transparente e justa" das acusações feitas pela atleta. Seu diretor, Steve Simon, destacou na rede CNN a possibilidade de retirar as competições do país.

"Estamos prontos para retirar nosso negócio e enfrentar todas as complicações derivadas, porque isso é mais importante do que negócios", disse Simon.

Na quarta-feira (17), o canal oficial chinês em inglês CGTN divulgou uma captura de tela de um e-mail atribuído a Peng Shuai e supostamente endereçado à WTA, em que dizia que estava bem.

"Eu não acho que isso seja verdade", declarou Simon, considerando a mensagem uma "encenação".

- Política de represálias -

Esta tomada de posição firme pode irritar a China, disseram vários especialistas à AFP, especialmente tendo em vista a política de represálias conduzida pelo gigante asiático quando outros atletas ousaram criticar o regime.

A plataforma de esportes da gigante de tecnologia chinesa Tencent parou de transmitir os jogos da NBA do Boston Celtics no início desta temporada depois que um de seus jogadores, Enes Kanter, chamou o presidente chinês, Xi Jinping, de "ditador brutal".

E a NBA perdeu US$ 200 milhões quando Daryl Morey, então gerente-geral do Houston Rockets, tuitou seu apoio aos manifestantes pró-democracia em Hong Kong.

A posição da WTA é "muito incomum", afirma Simon Chadwick, professor especializado em finanças esportivas da Emlyon Business School.

"As autoridades chinesas não gostam que lhe digam o que devem fazer", explicou.

Em um contexto marcado pela possibilidade de um boicote diplomático dos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Inverno, programados para fevereiro na China, a WTA pode estar, na verdade, assumindo um risco calculado.

O tênis feminino depende menos da China do que a NBA, um fenômeno no gigante asiático, diz Chadwick.

Além disso, Pequim tem poucos meios para pressionar a WTA. As competições foram suspensas, ou retiradas do país, em 2020 e 2021, devido à pandemia. E, por enquanto, a volta das competições femininas não parece próxima, em função das rígidas normas sanitárias.

A WTA "aprendeu a viver sem a China", diz Mark Dreyer, criador do site China Sports Insider.

"As consequências de seu posicionamento são menos importantes hoje do que poderiam ter sido no passado", acrescenta.

As autoridades chinesas não podem interferir diretamente na organização dos torneios WTA em seu território, mas poderiam adotar outras medidas menos intrusivas, como proibir os internautas de comentar as partidas, explica o blogueiro chinês Uyang Wensheng, especialista em tênis.

Nos últimos dias, personalidades do tênis mundial expressaram sua preocupação no Twitter com a hashtag #WhereIsPengShuai (#OndeEstaPengShuai, em português).

A censura chinesa suprimiu qualquer rastro das acusações de Peng nas redes sociais, especialmente as referências em declarações da WTA e da ATP, o circuito masculino, que também manifestou seu apoio.

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