Carol Santiago brilha com 3º ouro nas Paralimpíadas, e Daniel Dias dá adeus

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O oitavo dia de competições dos Jogos Paralímpicos de Tóquio, nesta quarta (1º), teve diferentes emoções na natação.

Daniel Dias, atleta paralímpico mais bem-sucedido da história do Brasil nos Jogos, se despediu das piscinas. Ele concluiu sua última prova em Tóquio e na carreira, nos 50 m livre da classe S5, na quarta posição. Daniel tem 27 medalhas paralímpicas, três delas conquistadas em 2021.

Já Carol Santiago conquistou o seu terceiro ouro, nos 100 m peito classe SB12, e deixa a competição com cinco medalhas, melhor desempenho individual do país no Japão. Cecília Araújo, prata nos 50 m livre S8, e Talisson Glock, bronze nos 100 m livre S6, também foram ao pódio na natação.

O esporte já foi responsável por 20 medalhas do Brasil em Tóquio, acima do recorde anterior de 19 em Pequim-2008 e no Rio-2016.

Na bocha, Maciel Santos e José Carlos Chagas de Oliveira conquistaram bronzes ao venceram disputas pelo terceiro lugar. No tênis de mesa, o Brasil encerrou a sua participação com o terceiro bronze, da equipe feminina nas classes 9 e 10.

Com mais seis medalhas, o Brasil agora soma 48 em Tóquio: 15 ouros, 12 pratas e 21 bronzes, na sétima posição do quadro geral.

O 15º título fez o país superar o desempenho dos Jogos do Rio-2016, quando conquistou 14 ouros, 29 pratas e 29 bronzes. O recorde de ouros são os 21 de Londres-2012.

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CAROL É TRICAMPEÃ E SE FIRMA COMO GRANDE NOME DO BRASIL EM TÓQUIO

Carol Santiago, 36, venceu os 100 m peito classe SB12 (atletas com deficiência visual) com o tempo de 1min14s89. A marca da pernambucana é o novo recorde dos Jogos Paralímpicos. Anteriormente, ela já tinha sido campeã dos 50 m livre e 100 m livre. Também foi prata no revezamento 4 x 100 m livre (49 pontos) e bronze nos 100 m costas.

Com seus três ouros e cinco medalhas, possui o melhor desempenho individual da delegação brasileira em Tóquio.

É a primeira vez que estou deixando a emoção do que a gente fez aqui vir mesmo. Estou muito feliz, foi uma prova muito bem executada e eu não estava nervosa, queria estar ali", afirmou ao SporTV. Ela também destacou que tinha dúvidas sobre nadar um programa com tantas provas, mas foi convencida pelo treinador Leonardo Tomasello. Por isso, agradeceu a toda a equipe técnica, médica, psicológica, física e de nutrição.

Apesar de ter 36 anos, Carol fez em Tóquio sua estreia nas Paralimpíadas. Ela chegou ao Japão badalada pela boa campanha no Mundial de Londres-2019. Na ocasião, conquistou dois ouros e duas pratas.

CECÍLIA E TALISSON TAMBÉM VÃO AO PÓDIO

O dia teve mais duas medalhas na natação. Aos 22 anos, Cecília de Araújo conquistou a primeira da sua carreira, prata nos 50 m livre classe S8 (atletas com deficiência física). Ela completou a prova em 30s83, 92 centésimos atrás da russa Viktoriia Ishchiulova.

A atleta nascida em Natal (RN) já havia conquistado várias medalhas em Campeonatos Mundiais, em Jogos Parapan-Americanos e agora alcança a glória paralímpica.

Cecília teve paralisia cerebral no momento de seu nascimento, o que limita os seus movimentos. Ela conheceu a natação como fisioterapia e se destacou no esporte.

"Pensei em desistir, por muitas dificuldades que passei, mas algumas pessoas que estão ao meu lado até hoje não deixaram. Essas pessoas merecem o meu 'muito obrigada', e essa medalha eu conquistei por causa delas. Se eu tivesse desistido um ano atrás estaria assistindo em casa, não aqui conquistando a medalha", afirmou ao SporTV.

Talisson Glock, 26, conquistou a sua segunda medalha paralímpica em Tóquio ao terminar os 100 m livre da classe S6 (atletas com deficiência física) na terceira colocação, com 1min05s45.

O ouro, com direito a recorde mundial, foi para o italiano Antonio Fantin, com 1min03s71. O colombiano Nelson Crispin Corzo levou a prata, com 1min04s82.

Para faturar o bronze, Talisson superou o chinês Hongguang Jia, que virou a primeira metade na frente, por dez centésimos.

O brasileiro também havia participado do revezamento 4 x 50 m misto (20 pontos) que levou a medalha de bronze na semana passada.

Aos 9 anos de idade, o catarinense de Joinville foi atropelado por um trem e perdeu o braço e a perna esquerdos. Passou a treinar natação em 2004, começou a disputar torneios em 2008 e em 2010 foi chamado para integrar a seleção brasileira.

DANIEL DIAS SE DESPEDE DO ESPORTE

Daniel Dias, 33, terminou a última prova de sua carreira, os 50 metros nado livre classe S5 (atletas com deficiência física) das Paralimpíadas de Tóquio, na quarta posição, com 33s12.

O domínio foi dos chineses, que ocuparam todo o pódio, com Tao Zheng (ouro), Weiyi Yuan (prata) e Lichao Wang (bronze).

Muito emocionado em sua primeira entrevista após a despedida, ao SporTV, ele pouco conseguiu falar. "Deus me deu infinitamente mais do que eu pedi e pensei. Se eu escrevesse isso não seria tão perfeito como foi. Não é choro de tristeza, estou muito feliz. Mas é uma vida dedicada a isso aqui. Não dá [para falar]..."

BRASILEIROS CONQUISTAM PRIMEIRAS MEDALHAS NA BOCHA

A bocha, um dos esportes em que o Brasil costuma ir ao pódio em Paralimpíadas, teve suas primeiras medalhas. Maciel Santos e José Carlos Chagas de Oliveira conquistaram bronzes ao venceram disputas pelo terceiro lugar.

Em um jogo decidido na última bola, Maciel Santos, 35, triunfou na classe BC2 (atletas que não recebem assistência). Ele venceu o tailandês Worawut Saengampa, número 1 do mundo na categoria, por 4 a 3.

Natural de Crateús, no Ceará, Maciel nasceu com paralisia cerebral. Ele pratica bocha desde os 11 anos e foi ouro nos Jogos Paralímpicos de Londres-2012, além de prata nos pares em 2016.

Ele dedicou a conquista em Tóquio ao colega de seleção Dirceu Pinto, tetracampeão que morreu no ano passado, vítima de insuficiência cardíaca. "Eu vim para Tóquio para honrar o nome dele. Cada bolinha, cada arremesso, eu jogava com o pensamento de honrar o nome do Dirceu. Eu dedico esta medalha a ele, à família dele e à minha família."

José Carlos Chagas, 44, da classe BC1 (com opção de auxílio de ajudantes), venceu o português André Ramos por 8 a 2 na disputa pelo terceiro lugar.

O paulista de Ribeirão Preto é paralisado cerebral e começou a disputar a bocha aos 26 anos. Ele já havia conquistado a medalha de prata nos Jogos Parapan-Americanos de Lima em 2019 e o ouro no Parapan de Toronto em 2015.

BRASIL PERDE SEMI PARA POLÔNIA E GARANTE 3ª MEDALHA NO TÊNIS DE MESA

O Brasil perdeu para a Polônia por 2 a 0 na semifinal do torneio por equipes femininas do tênis de mesa das classes 9 e 10. Com o resultado, garantiu a medalha de bronze, já que não há disputa do terceiro lugar na competição.

Na estreia, o time formado por Bruna Alexandre, Danielle Rauen e Jennyfer Parinos bateu a Turquia. A equipe repetiu o desempenho do Rio-2016, quando também ficou com a medalha de bronze.

Foi o terceiro pódio do tênis de mesa em Tóquio, após a prata de Bruna Alexandre (classe 10) e o bronze de Cátia Oliveira (classes 1-2) no individual.

SELEÇÕES FEMININAS DE GOALBALL E VÔLEI SENTADO VÃO ÀS SEMIFINAIS

A seleção brasileira feminina de goalball venceu a China nas quartas de final, por 1 a 0, com um gol de ouro marcado no segundo tempo da prorrogação, e avançou às semifinais. Foi o primeiro 0 a 0 no tempo normal do goalball nos Jogos de Tóquio.

Carol balançou as redes cobrando uma penalidade com um arremesso por baixo das pernas e garantiu o triunfo da equipe brasileira sobre as atuais vice-campeãs olímpicas.

A seleção feminina busca sua primeira medalha nos Jogos (a masculina possui duas) e disputará a semifinal nesta quinta, às 7h30, contra os EUA.

A seleção feminina de vôlei sentado venceu a Itália por 3 sets a 1, parciais de 23-25, 25-17, 26-16 e 25-21, e garantiu a primeira posição do Grupo A.

A maior pontuadora do Brasil foi Edwarda, com 14 pontos ao longo dos quatro sets. A seleção medalhista de bronze em 2016 encerrou a fase de grupos com três vitórias em três jogos e disputará a semifinal contra os EUA, às 6h30 de sexta (3).

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