Casagrande narra saga para manter-se sóbrio na Copa da Rússia

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(imagem: Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images)
(imagem: Nicolò Campo/LightRocket via Getty Images)

No dia da final da Copa do Mundo entre França e Croácia, um dos momentos mais marcantes da transmissão da Rede Globo foi quando o comentarista Walter Casagrande revelou que havia conseguido passar todo o Mundial sóbrio, sem usar álcool nem drogas. Em entrevista ao portal da revista Época, Casão fez um relato comovente de como passou mais de um mês “limpo”.

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Em tratamento para dependência química há dez anos, o ex-jogador do Corinthians contou que tentou manter uma rotina tranquila na Rússia, focando no trabalho e evitando “tentações”, já que a bebida podia trazer o pensamento de usar drogas.

“Fiz uma Copa super tranquilo, focado exclusivamente no meu trabalho. Não saí para me divertir nenhuma vez. Só saía para jantar com o pessoal da TV Globo em restaurantes armênios, georgianos, russos, mas voltava direto para o hotel. Eu estava lá para trabalhar”, explicou Casão. “Eu fui para a Rússia trabalhar, não para fazer turismo, até porque o turismo seria muito arriscado. Sair pelas ruas sem por que, ver todo mundo bebendo.”

Um dos momentos mais desafiadores, segundo Casão, foi a passagem por Liverpool, onde a Seleção Brasileira fez a preparação para a Copa. Fã de rock, o comentarista quis entrar no beco do The Cavern Club, onde todos bebiam e ouviam música alta, mas decidiu não entrar. Preferiu ir para o hotel descansar.

“Pensei em me trocar e voltar para ao The Cavern Club. Nesse meio tempo comecei a conversar com a minha psicóloga e não fui. Acordei no dia seguinte ainda pensando. Levei uns três dias para conseguir confirmar que eu tinha feito a coisa certa. Conversei com o pessoal da TV Globo, e eles me diziam: você fez a coisa certa, parabéns, coisa e tal. Me convenci de que tinha feito a escolha certa”, contou o ex-atleta.

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Casagrande também falou sobre as brincadeiras de mau gosto nas redes sociais. Ele disse que não viu as publicações, já que suas páginas são administradas por seus filhos, e criticou quem faz piada com dependência química. “Algumas pessoas fazem sacanagem para jogar as outras para baixo. Por que eu vou ver algo que me joga para baixo? Prefiro ver coisas que me jogam para cima. Não posso ir para baixo. Minha vida não pode ir para baixo. Então faz muito tempo que não fico chateado ou com raiva porque eu não vejo nada. A minha vida é todo dia.”

O comentarista também relembrou a fala emocionada durante a transmissão da final, quando ele se deu conta de que havia conseguido cumprir o objetivo de passar sóbrio pelo Mundial. “Me emocionou para caramba. Consegui terminar essa Copa sóbrio e agora eu sei que pulei para um outro patamar. Passei pela maior prova que um dependente químico poderia passar sozinho, sem ninguém próximo de mim, só com a ajuda da equipe da TV Globo e das minhas psicólogas em São Paulo.”

“Hoje me sinto super feliz. Sei que virei uma página. Sei mesmo. Aquele momento de emoção no fim da Copa foi o mais importante da minha vida nos últimos dez anos”, completou Casão.

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