'Carrefour até agora não deu um auxílio', diz esposa de João Alberto, assassinado por seguranças

João Conrado Kneipp
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Milena contou que, até a tarde desta sexta, não havia sido procurada por representantes do Carrefour. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Milena contou que, até a tarde desta sexta, não havia sido procurada por representantes do Carrefour. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Milena Borges Alves, esposa de João Alberto Silveira Freitas, assassinado por seguranças do Carrefour em Porto Alegre (RS) na noite de quinta-feira (19), afirmou que até agora não foi procurada por representantes ou recebeu qualquer tipo de assistência por parte da rede de hipermercados.

“O Carrefour até agora não se manifestou, não deram nenhuma assistência, não deu um auxílio”, revelou, em entrevista concedida à emissora Globo News, na tarde desta sexta-feira (20). “Eu só quero justiça”, completou ela.

De acordo com a Polícia Militar gaúcha, o espancamento começou depois de um desentendimento entre a vítima e uma funcionária do mercado, localizado na zona norte da capital gaúcha. Segundo a polícia, a vítima teria ameaçado bater na funcionária, que chamou a segurança. Há, no entanto, outra versão de testemunhas que alegam que a vítima foi perseguida no estabelecimento.

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Os dois suspeitos, um de 24 anos e outro de 30 anos, foram presos em flagrante. Um deles é policial militar e foi levado para um presídio militar. O outro é segurança da loja e está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o assassinato como homicídio triplamente qualificado: por motivo fútil, impossibilidade de defesa da vítima e asfixia.

Milena contou que João Alberto “brincou” com uma das funcionárias que estava nos caixas e disse que iria esperá-la no estacionamento.

“Passamos pelo caixa, ele brincou com uma das moças. Ele era brincalhão, sem maldade. E disse para mim: ‘vou ir descendo’. Eu paguei as compras, fui descendo a escada rolante e vi os dois seguranças descendo correndo. Quando desci, ele já estava no chão sendo contido pelos seguranças com o joelho no pescoço e nas costas”.

“As últimas palavras dele pra mim foram: ‘Milena, me ajuda’. Quando eu cheguei perto, me empurraram e não deixaram eu ajudar”, diz.

As imagens da agressão foram gravadas e viralizaram nas redes sociais. Em um dos vídeos, uma das funcionárias fez ameaças a um homem que gravava o espancamento. Internautas revoltados pedem punição ao Carrefour. O nome da rede de supermercados estava entre os assuntos mais comentados do Brasil na manhã desta sexta-feira (20).

Procurada pelo Yahoo Notícias!, a assessoria de imprensa do Carrefour afirmou que está “buscando contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário neste momento difícil”.

Confira, abaixo, o posicionamento do Carrefour sobre o ocorrido:

Após a lamentável e brutal morte do senhor João Alberto Silveira Freitas na loja em Porto Alegre, no bairro Passo D’Areia, o Carrefour informa que:

- Definiu que todo o resultado de lojas Carrefour no Brasil nesta sexta-feira, 20 de novembro, será revertido para projetos de combate ao racismo no país. O valor será destinado de acordo com orientação de entidades reconhecidas na área. Essa quantia, obviamente, não reduz a perda irreparável de uma vida, mas é um esforço para ajudar a evitar que isso se repita;

- amanhã, 21/11, todas as lojas do Grupo em todo o Brasil abrirão duas horas mais tarde para que neste tempo possamos reforçar o cumprimento das normas de atuação exigidas pela empresa a seus funcionários e empresas terceirizadas de segurança;

- estamos buscando contato com a família do senhor João Alberto para dar o suporte necessário neste momento difícil;

- a loja do bairro Passo D’Areia será mantida fechada;

Todas essas ações complementam as decisões já anunciadas de rompimento de contrato com a empresa que responde pelos seguranças envolvidos no caso e de desligamento do funcionário que estava no comando da loja no momento do ocorrido.

Reiteramos que, para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam. Estamos profundamente consternados com tudo que ocorreu e acompanharemos os desdobramentos do caso, oferecendo todo suporte para as autoridades locais.

Imagens circulam nas redes sociais, veja a seguir (as imagens possuem conteúdo que pode ser perturbador para algumas pessoas):