Carol Santiago dá inédito sexto ouro para brasileiras nas Paralimpíadas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com sua segunda medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, nesta terça-feira (31), a nadadora Carol Santiago obteve o sexto título das atletas brasileiras no Japão, maior número já registrado pela delegação feminina do país numa edição.

Além das duas medalhas douradas de Carol, o Brasil já subiu ao lugar mais alto do pódio com Beth Gomes (lançamento do disco), Alana Maldonado (judô), Mariana D'Andrea (halterofilismo) e Silvânia Costa (salto em distância). Em 1984 e 2000, foram cinco medalhas de mulheres brasileiras.

Após a conquista do centésimo ouro do Brasil na história dos Jogos, com Yeltsin Jacques nos 1.500 m livre classe T11, que abriu o sétimo dia de disputas em Tóquio, Carol Santiago fez o país igualar as 14 medalhas douradas obtidas no Rio-2016 ao vencer os 100 m livre classe S12. O recorde são as 21 de Londres-2012.

Carol também participou do revezamento 4 x 100 m livre misto 49 pontos que levou a prata. Assim, ela chegou à sua quarta medalha em Tóquio, bem como Gabriel Bandeira, segundo colocado nos 200 m medley classe S14.

Raíssa Machado também foi prata, no lançamento do dardo classe F56. Houve ainda os bronzes da nadadora Mariana Gesteira nos 100 m livre S9 e da corredora Jardênia Barbosa da Silva nos 400 m T20.

Com mais sete pódios, o Brasil soma 42 medalhas em Tóquio: 14 ouros, 11 pratas e 17 bronzes, na sexta posição do quadro geral.

Carol Santiago em dose dupla Primeiro Maria Carolina Gomes Santiago, 36, conquistou a medalha de ouro nos 100 m livre classe S12 (atletas com deficiência visual).

A pernambucana fez o tempo de 59s01, 12 centésimos à frente da russa Daria Pikalova, que havia liderado nas eliminatórias.

Em sua estreia paralímpica, Carol já tinha sido medalhista de ouro nos 50 m livre classe S13 e bronze nos 100 m costas classe S12.

A sua quarta medalha sairia um pouco depois, a prata no revezamento 4 x 100 m livre misto 49 pontos (atletas com deficiência visual de diferentes classes), junto com Wendell Belarmino, Douglas Matera e Lucilene Sousa. Eles finalizaram com o tempo de 3min54s95, atrás do Comitê Paralímpico Russo (3min53s79) e à frente da Ucrânia por 20 centésimos.

Carol segurou a prata nos metros finais apesar da aproximação do ucraniano Kyrylo Garashchenko. A ordem dos nadadores é escolhida pelo país. O Brasil abriu com dois homens e fechou com duas mulheres.

Gabriel Bandeira também chega à quarta medalha Nos 200 m medley classe S14 (atletas com deficiência intelectual), prova em que não é especialista, Gabriel Bandeira, 21, conquistou a medalha de prata com o tempo de 2min09s56. O ouro foi para o britânico Reece Dunn (2min08s02), com recorde mundial.

Bandeira, outro estreante nos Jogos, virou na quarta posição após o nado peito, seu estilo mais fraco, mas teve grande recuperação no nado livre e ultrapassou dois atletas. Ficou próximo até mesmo de Dunn.

O paulista de Indaiatuba também já foi medalhista de ouro nos 100 m borboleta, prata nos 200 m livre e bronze no revezamento 4 x 100 m livre S14. Ela terá mais uma prova pela frente, os 100 m costas, com final às 6h03 de quinta-feira (2).

Mariana se reinventa para buscar o bronze Mariana Gesteira Ribeiro, 26, conquistou o bronze nos 100 m livre classe S9 (atletas com deficiência física), com o tempo de 1min03s39. A brasileira conseguiu a medalha por três centésimos de distância para a britânica Toni Shaw, numa prova marcada pelo equilíbrio.

"Tive piora na minha deficiência, então tive que me reinventar para estar aqui de uma forma que nunca pensei que conseguiria. Tudo isso devo ao meu técnico, que não pôde estar aqui [em Tóquio]. Estou muito feliz, é a premiação de todo esse trabalho que a gente faz o tempo inteiro, a cada segundo. É fazer história todo dia para chegar aqui e fazer história também", ela afirmou ao SporTV.

Natural de Itaboraí (RJ), Mariana buscava seu primeiro pódio olímpico. Ela nasceu com uma má-formação do sistema nervoso central que afeta a coordenação e o equilíbrio. A doença começou a se manifestar quando tinha 14 anos e a afastou das piscinas, em 2009, por causa de crises de desmaio.

Sua trajetória na natação adaptada começou em 2013 e chegou ao ápice nesta terça-feira.

Atletismo tem centésimo ouro e duas novas medalhistas Ainda na noite de segunda (horário de Brasília), o brasileiro Yeltsin Jacques, 29, conquistou a centésima medalha de ouro do Brasil em Jogos Paralímpicos. Ele foi o campeão dos 1.500 m da classe T11 (atletas cegos) e quebrou o recorde mundial com o tempo de 3min57s60.

Yeltsin assumiu a ponta ainda na primeira volta e liderou totalmente a corrida desde então.

O sul-mato-grossense, único ao lado de Carol Santiago com dois ouros em Tóquio, volta a correr na maratona, no próximo sábado (4), às 18h50 (de Brasília).

Raíssa Machado, 25, conquistou a medalha de prata no lançamento do dardo, classe F56 (atletas que competem sentados por comprometimento dos membros inferiores).

A baiana de Ibipeba, que disputa sua segunda edição de Paralimpíadas, conseguiu a marca de 24,39 m e ficou com a segunda posição. Ela é a nova recordista das Américas na prova.

"Por pouquinho não foi medalha de ouro. Eu prometi, eu cumpri. Independentemente da medalha, eu estou levando uma para casa. Só tenho a agradecer. É muita gratidão", comemorou.

Jardênia Barbosa da Silva, 17, conquistou o bronze nos 400 m T20 (deficiência intelectual), com o tempo de 57s43. Foi a melhor marca da carreira da brasileira. A vitória ficou com a favorita, a americana Breanna Clark, que bateu seu próprio recorde mundial, com a marca de 55s18.

Natural de Natal (RN), Jardênia começou no esporte praticando futebol e taekwondo antes de migrar para o atletismo, em 2016, quando tinha 13 anos.

A brasileira foi evoluindo, mas aos poucos seu treinador notou que a velocista tinha dificuldade para manter a atenção. Constatada, a deficiência intelectual a credenciou a participar de provas paralímpicas na classe T20.

Ela logo chamou a atenção em competições escolares, ganhou medalhas em torneios de base e agora repete o feito nas Paralimpíadas.

Brasil aplica mais uma goleada no futebol de 5 A seleção brasileira goleou a França por 4 a 0 na última partida da fase de grupos. Os gols do Brasil foram marcados por Jardiel (2) e Nonato (2). Em Tóquio-2020, a seleção brasileira marcou 11 gols e não sofreu nenhum. A China foi a outra classificada do Grupo A, com duas vitórias e uma derrota.

A seleção brasileira de futebol de 5 (para cegos) é a única campeã paralímpica da história, conquistando todos os ouros desde a estreia do esporte no programa, em Atenas-2004.

O jogo da semifinal será na quinta, às 7h30 contra Marrocos, e terá transmissão da Globo na TV aberta.

No goalball, vitória com tranquilidade A seleção brasileira masculina de goalball venceu a Turquia por 9 a 4 pelas quartas de final.

Às 5h45 da próxima quinta, a equipe enfrentará a atual campeã paralímpica, a Lituânia.

A campanha brasileira até agora é melhor que a do próximo adversário. Na estreia em Tóquio, inclusive, o Brasil venceu justamente a Lituânia, por 11 a 2.

Vôlei sentado avança no sufoco A equipe brasileira masculina de vôlei sentado foi derrotada por 3 sets a 1 pela Alemanha, com parciais de 25/23, 22/25, 25/19 e 25/18. Com o resultado, o Brasil precisou torcer por uma derrota da China para o Irã por 3 sets a 0 para ter chances de avançar às semifinais, o que aconteceu.

Assim, os brasileiros terminaram a primeira fase na segunda posição, com uma vitória e duas derrotas, mesma campanha de China e Alemanha. O saldo de sets das seleções também foi o mesmo (quatro vencidos e sete perdidos), então a vaga foi definida pelo saldo de pontos. O Brasil levou a melhor por seis pontos sobre a Alemanha.

O adversário das semifinais, marcada para quinta, às 6h30, será o Comitê Paralímpico Russo.

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