Carta aberta a Richarlyson: um agradecimento pelos anos de luta contra a homofobia

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Caro Richarlyson,

Difícil mensurar quantos pedidos de desculpas você merece. Recebido com bombas no Guarani, ignorado no São Paulo, rechaçado no Palmeiras. E, ainda assim, capaz de fazer história por onde passou. Dentro das quatro linhas, seu vigor sempre será lembrado. Mas, fora dos gramados, sua coragem engrandeceu uma luta de milhões de pessoas. Esse assunto não recebe a atenção que merece. No futebol, espaço tão povoado pela masculinidade tóxica e machismo estrutural, você foi baluarte contra a homofobia.

Volante teve passagens pelo Vitória. | Felipe Oliveira/Getty Images
Volante teve passagens pelo Vitória. | Felipe Oliveira/Getty Images

Retomemos, então, parte da história. Ainda no tricolor paulista, clube do tricampeonato brasileiro e conquista do Mundial, seu nome não era entoado como os demais. Antes das partidas, no Morumbi costumeiramente lotado, todos os jogadores tinham espaço garantido nos cânticos dos torcedores, menos Richarlyson - tentaram tirar seu nome, porque sabiam que seus feitos jamais poderiam ser desprezados.

Mais tarde, quando os termos de uma possível negociação com o Verdão voltaram à tona, alguns representantes da Mancha Alviverde expuseram, com orgulho, uma faixa que dizia: 'A Homofobia veste verde'. Retirado pouco tempo depois, o objeto já havia passado a mensagem. Não havia como voltar atrás - tentaram te menosprezar, porque sabiam que suas conquistas jamais deixariam de ser gigantes.

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Contudo, poucos acontecimentos se comparam aos ocorridos no Guarani: uma recepção com bombas e protestos no Brinco de Ouro da Princesa. Tamanho ódio não coube em palavras ameaçadoras ou exclusões silenciosas, fez-se necessário uma explosão de repúdio - tentaram te desprezar, porque sabiam que sua coragem jamais deixaria de te acompanhar dentro e fora das quatro linhas.

Jogador merecia estar na calçada da fama do Morumbi. | Miguel Schincariol/Getty Images
Jogador merecia estar na calçada da fama do Morumbi. | Miguel Schincariol/Getty Images

Agora, quando o São Paulo finalmente abre espaço para te receber na calçada da fama, que já comporta 99 nomes, a reparação tem gosto amargo aos torcedores que sempre te admiraram. Antes tarde do que nunca? Talvez. Seu merecimento, no entanto, nunca esteve em xeque. Qualquer pessoa com conhecimento médio sobre futebol sabia que havia um lugar reservado ao nome Richarlyson.

Quando te atacavam, você respondia: "É vazio, tão pequeno para aquilo que eu sou" ou "Vão me aplaudir depois". Nunca desrespeitando o verdadeiro combate à homofobia. E, em um país onde tanto se morre de Brasil, da intolerância, preconceito, violência, palavras são capazes de fortalecer lutas ou desestabilizar movimentos inteiros. E Richarlyson sabe, melhor que a maioria de nós, o poder do dito e, mais ainda, daquilo que não é verbalizado.

Diante de um cenário com tantas 'Chús' ou repleto de dirigentes esportivos que morrem de medo de "achar que aqui só tem viado", quem dera tivéssemos mais exemplos de Richarlyson espalhados por aí. Difícil mensurar quantos pedidos de desculpas devemos a você - praticamente impossível, na verdade. Portanto, hoje, ficaremos com os agradecimentos.

Richarlyson em ação pelo São Paulo. | Buda Mendes/Getty Images
Richarlyson em ação pelo São Paulo. | Buda Mendes/Getty Images

Obrigado, Richarlyson. Você é gigante.

Carinhosamente,
90min Brasil.

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