Carnes são vilãs de ceia de Natal mais cara este ano; veja como driblar aumentos

Ana Clara Veloso
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Ceia de Natal vai ser mais cara
Ceia de Natal vai ser mais cara

O Natal de 2020 pesará mais no bolso dos brasileiros. Com a inflação do ano sendo puxada pelos alimentos, ter uma mesa farta sairá bem mais caro para os consumidores. E as vilãs da comemoração serão as carnes, com altas, segundo o Índice de Preços ao Consumidor do FGV IBRE, de até 30,84% no acumulado dos últimos 12 meses. É o caso do pernil.

De outubro de 2019 a outubro de 2020, o lombo ficou 22,63% mais caro; o frango, 12,59%; e o bacalhau, 12,15%.

— E os preços têm potencial de subir mais até o fim do ano. As carnes subiram pois estamos exportando muito para a China, o que é bom pra balança comercial, mas desabastece o mercado nacional e o preço sobe. Também pois as rações de suínos e frangos, à base de soja e milho, respectivamente, subiram muito de preço, pois são negociados no mercado internacional em dólar — explica o coordenador do IPC FGV/Ibre, André Braz.

Segundo ele, os complementes de mesa, como arroz, vinho e azeite, também ficaram mais caros. O arroz, 51,99%. O vinho, 1,27%, e o azeite, 7,87%.

— Produtos importados como vinho e azeite sofreram com a evolução muito grande do câmbio. Além disso, a própria farinha de trigo, que é a base do panetone e do pão de rabanada, ficou mais cara. Panetones estão de 6% a 7% mais caros no mercados — exemplifica o consultor de varejo Marco Quintarelli.

Segundo Quintarelli, o cenário econômico difícil e as comemorações, que devem ser mais intimistas este ano, impactarão nas compras dos mercados para o fim de ano.

— O varejo pretende comprar a mesma quantidade do ano passado ou um pouco menos, pois muitos dos itens da ceia de Natal são sazonais e não podem sobrar.

Como driblar as altas

De acordo com André Braz, um experimento do FGV Ibre, com dois carrinhos de compras — com os mesmos produtos, mas um composto por marcas famosas e outro com marcas menos conhecidas — mostrou que fazer substituições pode gerar economia de até 50% nas compras.

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— Isso não vai evitar gastar mais neste Natal, mas o aumento vai ser menor. Atualmente é mais fácil fazer substituições, pois o mercado é muito mais diversificado. Ainda recomendamos dividir os custos da ceia entre os parentes e amigos que vão passar a data junto — afirma Braz.

A planejadora financeira CFP e professora de Economia comportamental na ESPM SP, Paula Sauer, orienta ainda a fazer compras com antecedência, para controlar os gastos.

— Com antecedência, sem pressa, com uma listinha em mãos, para não ser fisgado pelas compras não planejadas. Ao fazer compras em cima da hora, não pesquisamos preços, outros mercados, outras marcas, outras possibilidades, perdemos a oportunidade de fazer boas escolhas, compramos o que está disponível, seja lá o preço que for, ou ficamos na mão — diz.

Ela sugere dar preferência a frutas nacionais e da estação, assiim como os vinhos brasileiros. E, quando for encomendar pratos para a ceia, buscar pequenos fabricantes do bairro, o que ainda ajuda a economia local. Por fim, é claro, nada de exagerar nas compras.